Bypass

Dez anos depois, o primeiro disco de originais.

Com dez anos de carreira e centenas de concertos no curriculum, a banda de Massamá acaba de lançar o seu primeiro álbum de originais depois de ter editado através da Metrodiscos um EP em 2002. “Mighty Sounds Pristine” tem o selo de qualidade da Bor Land e chega às lojas no início do mês de Maio. Mais um disco altamente recomendável de uma das bandas mais coesas do panorama nacional.

Através dos avanços tecnológicos dos últimos anos e da proliferação das net labels, tem havido um grande boom nas edições discográficas. Ao contrário do que acontecia há uma década atrás, neste início de século XXI qualquer projecto de “garagem” consegue produzir os seus temas e colocá-los à disposição do ouvinte através de uma qualquer net label ou até mesmo de comunidades como o MySpace.

Esta democratização da música trouxe obviamente enormes benefícios para a música nacional e para a própria motivação de quem trabalha no meio que encontra assim um caminho “fácil” para ter o seu trabalho divulgado. Como tudo na vida, existem também aspectos negativos nesta “liberdade” tecnológica. É necessário separar o trigo do joio. A quantidade não significa qualidade. Cabe ao “consumidor” fazer as suas escolhas e ter uma opinião crítica sobre tudo aquilo que ouve.

Os Bypass são o exemplo do “não imediato”. São como o vinho do Porto. Foram necessários dez anos para “Mighty Sounds Pristine” ver a luz do dia. Mesmo tendo sido uma espera “forçada”, todos estes anos têm dado à banda de Massamá uma consistência técnica e experiência ao vivo bastante importante, que se revela nas faixas que englobam este primeiro disco de originais.

“Mighty Sounds Pristine” reflecte a presença, densidade e força que os Bypass transmitem nos seus concertos e ainda consegue adicionar uma outra vertente mais melancólica e quase pop. Ao rock intenso, experimental, essencialmente instrumental, dos temas já bastante rodados ao vivo («Tormlog», «Sweet» ou «Slow Fock»), junta-se uma veia mais bucólica, representada por temas como «Fire Led Her to the Morning», chegando mesmo a pisar o “perigoso” risco da brit pop em «Eurostar Trilogy:EU Star, Tunnel, Ashford», uma viagem musical pelo Canal da Mancha e que acaba em solo inglês na estação de Ashford. 

Formados por Bruno Coelho, Eduardo Raon, Miguel Menezes, Rui Dias, Tiago Gomes e Joaquim de Brito, os Bypass estão de parabéns. “Mighty Sounds Pristine” é um excelente documento de originalidade e experimentação, comprovando que existe sempre um enorme leque de instrumentos e possibilidades artísticas a explorar. Os Bypass souberam-no fazer durante a última década. Valeu a pena esperar.



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