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Bruno Pernadas | “How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge?”

Alegria e aprendizagem sonora em campo aberto para a excelência

Há um ditado popular que diz que “a curiosidade matou o gato” e, de facto, Bruno Pernadas acertou em cheio na definição de curiosidade. O jovem lisboeta, que se assume como músico freelance e que desde cedo soube o que iria ser quando crescesse, quis que finalmente todo o trabalho gravado e produzido entre 2012 e 2013 visse a luz do dia e pudesse alegrar os nossos ouvidos.

No mercado musical desde o dia 31 de Março, “How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge?” foi editado pela Pataca Discos que desta forma soma e segue neste primeiro trimestre no que diz respeito a lançamentos discográficos.

Bruno Pernadas consegue assim, com a ajuda de vários amigos – João Correia (Julie & The Carjackers e Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & The Brook Trout, They’re Heading West) ou Margarida Campelo (Julie & The Carjackers e Real Combo Lisbonense) – construir uma obra-prima ajustável a qualquer estado emocional.

«Ahhhhh», tema de abertura e single deste álbum, tem muito que se lhe diga: uma montanha russa de acordes onde se sente o improviso do jazz e que inclui um coro feminino (Margarida Campelo e Francisca Cortesão) em polifonia e em ecos acertados e coordenados como se fossem ninfas. Uma das canções mais completas e que pode sintetizar a essência do disco.

Em «Indian Interlude» há uma flauta que pode muito bem encantar corações (e não serpentes amestradas) e, em coordenação com as irresistíveis vozes femininas, encaminha a viagem para «Huzoor» onde os sons do oriente, o amarelo caril da capa e a variação concisa em loop dos mesmos acordes fazem-nos divagar. «Première» conta com a voz doce de Afonso Cabral e também nos transporta para um ambiente cinematográfico, mas desta feita para um western amoroso e ternurento onde a paisagem seria sempre a mesma e o tempo passaria devagar. São as «Guitarras» que jogam forte neste álbum e «Pink ponies don’t fly on jupiter» acaba por ser a versão musical que mais se aproxima da formação artística do próprio Bruno Pernadas – o jazz mistura-se com a electrónica e a um número infinito de tipologias musicais. «How would it be 1» e a parte 2 complementam-se em ponto de rebuçado, em modo efusivo, para terminar em «L.A» e assim aterrarmos o pensamento e compreendermos todo o encadeamento das nove canções que compõem “How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge?”. No final de cada canção escuta-se um elemento sonoro específico e é esse mesmo elemento que desencadeia um novo ritmo e assim se transita para uma nova canção e uma nova criação.

Vão achar, talvez, pretensioso concordar com o facto de não estar preparada para tal arrojo conceptual, mas é mesmo verdade. Ao olhar para a capa, ao pegar no folheto interno que acompanha este trabalho, nada fazia adivinhar que, numa primeira audição, estas canções ficassem a rodar em repetição na aparelhagem.

Peguem nos headphones e prestem atenção a “How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge?”. No próximo dia 16 de Abril Bruno Pernadas faz-se escoltar pelos seus companheiros desta jornada para uma interpretação única deste trabalho no Teatro Maria Matos. O preço dos bilhetes variam entre os 6€ e os 12€.

Fotografia por Vera Marmelo



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