#AGC CAP. FAUSTO 016

Capitão Fausto e Orquestra das Beiras @ Campo Pequeno (07.03.2020)

Fazemos uma vénia à Orquestra Filarmonia das Beiras. E aos Capitão Fausto também.

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Pelas 21h50 a plateia do Campo Pequeno está praticamente completa. As bancadas têm algumas franjas por preencher e assim vão permanecer. Por esta altura os elementos da orquestra tomam os seus lugares, e o som da orquestra a afinar os instrumentos torna-se o som ambiente, juntamente com o ruído de centenas conversa cruzadas. 

Nos momentos que antecedem o início do espectáculo somos informados que este vai ser filmado. Logo de seguida o maestro toma o seu lugar e toda a orquestra se levanta para o receber. Seguem-se Tomás Wallenstein, Domingos Coimbra, Manuel Palha, Salvador Seabra e Francisco Ferreira, recebidos, naturalmente, em apoteose.

«Lentamente» é a primeira canção e desde logo uma coisa se torna evidente. É que estas canções podiam dar corpo à banda sonora de um filme, tal não é a sua projecção cinematográfica. «Lentamente» é a escolha perfeita para abrir o concerto, com confiança, persistência e crença em si próprios. “Não está nas nossas mãos / Se o tempo nos vai manter juntos / Ao menos vou perder o medo / De não conseguir, p’ra poder tentar”. E os arranjos senhores? Que riqueza! Segue-se «Faço as Vontades» e é importante dizer que os Capitão Fausto deviam ponderar seriamente ter uma secção de metais a acompanhá-los mais vezes.

Em «Corazón», com pontas soltas ou sem, ou com ou sem orquestra a acompanhar, conseguem arrancar-nos sempre aquelas palmas. É irresistível. Entre os elementos da Orquestra Filarmonia das Beiras, as folhas das partituras são voltadas com um sincronismo assinalável. “Sempre Bem” leva-nos a pensar que quem tem uma orquestra tem tudo. A essência da canção está lá, mas a canção surge com um maior requinte e isso volta a sentir-se em «Semana a Semana», canção de intervenção dos Capitão Fausto. “Se eu tenho o fisco à porta devo ser ladrão”.

«Os Dias Contados» tem um início digno de Ennio Morricone e «Maneiras Más» surge perante nós rica, com uma banda sem medo de arriscar e de sair da sua zona de conforto. A capacidade dos Capitão Fausto de criar belas canções, daquelas que nos caem facilmente no goto é incrível. «Certeza», com o clarinete a substituir os teclados que lhe conferem um toque muito próprio e «Córtex» abrem caminho a «Amor a Nossa Vida». Uma canção magnífica que se eleva ainda mais pelos arranjos oferecidos pela orquestra. N’«Outro Lado» Tomás continua nas teclas. As canções são cantadas em coro, do início ao fim. Uma após a outra. Sem excepção. Nada de novo aqui, diga-se.

Caminha-se a passos largos para o encore, «Amanhã Tou Melhor», e como tomar as rédeas  das nossas vidas. «Morro na Praia», esse hino anti-procrastinação ou «Santa Ana», a trazer a veia mais adolescente da banda ao de cima, com uma soberba linha de baixo de Domingos Coimbra devidamente potenciada pela senhora orquestra ali presente. Há ainda tempo para, do alto da sua bateria, Salvador Seabra brilhar e, finalmente, «Boa Memória», com o Carnaval ainda fresco na memória de muitos, a marcar a saída do palco. Há aplausos. Muitos. Para a banda e para orquestra, que os merce todos. E mais alguns até.

No regresso ao palco há tempo para a Orquestra Filarmonia das Beiras descansar um pouco e os Capitão Fausto a dispararem três tiros bem certeiros. «Tem de Ser», «Célebre Batalha de Formariz» e a incontornável «Teresa». Depois há tempo para ler um longo “pergaminho” com todos os agradecimentos, porque agradecer é bonito e fica sempre bem. Tudo o que é bom acaba. «Alvalade Chama Por Mim» envolve o Campo Pequeno numa onda saudosista e «Final», porventura, uma das canções maiores de d’”A Invenção do Dia Claro»a fechar num tom grandioso. E apropriado. “Eu sempre disse a mesma coisa / Se eu não ficar contigo é tudo em vão”.

No sistema de som se escuta «Here Comes the Sun», dos Beatles. Fazemos uma vénia à Orquestra Filarmonia das Beiras. E aos Capitão Fausto também.

Texto por Miguel Barba e fotografia por Andreia Carvalho.



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