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Capitão Fausto @ Centro Cultural Vila Flor (26.01.2013)

Navalhada de ajuste de contas com a cidade que teve a oportunidade de lhes colocar os pontos nos is no júbilo

Jimi Hendrix, Arctic Monkeys, Carlos Santana, Pink Floyd e Tame Impala no mesmo concerto? Seria pura magia, mas nem por isso tão pouco insólito como ver um acidente de porcos na A1.

É verdade que a ocasião faz o ladrão e neste caso os Capitão Fausto, de Lisboa – como gostam de ser conhecidos -, fizeram jus à literacia do acaudilhar do seu nome quando Salvador Seabra sacou da manta e da bateria e deu música aos transeuntes que se estavam a deixar ir com os porcos.

Capitão Fausto

Com o sound-check feito no asfalto – disseminado nas redes sociais – fica a dúvida se seria essa originalidade que chamaria a atenção dos indecisos e que levaria à lotação da sala. Mas como diria a amiga Teresa Guilherme, isso agora não interessa nada. Interessa sim, que são poucos os artistas que se dão ao luxo de alegrar um evento suíno que deitou por terra as intenções de muitos professores que se dirigiam para a capital reivindicando a defesa da sua profissão, da escola pública e da qualidade de ensino. Eles divertem-se e isso contagia.

Há precisamente um ano, estes mesmos rapazes visitavam a cidade-berço e, cercados pelo anonimato, lançavam a febre da “Teresa”. No Mi Casa Es Tu Casa a RDB teve a oportunidade de falar com eles e a influência da época do download era já apontada pelo Tomás como um dos principais factores catalisadores das influências que optaram por seguir (se não acreditam em mim, vejam aqui).

No Café Concerto do Vila Flor a «Febre» foi a primeira navalhada de um ajuste de contas com uma cidade que teve a oportunidade de colocar os pontos nos is no júbilo aos rapazes do delírio da explosão sem cor. Costuma deixar-se a «Sobremesa» para o final, mas a gulosice do Tomás não esconde a saliência oval da abdome da sua barriga (desculpa, não é por mal, mas vocês são todos bastante avantajados). A faixa oito do álbum “Gazela” veio logo em segundo lugar e deu o mote para a «Música Fria» e «Raposa», que foram os temas que colocaram o maior número de pessoas no mood pretendido.

Capitão Fausto

Com a promessa de novo disco e tributo ao Zé Cid pelo meio, a limitação da curta existência enquanto banda acabou por ditar o fim dum concerto agradável e esclarecedor quanto à qualidade dos Capitão Fausto. Vieram refrescar o panorama musical pop-rock português e as presenças em festivais como SBSR e Paredes de Coura são exemplos claros disso. Deixaram antever um upsizing no seu lifestyle e uma sonorização mais progressiva que deixa já numa azáfama as glândulas salivares de muito boa gente.

Fotografia por Bruno Carreira



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