Capicua

Capicua @ ZdB | 17 de Março

Isto não é uma festa hip hop

É como diz Capicua em «Primeiro Dia», a primeira canção de “Capicua”, o disco: “Estou quase nos 30 e para gastar tinta é bom que se justifique!”. Capicua já cá anda há muito tempo. Até Fevereiro deste ano era o segredo mais bem guardado do hip hop nacional. Agora, em 2012, chega com o aparato todo e de costas bem quentes. Logo na primeira amostra, uma incrível «Maria Capaz», Sam the Kid sampla «Am I a Good Man» de Them Two Courtesy, a mesma que Ghostface Killah já tinha samplado para «Purified Thoughts», do seu último “Apollo Kids”, de 2010. Mais sangue azul do hip hop nacional em “Capicua”: DJ Nelassassin, Ruas e XEG.

Pela segunda vez na Galeria Zé dos Bois (ZdB), Capicua depara-se com um público diferente do habitual, se pensarmos neste concerto como uma festa de hip hop – não vislumbramos braços no ar nem calças largas, nem bonés na cabeça. Este é mesmo o público habitual da sala, se exceptuarmos meia-dúzia de gatos pingados que correspondem de facto ao estereótipo do género. Capicua segue, mais coisa menos coisa, o alinhamento do disco. Apresenta-se com mais uma MC e um DJ. Apresenta o espectáculo referindo que este é um “momento intimista do disco, sem multimédia, sem bailarinas: só nós”. Não esperávamos outra coisa. É nessa aparente simplicidade de processos que o hip hop nos apresenta (quando não é Kanye West a fazê-lo) que esperamos ser surpreendidos. Capicua é uma personagem simpática e honesta, sabe mexer nas palavras e não deve nada aos melhores – a distinção entre homem e mulher nem sequer faz sentido. É verdade que Capicua tenta vingar num mundo de homens, mas a verdade é que, à excepção de Dama Bete, não nos lembramos de ninguém que o tenha tentado por cá. Entre as canções, para além das já referidas «Primeiro Dia» e «Maria Capaz», destaque para «Heróis», potencial novo hino da Geração à Rasca, tema mais próximo do cada vez mais omnipresente «Sexta-feira», de Boss AC e menos do maravilhoso «Já não dá», de Chullage.

Como já referimos, esta foi a segunda vez de Capicua na ZdB – A primeira, disse a própria, ficou marcada pela participação de Deau, o vídeo que a documenta será hoje o mais visto de sempre da ZdB, no Youtube. Fomos verificar, confirma-se. Vimos na ZdB uma nova participação de Deau e não ficamos admirados – para além de bom rapper, é mestre no freestyle. Para a semana apresenta o seu disco no Musicbox. Estamos atentos.

Depois da curta amostra de Deau, Capicua regressa para apresentar a segunda metade do disco e oferecer a «cuequinha da Capicua»: «Tenho uma missão que é coroar todas as meninas deste país”. A festa termina com Capicua a picar o público: “Ponham as mãos no ar como se estivéssemos numa festa de hip hop”. Só uma parte da plateia acede. Isto não é uma festa de hip hop.



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