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Carmageddon: Max Damage | Análise

Brutalmente nostálgico!

Um dos videojogos que mais joguei durante a minha adolescência (e sim ainda sou e conto continuar a ser mentalmente equilibrado) foi Carmageddon. Introduziu-se em 1997, pela mão da audaz Stainless Games, como um dos primeiros jogos de condução em mundo aberto, no qual podíamos fazer, literalmente, tudo ao nosso alcance para conseguir alcançar o objectivo final – leia-se, a vitória na corrida. Derrotar os nossos adversários através de combate entre veículos até estes terminarem numa poça de óleo no asfalto, eliminar todos os peões ou, o que normalmente ninguém fazia, passar por todos os checkpoints e vencer de forma convencional uma corrida. Enquanto que para o comum dos gamers da actualidade, todas estas e outras coisas já são possíveis num qualquer GTA ou qualquer outro jogo open-world desta e das anteriores gerações, é importante lembrar que, em 1997, quando Carmageddon foi lançado, ainda Grand Theft Auto “apenas” era um jogo a duas dimensões.

Os violentos embates entre os carros e a forma como os indefesos peões eram um alvo constante a abater, sem qualquer hipótese de retorquir, eram o grande chamariz de Carmageddon. Na altura, um jogo deste calibre só podia ser polémico, sendo proibido em alguns países e noutros chegando até a conhecer várias versões alternativas – com robôs em vez de seres humanos e outra até com zombies. Desde aí, o jogo conheceu duas sequelas não muito bem sucedidas, com Carmageddon II: Carpocalypse Now (1998) e Carmageddon TDR 2000 (2000), e uma campanha bem sucedida no Kickstarter com Carmageddon: Reincarnation em 2015. Carmageddon: Max Damage acaba por ser uma adaptação 2.0 de Reincarnation para as consolas, que os utilizadores do PC que já possuam o jogo de 2015 receberão à borla na sua biblioteca Steam.

Com este novo lançamento, a Stainless Games volta a testar a sensibilidade do mercado dos videojogos naquela que é, mais do que provavelmente, a entrada mais violenta de toda a série de jogos Carmageddon. Novas vozes se levantarão para censurar Carmageddon: Max Damage e a sua produtora, mas estejam descansados, não é esse o nosso caso. Estamos aqui para analisar este jogo que é, acima de tudo, um enorme regresso ao passado e uma ode àquilo que foi alcançado em 1997 enquanto progresso no mundo dos videojogos com Carmageddon.

Para começar, os jogadores são introduzidos no modo carreira, com dois carros à escolha – o de Max Damage e o de Die Anna – para um tutorial que rapidamente se conclui. A partir daí, as missões da carreira são feitas, na sua maioria, por objectivos semelhantes aos do jogo original: atropelar um determinado número de peões específicos, fazer um determinado número de voltas no circuito ou, ao invés, derrotar os nossos adversários e roubar-lhes aquilo que já haviam alcançado até os vencermos. A fórmula Carmageddon atinge o seu auge,  no entanto, durante os eventos Classic Carma em que a liberdade é total naquilo que podemos fazer e explorar. Ainda assim, é importante ressalvar que o jogador é sempre livre de sair do percurso definido pelo objectivo em qualquer um dos modos de carreira. Claro que quando o objectivo definido é sermos os primeiros a completar um determinado número de voltas no circuito, é muito provável que não sejamos bem sucedidos na missão se andarmos a perseguir desenfreadamente todos os nossos adversários.

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À medida que vamos avançando na carreira, tentar roubar novos carros e desenvolver as suas capacidades é essencial para manter tudo a par com o nível de competição que vai sendo exigido. Muitos veículos regressam do clássico de 1997 como, por exemplo alguns dos meus preferidos: o Annihilator de Vlad, o Hevy Impaler de Ed Hunter, ou os famosos Red Eagle e Yellow Hawk, de Max Damage e Die Anna respectivamente. Roubar um carro, por vezes, não é assim tão simples como possa parecer à primeira vista. Alguns veículos são bem mais resistentes que outros e estarão prontos para dificultar a nossa tarefa, obrigando-nos a colocar em causa, na maior parte das vezes, a vitória na corrida para os conseguirmos arrumar na nossa garagem.

O clássico de 1997 fez-me aprender a gostar de Fear Factory, a banda de metal industrial de Los Angeles que ofereceu três brutais músicas instrumentais para a sua banda sonora original. Mesmo o resto das faixas que não pertenciam à autoria desta banda no original Carmageddon funcionavam extremamente bem com o jogo e este acabava por ser também um dos pontos fortes do jogo. Algo que, infelizmente não acontece no lançamento deste ano nas consolas, com a banda sonora a roçar o medíocre e a obrigar-me por várias vezes a desligá-la totalmente e a ligar o Spotify. Também a nível visual Carmageddon: Max Damage não impressiona, com gráficos que parecem, de alguma forma, datados.

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Não obstante estes dois pontos menos positivos, a verdade é que Carmageddon: Max Damage é tão ou mais divertido que o clássico original. Algo que os lançamentos anteriores tinham falhado brutalmente para alcançar. A liberdade de movimentos com o carro está lá, o mesmo se pode dizer da destruição e o caos e explorar os cenários continua a ser tão divertido como acontecia com Carmageddon em 1997. Este lançamento nas consolas tem tanto de nostálgico que chega a ser ainda mais “brutal” do que a violência que o caracteriza enquanto videojogo. Carmageddon: Max Damage acaba por ser, da parte da Stainless Games, uma actualização muito ténue da fórmula do clássico Carmageddon, com um novo aspecto para 2016.

O nível de lealdade ao material original que a empresa de Newport aqui apresenta é de louvar e o grau de divertimento que oferece ao jogador, em toda a sua crueldade, continua lá. Carmageddon Max Damage é um jogo ideal para os fãs da série na sua fórmula base mas que também se faz acompanhar de argumentos capazes de cativar os outros jogadores. Pode não possuir os mesmos elementos atractivos que Carmageddon tinha quando saiu nos finais da década de 90 mas, ainda assim, o grau de destruição que é possível alcançar numa só corrida é mais do que suficiente para purgar todo o stress acumulado de um longo dia de trabalho. Por isso, deixem a carnificina começar!



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