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BMX Freestyle

Bob Haro, pioneiro do movimento nos Estados Unidos, é a figura do BMX Freestyle. Foi responsável pela concepção das bicicletas BMX Freestyle e o verdadeiro visionário do desporto. Já Steven Spielberg, ao realizar em 1982 um dos filmes mais míticos de todos os tempos – o E.T. – levou a que milhares de crianças à volta do planeta descobrissem o BMX. Portugal não é excepção.

No passado dia 28 de Novembro, em Leiria – a Meca do BMX – foram entregues os prémios do BMX Series 2009. Daniel Serra (pro), Diogo Santos (amador) e João Vale (iniciados) foram os riders que subiram ao lugar mais alto do pódio do campeonato de Freestyle.

Para os mais distraídos, as bicicletas BMX – bicycle motocross – são caracterizadas por rodas de 20 polegadas de diâmetro e, no Freestyle, são palco para inúmeras manobras (sem truques) em modalidades como o Street (obstáculos de rua), Park (percursos fechados de rampas), Vert (rampas em “U”), Trails (rampas de terra) e Flatland (terrenos flat).

Nascidos nos anos 80, começaram a andar de BMX na década de 90 e são, actualmente, pela atitude e andamento, algumas das grandes figuras do desporto em Portugal.

David Lourenço ou David “Brakless” Lourenço (sim, mesmo sem ‘e’), original e determinado, é uma grande influência na cena brakless e andamento em street. Daniel Américo, que fez escola com o primeiro, em Queluz, tem uma das técnicas mais originais a nível nacional e foi o vencedor do BMX Series 2008. Hugo Almeida, membro Old School dos Caça Pardalas Team, e 3.º classificado do BMX Series 2009, é um dos riders mais influentes do cenário freestyle e colecciona projectos que conferem ao desporto um registo e divulgação tremendas – BMXFiles, filmes, Zines. Daniel Serra, actual campeão nacional, rider com mais títulos em Portugal não fez por menos e já ganhou um campeonato do mundo– Expert Mini-Ramp (Portimão) – e é, sem dúvida, o rider com maior destaque no BMX nacional.

BMX Freestyle: atitude antes de andamento.

Qualquer um destes quatro BMXer’s representa a atitude da Old School do BMX. Daniel Américo explica que essa atitude é o “feeling de não ter de provar nada a ninguém e apenas sentir o sorriso e a alegria no final de um dia de andamento”. David Lourenço dá um exemplo: “às vezes combinamos e vamos andar à noite e se calhar em quatro horas que estamos juntos andamos uma hora ou meia hora…”. Apesar do panorama ter mudado “há muitos miúdos com boa atitude”, conta Daniel Américo que compreende que as mudanças são “um reflexo do desenvolvimento do desporto”, que considera “inevitável”. David desabafa que há miúdos que “vão para os campeonatos e em vez de estarem a curtir estão a olhar para o que o outro está a fazer porque querem fazer igual para ser tão bom como o outro”, mas salvaguarda que “há muitos deles de street que nunca sequer andaram em campeonatos e têm uma atitude cinco estrelas”. Hugo Almeida acha que a essa atitude “é como a atitude de qualquer outra tribo, seguimos as influências dos nossos heróis, criamos as nossas regras, linguagem, estilo, etc.” e que a grande diferença é que “as referências, os heróis, mudam” para os miúdos da New School, remata o rider.

O BMX Freestyle “é o melhor desporto do mundo” diz o ex-campeão nacional. David Lourenço acrescenta que uma das razões é não haver competitividade e serem “uma família”. O único contra, consensual, são as lesões, e que o diga Daniel Américo. Em Maio, o biker, a fazer a manobra 360º barspin – não tentem fazer em casa –, em Alcácer do Sal, partiu a tíbia e o perónio, levou uma cavilha na tíbia com um parafuso e está há quase sete meses de baixa. Sobre o infortúnio, declara que “tenho ainda mais vontade de voltar a andar” e que nem sequer lhe passou pela cabeça “encarar as coisas de forma diferente”.

A pedalar chegamos lá.

Em Portugal, os campeonatos começaram em 1997, e incluíam as disciplinas Street, Mini-Ramp e Flatland. “Comecei a competir pelo gozo que me dava e é por esse mesmo motivo que hoje em dia continuo a competir”, declara Hugo Almeida. E Daniel Serra é peremptório quando se fala de campeonato “é uma festa!” diz, acrescentando “picamo-nos uns aos outros, mas é aquela pica saudável”. Por isso é que para o campeão, ganhar o título é “um dia igual ao de ontem”.

Daniel Serra conta que em 2006 houve um Boom do BMX, “começaram a organizar-se os campeonatos nacionais e a haver mais movimento no BMX”, bem como a nível de “estruturas” acrescenta Daniel Américo e de “andamento e praticantes” conclui David Lourenço. Como prova disso o BMX Series 2009 contou com 73 inscritos, entre os três escalões. Serra acrescenta ainda que, apesar de estarmos no bom caminho, “comparado com certos países, como por exemplo a Alemanha e a Inglaterra, ainda estamos um bocado atrasados”. Para Hugo Almeida o que falta ainda em Portugal mas que “pode destruir esta boa atmosfera ligada ao desporto” é o dinheiro, nomeadamente para “apoiar quem realmente quer levar isto a outro nível”. Em Portugal ainda não existem riders profissionais, mas muitos já são apoiados e patrocinados, a nível de material e roupa.

Daniel Serra não sente que Portugal esteja a ficar pequeno demais, mas confessa que “cada vez mais” sente necessidade de ir andar lá fora, como por exemplo aos “Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Espanha”.

Passado, presente e futuro

A nível internacional, há muitos riders ligados às artes e indústrias criativas, Hugo Almeida é um exemplo, como conta: “o BMX foi quem me abriu os olhos para o meu trabalho de hoje, comecei na área do design porque quis fazer uma Fanzine e mais tarde comecei a filmar porque quis completar essa Zine e daí surgiu um projecto que se chama Movement Tour”. Daniel Américo, apesar de não partilhar o percurso profissional do primeiro, não hesita em responder: “a parte criativa do Freestyle, poder pensar, não ter limites de ideias influencia-me a nível profissional e a nível pessoal” e acrescenta que se não fosse o BMX seria “uma pessoa completamente diferente”.

Quando se fala de futuro e de objectivos, vários, Hugo Almeida confessa que o seu é o de se “manter sempre ligado a isto, como rider ou de outra maneira qualquer, isto faz parte da minha vida”. Em termos desportivos, e ao representarem o melhor da Old School do desporto, Daniel Américo admite que gosta de pensar que é “uma boa influência” e David Lourenço gostava que a New School tivesse “noção do que é realmente o BMX” e sentissem o mesmo que eles. Daniel Serra brinca: “é eles nos amarem por isso!” – com ressalva para risos e um lol, vá.

E por amor e influências, Daniel Serra fala-nos sobre a experiência de ter sido parte da colecção dos TAZOS voadores da Chipicao: “a Chipicao queria fazer uma publicidade com desportos radicais e com manobras dos atletas”, como conta, e o biker acedeu. Confessa que “achava engraçado, olhava para os Chipicaos e ficava a ver a minha cara”. David Lourenço conta ainda que o Afonso – “um miúdo que já tem seis anos e que pratica BMX desde o ano passado” – começou a andar por causa daqueles TAZOS: “o puto curte BMX e para o puto ter o TAZO do campeão nacional parecendo que não, ajuda”.

Para além das bikes (ou não).

O vídeo e a música são indissociáveis do BMX. Quando questionados sobre cinema, Hugo Almeida aponta “Big Fish, 21gr, Amores Perros” como alguns dos seus filmes preferidos e David Lourenço “todos os filmes do Tarantino”. Daniel Américo é aficionado por Woody Allen, mas o seu último filme preferido é “Happy-Go-Lucky, por umas razões especiais” – quais serão? “Joe Kid on a Stingray”, filme mítico sobre a evolução do BMX, é o eleito de Daniel Serra. Já no que toca ao áudio Hugo Almeida confessa andar com os nacionais Riding Pânico a tocar no leitor do carro e Daniel Américo afirma: “o que eu tenho ouvido mais, acho que é Mogwai”. O nosso campeão nacional responde AC/DC – “adoro!” – e David Lourenço que tanto ouve The Ting Tings – que apelida de “banda de gaja” – como Iron Maiden ou viaja até à Jamaica com Bob Marley.



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