blue ruin

Blue Ruin

Pode a carnificina ser sedutora?

A vingança é sempre um óptimo motor de arranque para um filme que se quer salpicado de nervosismo e violência. São inúmeros os bons exemplos que já tivemos o prazer de saborear numa sala de cinema, tais como o mais recente “Django Unchained”  ou aquela que é sem dúvida uma das melhores sagas do género: “Kill Bill Vol. I e II“.

Em “Blue Ruin“ a vingança volta a ser o centro das atenções, embora não o consigamos adivinhar nos primeiros momentos do filme. Nestes é-nos dado a conhecer Dwight, protagonizado por Macon Blair, um vagabundo que vive solitário dentro do seu carro. A câmara segue-lhe os passos, tão astutos quanto inertes, num dia-a-dia que se desdobra por entre visitas a várias lixeiras em busca de comida, latas e objectos de leitura. Uma existência algo curiosa mas aparentemente sem grande essência, e que é despertada quando alguém bate à janela do seu velhinho Pontiac azul.

 

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Os flashes curiosos que até então seguiam o olhar de Dwight  dão agora lugar a uma velocidade da narrativa que, se em simultâneo capta o lado mais obstinado do protagonista, também deixa perceber uma clara falta de concentração e de foco do qual emerge um sentimento de desastre iminente. Enche-se o tanque de gasolina, afiam-se as lâminas e rumamos em direcção ao inferno. Uma vez estando lá, abranda-se o ritmo frenético do filme e ao director Jeremy Saulnier interessa agora explorar o que acontece depois de se ajustarem as contas. Numa atmosfera profundamente opressiva começam a surgir várias camadas de núcleos e clãs familiares claramente desajustados e onde cada acto é apenas mais um passo na escalada desastrosa entre presas e predadores, vingadores e sobreviventes.

Embora a previsibilidade da narrativa pudesse ter sido compensada por outros elementos, talvez a conclusão a retirar seja a de que surpreender não era o objetivo do cineasta. Numa história onde a vingança se desenha com um traço bem diferente do habitual, parece-nos que a intenção de Saulnier era antes a exploração do medo no próprio público. A ser verdade, tiramos-lhe o chapéu. Neste filme mata-se a sede de sangue através boas doses de carnificina, é certo, mas estas são sempre filtradas através de uma sensibilidade que as torna… quase sedutoras.



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