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“Casa de Espiões” de Daniel Silva

Tempestade no deserto

Em algumas entrevistas do escritor norte-americano Daniel Silva aquando da promoção de Casa de Espiões (Harper Collins, 2018), o décimo sétimo tomo das aventuras do espião israelita Gabriel Allon, confirmava-se que o canal MGM havia garantido os direitos de adaptar a obra à televisão, com o casal Silva a assumir as cadeiras de produtores executivos.

Eram muitos os fãs que aguardavam por esta notícia, mas enquanto as aventuras não passam dos livros para o pequeno ecrã, resta-nos concentrar na obra escrita e o recente Casa de Espiões é um livro em todo similar aos restantes, isto é, um thriller poderoso, com um enredo atual e um elenco com muitos dos personagens que nos acompanham desde o ano 2000, data de edição de O Artista da Morte, o primeiro volume da série.

Ainda com a memória latejante face ao impacto dos atos terroristas de Saladino em A Viúva Negra, Gabriel, agora líder máximo do Departamento, só tem um objetivo: capturar o cabecilha do ISIS. Isso leva-o a abandonar a secretária na Avenida Rei Saul, arregaçar mangas e elaborar o plano perfeito, um esquema que à menor falha pode deitar tudo a perder face à crescente influência dos terroristas islâmicos um pouco por todo o planeta, em especial na Europa.

Ainda que o espião de olhos cor de azeitona e têmporas grisalhas não esteja tão ativo como noutros tempos, pois a idade também já começa a pesar, Daniel Silva oferece-nos uma aventura que transporta o leitor numa viagem por alguns recantos da Europa com destino às temperaturas cálidas de Marrocos.

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Com os serviços de espionagem de França, Inglaterra e Estados Unidos da América a ajudar o já habitual grupo do Departamento, Allon conta ainda com a prestação de Christopher Keller, um velho camarada de armas, outrora um dos seus maiores inimigos, Natalie Mizrahi, Mikhail Abramov, Dina Sarid, e ainda Jean Luc-Martel e Olivia Watson, estes últimos um extravagante casal, cuja riqueza e império advém do tráfico de droga, que é forçado a aliar-se à demanda de eliminar Saladino. Mais modestas, infelizmente, são as participações de Uzi Nazot, Ari Shamron e Chiara.

O resultado é um poderoso romance, de uma complexa e convincente narrativa, cuja dinâmica está alicerçada por um contexto terrível e infelizmente real, que alia elementos de espionagem muito cinematográficos que leva, mais uma vez, Gabriel a arriscar a sua vida em prol de um ideal, de um planeta em paz.

A trama, habilmente construída por Daniel Silva, como habitualmente, resulta de uma sequência sóbria de causas-consequências sendo sublinhada por densas camadas de puro suspense e ação que vão deixar o leitor preso às páginas de um livro sobre um mundo à beira de um abismo cuja maior ameaça internacional é o terrorismo cobarde em nome de uma causa falida de ética, seja ela moral ou religiosa.



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