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Bons Sons 2010

Bem perto de Tomar, a aldeia de Cem Soldos será, literalmente, o palco do Festival Bons Sons que decorre entre os dias 20 e 22 de Agosto.

A “aventura” começou em 2006 quando uma associação e uma aldeia se uniram para criar uma bienal de música e cultura. Cem Soldos, aldeia que fica muito próximo de Tomar, é um caso raro de uma povoação do interior de Portugal que consegue ter uma enorme vivacidade cultural ao longo de todo o ano. O voluntarismo das pessoas (habitantes da aldeia e organização) tornou possível realizar o evento. Quatro anos depois, grande parte dessas pessoas voltam a aventurar-se na realização da 3ª edição do Bons Sons.

Mais do que um Festival, o Bons Sons pretende ser uma verdadeira experiência. Viver a Aldeia. É esse o lema. Serão os próprios habitantes da aldeia os responsáveis pela restauração e muitos deles estarão a “tirar” imperiais atrás do balcão. A aldeia transforma-se mas mantém as suas tradições e está prometida a habitual missa das 10 da manhã no Domingo.

Pelos diversos palcos do Bons Sons vai ser possível ver e ouvir nomes como Dead Combo, Melech Mechaya, Lula Pena, B Fachada, Norberto Lobo, Dazkarieh, Terrakota, Diabo na Cruz, Danças Ocultas e Fausto, num dos poucos concertos que tem agendado para este ano. Para alem da música estão programadas diversas actividades paralelas como performances e exibição de curtas-metragens. O Artesanato da região também não será esquecido.

Tudo isto pelo valor simbólico de 10 euros para os três dias de Festival.

Trocámos algumas ideias com a organização do Bons Sons que nos explicou porque razão todos devem passar por Cem Soldos entre 20 e 22 de Agosto.

Como surgiu a ideia de criar um evento em Cem Soldos?

O Festival BONS SONS surge em 2006, inserido no programa cultural “Acontece Cem Soldos” desenhado para a comemoração do 25º aniversário do SCOCS. Nasce na sequência do papel desta associação ao nível cultural, que visa promover o bem-estar social, cultural, desportivo e recreativo de Cem Soldos, privilegiando o desenvolvimento mútuo da Associação e da Comunidade, nas vertentes social, cultural e económica. Devido à grande receptividade do público e ao potencial do BONS SONS como promotor dos objectivos do SCOCS, a direcção considerou pertinente torná-lo um projecto bienal. Desde então o Festival tem adquirido consistência, conseguindo apresentar um programa de elevada e reconhecida qualidade artística, a par de uma vivência peculiar da Aldeia de Cem Soldos.

Para quem não conhece como descrevem a aldeia?

Estamos no interior do país, bem perto da lindíssima cidade de Tomar, do distrito de Santarém. Cem Soldos é uma aldeia com certa de 1.000 habitantes onde, contrariando a tendência da região, o número de residentes tem vindo a aumentar e as salas dos jardins escola e da escola primária estão povoadas com as brincadeiras e sorrisos das crianças. Ainda assim, sentimos as evoluções globais da composição demográfica do país com o envelhecimento da população, explicado, em parte, pelo aumento da longevidade e pela partida dos nossos mais jovens para estudar ou trabalhar noutros contextos. A dinâmica local é ritmada por hábitos tão comuns como a saída dos alunos da escola, a ida à missa ou o regular café de fim-de-semana, como pelas festividades mais específicas deste local. A esse nível, a festa de Verão, a festa da Aleluia na Páscoa ou a poderosa fogueira no Natal, têm um papel muito importante para manter esse compasso, esse querer estar, essa ligação entre as pessoas. Por aqui, a mudança e transformação dos estilos de vida tem sido associada ao aumento das habilitações da população mais jovem, que tende agora a apostar na progressão dos seus estudos. Se por um lado este aspecto estimulou a construção de uma comunidade mais rica e desenvolvida, tem vindo a ser um factor importante para a deslocação desta população para os centros urbanos. Ainda assim, a ligação afectiva é forte e por sido têm sido criadas diferentes formas de presença e participação na aldeia. O festival BONS SONS é uma destas novas vivências, um novo palco onde os habitantes podem envolver, expressar e ser Cem Soldos.

De que forma o Bons Sons se distingue dos outros festivais em Portugal?

O BONS SONS é um festival bienal de música, realizado no terceiro fim-de-semana de Agosto, na aldeia de Cem Soldos, concelho de Tomar. A forma como BONS SONS surge marca desde logo a sua diferença. Nasce da capacidade de um aldeia, de uma associação, de se organizar e construir um evento singular. Tem um forte componente comunitária e de trabalho em conjunto, em que todos podem participar à sua maneira. Cem Soldos faz parte do evento que organiza e disponibiliza aos seus visitantes. Esta vivência em comunidade também é transmitida pelo próprio enquadramento do festival: o centro da aldeia. Entre as ruas e largos de Cem Soldos os visitantes terão a oportunidade de vivenciar os ritmos e os quotidianos nos residentes. Outro aspecto diferenciador prende-se com a selecção dos grupos musicais. BONS SONS celebra a música portuguesa, reunindo registos e interpretações variados. Pretende ser uma plataforma de divulgação de música portuguesa, conciliando a descoberta de projectos emergentes e o reencontro com músicos consagrados.

Como decorreram as edições passadas?

Foram uma verdadeira aventura e um percurso colectivo que nos trouxe até aqui. Foram momentos importantes para a comunidade de Cem Soldos que vê o seu trabalho e empenho consolidados num projecto que chega a ter projecção nacional.

A nível de apoios é complicado organizar um evento deste tipo numa aldeia portuguesa?

BONSONS’10 tem vindo crescer ao longo das suas edições, mas é um desafio constante. O evento vai contra uma visão cristalizada que o país tem do interior de Portugal, que dificulta o desenvolvimento de projectos que não partilham dessa visão estática e ruralizada. Este é a principal resistência que sentimos na procura de apoios para o festival. As aldeias cresceram, modificaram o seu quotidiano e têm uma especificidade própria que não é justamente apreendida pelos retratos pitorescos criados no imaginário urbano, em que o festival como o BONS SONS’10 não faz sentido.

Qual foi o critério para as escolhas musicais da edição deste ano?

Como já foi referido, o festival ambiciona ser uma plataforma de divulgação de música portuguesa. Procura reunir no evento projectos e artistas mais desconhecidos com outros músicos consagrados. Estimula-se o encontro de diferentes linguagens numa celebração à música cantada em português. A música do BONS SONS vive de fusões, aculturações, descobertas, confluências e reuniões de vários géneros musicais como: jazz, folk, blues, tango, reggae, clássica, fusão, tradicional portuguesa, fado, cabaré, fanfarra, electro-acústica, experimental, entre outras.

Para além da musica o que pode o visitante do Bons Sons esperar da experiência em Cem Soldos?

Existem muitas actividades paralelas aos eventos musicais. Uma muito presente é a feira de marroquinarias e artesanato que se espalha pelas ruas do centro de Cem Soldos, mostrando artigos de vários artesãos e coleccionadores nacionais. A aldeia será coloria não só com objectos tradicionais mas com diversos trabalhos de “Novo Artesanato”, todos os dias do festival. Um outro espaço alternativo aos palcos ao ar livre é o Auditório, onde serão projectadas curtas-metragens do projecto “Curtas em Flagrante”, onde será apresentado o espectáculo performativo Madmud de Tânia Carvalho e onde serão organizados os concertos para crianças pelos Canto Firme. O recinto ainda integra o “Armazém”- Centro de Exposições de Cem Soldos que acolhe duas exposições: “Uma Terra Sem Gente”, de Nuno Coelho e “Obsessão” de Vasco Mourão, que permanecerão até ao fim do mês. São muitos os motivos para vir a Cem Soldos.

Quais as expectativas/objectivos da organização para a edição deste ano?

Este ano esperamos a afirmação do festival com cerca de 40.000 visitantes. BONS SONS surge de um esforço continuado de muitas pessoas. Esperamos que todo o empenho e trabalho desenvolvido ao longo do tempo seja legitimado neste seu formato especial e enquanto parte de um modelo de desenvolvimento local. BONS SONS’10 pretende ser a âncora para novos projectos culturais mais a ambiciosos, numa lógica de continuidade e de desenvolvimento sustentável. Queremos que os nossos visitantes sintam a aldeia, que se divirtam, que façam parte da comunidade BONS SONS e que, claro, voltem na próxima edição.

O trabalho no Festival é voluntário? Como conseguem balançar a vida profissional com o trabalho de organização de um evento deste tipo?

É um equilíbrio difícil e traz alguns constrangimentos importantes à organização, mas decorre do funcionamento normal da associação SCOCS. Claro que este é projecto mais ambicioso e implica o empenho de uma equipa vasta ao longo de todo o ano. A crescente escolarização dos residentes de Cem Soldos, especialmente nas camadas mais jovens, permitiu esta aposta mais inovadora que é o festival. BONS SONS’10 permite uma participação activa de muitos desses jovens e este acaba por ser um efeito muito interessante para Cem Soldos.

Em uma frase façam um convite ao público para ir até Cem Soldos.

Venha Viver a Aldeia!



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