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Já me vou deitar!

Horas e horas online com Call Of Duty: Modern Warfare 2

Em Portugal há uma característica de mercado que não se sente muito porque os jogos para consolas são colocados ao mesmo preço e o mercado de segunda mão é uma merda. Mas lá fora, onde quem vende vê as coisas como um mercado vivo e não na óptica de não-mercado, é fácil constatar o sucesso cego da série Call Of Duty só pelo preço a que os últimos jogos são vendidos.

Peguemos nas versões Playstation 3, que são aquelas que estão mais à mão. O primeiro Modern Warfare tem mais de dois anos. Ainda é vendido com o preço de um jogo novo de PS3, coisa rara hoje em dia, onde os jogos baixam muito de preço poucos meses depois do lançamento, como estratégia para se aguentarem face a novas a tentadoras propostas. Em segunda mão, dificilmente se arranja a menos de metade do preço. World At War, que saiu um ano depois, não sendo tão popular, só recentemente baixou o preço, mas mesmo assim está um pouco mais caro que a média de jogos com mais de um ano.

Modern Warfare 2, a tão esperada sequela, chegou às lojas com mais 10 libras (no Reino Unido) do que o habitual para um videojogo. Saiu ainda uma edição especial que custava mais umas 30 libras e uma especialíssima cujo preço rondava as 150 libras. Algumas produtoras adiaram a saída dos seus jogos para semanas/meses mais tardes por causa do novo jogo da saga, suspeitando que seriam completamente esmagados. A Infinity Ward, esperando um sucesso sem comparação, aproveitou-se da situação. Adoptou a medida como desculpa para o orçamento da publicidade. Obviamente que ninguém engoliu essa. Toda a gente sabia que ia ser um sucesso descomunal. E foi, bateu os recordes de vendas do primeiro dia e assim continuou a bater recordes de semanas, meses, etc.

O porquê não é difícil de explicar. A série é das mais populares da década passada e Modern Warfare introduziu novas regras no modo online que mudaram para sempre a forma de jogar em rede. O segundo capítulo traz melhoramentos, novas armas, mapas, etc., e horas infinitas de diversão. O sistema é simples, estamos sempre a ser recompensados em Modern Warfare 2. Mesmo quando chegamos ao escalão limite (70), é-nos dada a possibilidade de recomeçarmos do zero com uma estrelinha no nosso perfil a indicar que já se deu uma volta. É possível fazer isto dez vezes e acreditem que demora imenso tempo. Tempo que ninguém com uma vida tem.

E porquê voltar atrás? Basicamente, porque Modern Warfare 2 tem um sistema em que apesar de sermos recompensados por jogar, não existem grandes discrepâncias entre quem está nos níveis inferiores e os que estão nos superiores. É possível bombar nos primeiros níveis, é preciso é ser-se muito bom e encontrar configurações (armas, equipamento, etc.) que nos sirvam. O motivo? Ser-se cada vez melhor e ganhar street cred com isso.

É uma gratificação estúpida. Verdade. Mas é qualquer coisa para adicionar ao prazer estúpido de mandar uns tiros nuns quantos gajos. Pessoalmente, fico tão cego com a ideia que raramente jogo outro modo que não o Free-for-all. Estou-me a cagar para jogos em equipas, quero mesmo é despachar uns quantos tipos, sem grandes complicações.

A Infinity Ward tem tanta a certeza deste vício online que desta vez nem se preocupou muito com o modo história. Curto, cheio de buracos no argumento, serve apenas para justificar termos comprado o jogo e não partirmos logo para o online.

A razão principal porque peguei neste jogo para escrever prende-se pelas pequenas coisas que se vão apanhando quando se joga online. Em particular, pela malta que joga com um microfone ligado e mantém conversas enquanto joga. Isto torna-se muito assustador quando apanhamos tipos do médio oriente (não dá para escapar ao estereotipo, ainda por cima num jogos destes) ou um gozo tremendo quando são espanhóis irritantes que dão vontade de atropelar.

Há muitas mulheres a jogar. E há sobretudo uma quantidade absurda de pais e mães que jogam com bebés ao lado, que choram infinitamente sem receberem nenhuma atenção. Não se sabe se é pelo jogo ou se realmente estão a precisar de alguma coisa. É um facto que na maior parte das vezes ninguém se levanta para os ajudar. Melhor parental guidance de sempre.

E, claro, há os tipos que berram para distrair. Os filhos da puta que combinam tácticas e jogam um free-for-all como se fosse um jogo em equipa. Mas pronto, um gajo vai vivendo como pode. Ou faz simplesmente mute nos gajos mais chatos e sem piada.



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