Cansei de Ser Sexy

Entrevista com um dos mais curiosos fenómenos musicais da actualidade. O difícil vai mesmo ser cansarmo-nos deles.

Têm contrato discográfico nos EUA com a mítica Sub Pop. São brasileiros mas, ao que consta, são relativamente mal-amados no seu país Natal. São descomprometidos, livres, sabem as suas limitações, jogam os seus trunfos, têm tido sucesso. «Let’s Make Love and Listen to Death From Above» é um dos singles do ano em matérias mais dançáveis.

Adriano Cintra, baterista, compositor e único elemento masculino dos Cansei de Ser Sexy (CSS), desvendou o passado mais recente da banda, reflectiu sobre o presente e projectou até certo ponto o futuro mais imediato da banda.

Como é que uma banda que há alguns anos não sabia tocar qualquer instrumento se vê agora a dar digressões pelos Estados Unidos e uma imensidão de outros locais? Sentes que foi algo rápido?

Na verdade, tenho a sensação de que morremos todos e estamos no Paraíso (risos). Numa qualquer paragem de autocarro ou assim. É estranho, muito estranho. Quando eu vivia em Nova Iorque ia a diversos clubes ver concertos e recentemente tocámos com os Ladytron num desses sítios onde eu ia. É uma sensação incrível. Bom de mais, percebes?

Falaste nos Ladytron: como tem corrido a digressão actual com eles?

Tem sido incrível. Eles são hiper-simpáticos e queridos, tem sido um prazer tocar com eles. E é interessante porque os fãs deles no final vêm falar connosco, perguntam de onde somos, como chegámos ali, compram discos e merchandising e tudo isso. Tem sido uma experiência incrivelmente positiva para nós enquanto banda.

Testando algumas eventuais técnicas publicitárias que tenhas: porque razão devem as pessoas ouvir os CSS?

(risos) Acima de tudo, porque somos genuínos. Isto é a verdade. Os nossos concertos têm erros, imperfeições, tecnicamente falhamos algumas vezes, mas a verdade é que são espectáculos divertidos. Não temos pretensões maiores do que gravar os nossos temas e dar concertos divertidos e que ponham as pessoas a dançar. Creio que a nossa autenticidade é mesmo a nossa maior imagem de marca.

O MySpace foi uma arma fortíssima na vossa promoção, não achas?

Não só o MySpace mas toda a Internet, sem dúvida. No MySpace há é histórias curiosas. Por exemplo, umas semanas antes de irmos actuar à Holanda demos uma série de entrevistas, e a partir do momento em que essas entrevistas foram publicadas recebemos imensos friend requests de pessoal holandês. É sinal que é uma arma promocional realmente poderosa e intensa.

Vocês têm um cuidado fortíssimo com a componente visual, entre outras coisas. Acreditas que a música é, hoje em dia, muito mais que o simples acto de gravar canções e reproduzi-las ao vivo?
Não tenho a menor dúvida, e isso faz parte de todo o conceito por detrás de uma banda. Connosco, isso reforça-se ainda mais porque estamos ligados a outras artes como o design, fotografia e outras coisas.

Como está o Brasil actualmente? Em tempo de novas eleições, persiste ainda a imagem de um país violento, pelo menos por cá. Que balanço fazes da liderança de Lula?

Fazer digressões pelo estrangeiro deu-me a possibilidade, entre outras coisas, de poder observar o Brasil por fora, com um olhar diferente. Há imensas coisas que as pessoas não sabem nem fazem sequer ideia. Eu votei no Lula nas anteriores eleições mas ele acabou engolido por toda a máquina política existente no Brasil. Todos pensámos que as coisas iam mudar mas ficou tudo na mesma. Sinceramente, até me sinto feliz por não estar no Brasil na altura destas novas eleições, ia ter de anular o meu voto.

E em termos musicais? Em Portugal persistem imenso as duplas românticas brasileiras, por exemplo…

É compreensível. Em primeiro lugar porque cantam em português e acho que dessa forma o público está mais aberto a receber as suas canções. Por outro lado, sinto que as bandas alternativas brasileiras que cantam em inglês são, regra geral, imitações de segundo grau de coisas como Rage Against The Machine ou Weezer. E tens de ter em conta que os Weezer, por exemplo, já não são bons há bastante tempo (risos). Tem um pouco a ver com falta de personalidade. É natural que alguém em Portugal prefira ouvir as bandas originais do que clones mais fracos vindos do Brasil.

Falando em Portugal e em jeito de remate: teremos a chance de vos ver actuar por cá em breve?

Eu adoraria. Nunca estive em Portugal e estou curiosíssimo. Em São Paulo costumamos jantar todas as semanas num restaurante português, e a comida e o vinho são duas coisas que me fazem ter imensa vontade de descobrir em Portugal (risos). Infelizmente ainda não se deu a oportunidade.



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