Capitão Fausto

Capitão Fausto

Entrevista com Domingos para percebermos a "essência" dos Capitão Fausto. É o Roque, Senhores, o Roque

Entre coordenadas estrelares e marés, há um Capitão líder em matéria musicais. Fausto é o nome desse capitão, mas que na verdade não é um só. São cinco – Domingos, Francisco, Manuel, Salvador e o Tomás – e dão tudo o que tem em nome da arte musical. Após uma “Gazela” banhada em opiniões de ouro, a crítica e o público nacional rendem-se a “Pesar o Sol”, esgotando a sala de concertos do Lux, tornando assim o dia inesquecível. Os Capitão Fausto pesarão o sol e através disso chegarão à cidade do Porto no próximo dia 22 de Fevereiro onde actuam no Hard Club. A RDB vestiu a pele de marinheiro e esteve à conversa com o Domingos para percebermos melhor a sua essência.

O vosso segundo disco “Pesar o Sol” foi lançado há semanas e depressa esgotaram a sala de concertos do Lux. Como têm sido para vocês estes dias? Muita adrenalina por ver que o vosso trabalho foi bem recebido?

Foi muito fixe ter esgotado tão rápido. Não estávamos à espera, de todo. E o concerto correu muito bem e também não estávamos à espera de ver tanta gente a cantar as músicas, não apenas as letras mas também os instrumentais. Viveu de muita energia e adrenalina da nossa parte e também do público, Quando há uma média de um crowdsurf por música é bom sinal. Para o Porto vai ser um concerto parecido, mas nunca igual.

Recuando uns meses atrás, vocês fizeram uma mini-tour pelo País. Fala-nos um pouco sobre essa ideia

A ideia foi relativamente simples. Queríamos voltar a tocar em clubes mais pequenos e próximos das pessoas, por zonas onde nunca tínhamos estado e não voltar para casa, daí terem sido dez concertos de seguida. Como correu muito bem, queremos e vamos repetir de certeza. Chegámos à conclusão de que ainda temos muito Portugal para conhecer. A receptividade foi óptima e fizemos amigos. Dormimos várias vezes no chão!

“Gazela”, o vosso álbum de estreia, foi bastante aclamado pelos meios de comunicação e igualmente pelo público. Ao trabalharem para este segundo disco, sentiram algum peso de responsabilidade?

Por acaso não, principalmente porque deixámos a pressão ou a responsabilidade para tudo o resto que não seja a música que fazemos. Essa tem de ser sempre descomprometida e deve viver essencialmente de tranquilidade. Estamos a fazer aquilo que gostamos e a única responsabilidade que sentimos é a de estar constantemente a trabalhar para fazer mais músicas. Mas nunca existiu o sentido de responsabilidade com a preocupação de “corresponder a expectativas”.

Li, numa entrevista ao jornal Sol, que vocês fecharam-se numa casa em Paredes de Coura e que só saíram de lá quando já tinham parte do trabalho adiantado. Tudo isto se passou em 2012. Entretanto, já se passou mais de um ano. Sentiram necessidade desse isolamento?

Só saímos de lá com os instrumentais gravados. E sim, o isolamento é uma óptima solução para fazer música. Não foi um isolamento total, porque foram muitos amigos connosco, mas foi parcial. Estar fora de Lisboa é mais tranquilo e não existem tantas preocupações mais clássicas, as nossas grandes preocupações eram apenas ensaiar e ir às compras. E escolher o 007 que se via à noite a seguir aos ensaios.

Depois de Paredes de Coura, partem para uma adega em Cantanhede. A que se deve a escolha de locais tão díspares para a composição e gravação do disco?

Na verdade são díspares apenas por estarem longe um do outro. Na sua essência respeitam a lógica de isolamento. A Adega é uma sala muito grande com uma acústica muito bonita e pareceu-nos o sítio ideal para gravar um disco. Uma vez mais sem pressas, fugindo ao tradicional horário de estúdio de entrar às 9h e sair às 19h00. O Nuno Roque, que já tinha gravado o “Gazela”, desmontou o estúdio e montou tudo na Adega. Foi um processo de gravação muito mais livre e tivemos mais tempo para fazer aquilo que queríamos.

Ao escutar “Pesar o Sol” deu-me a sensação de que se está em viagem e que tem uma linha de continuidade muito linear. Porquê este título?

“Pesar o Sol” era – e é, mas agora existe GPS – uma técnica de navegação para encontrar as coordenadas através do astrolábio em relação ao Sol utilizada pelos navegadores na era dos Descobrimentos. O título veio no fim, e está por isso ligado a essa ideia de viagem, de encontrar um caminho, de exploração, por aí.

«Célebre Batalha de Formariz» é o primeiro single. Que história está por detrás desta música?

Fomos expulsos de uma aldeia perto de Paredes de Coura por toda a gente, se justa ou injustamente não sabemos bem ainda. Mas no dia seguinte foi feita a canção. E pouco tempo depois foram feitas as pazes com os habitantes de Formariz.

Passam depois para «Maneiras más», segundo avanço deste disco. Fala-nos um pouco sobre a ideia desta canção

Acaba por ser uma canção que reflecte bem a essência do disco. Por um lado, a parte cantável e mais directa, por outro, a divagação e a viagem.

Senti que há uma portugalidade gigante inerente a este disco – quer pela escrita das canções, quer pelo título das mesmas. Contudo, a composição melódica tem influências de bandas estrangeiras, como os Tame Impala, entre outros. Estarei enganada?

Portugalidade existirá sempre porque somos Portugueses, e sim, também somos influenciados por bandas estrangeiras. Mais do que serem Portuguesas ou não, e por fazermos música pop e não erudita ou tradicional, importa-nos mais ir à procura de bandas de que gostamos sem estarmos preocupados com a sua origem.

Todavia, quais são as bandas nacionais, actualmente, que vos inspiram enquanto grupo?

Feromona, Pontos Negros, Paus, Glockenwise, e muitas outras.

Preparam-se para percorrer novamente o País e levar a vossa música além-fronteiras?

Se tudo correr bem, sim!

“Pesar o Sol” é um disco de audição leve, sem erudição nas letras – estas são simples e objetivas. Uma universalidade para escutar, com atenção, neste início de 2014 que nos oferece coisas maravilhosas. Arrisco a dizer que Portugal vive, actualmente, a melhor fase de criatividade. E eles “estão claramente lá”.



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