Casa Mateus – Sesimbra

Casa Mateus

O sabor do mar servido num ambiente acolhedor

A escassos metros da avenida principal de Sesimbra está a Casa Mateus, uma agradável surpresa situada no estreito Largo Anselmo Braamcamp. É na porta número 4 que este pequeno restaurante familiar serve com mestria e dedicação alguns dos sabores mais tradicionais da vila piscatória que, apesar de ter celebrado o seu primeiro ano de vida há pouco mais de um mês, não se deixa intimidar pelos estabelecimentos mais afamados da zona.

Sesimbra é sempre uma escolha segura para comer bem, mas agora tem um motivo extra para conhecer este cantinho que já é uma referência no mapa gastronómico da região. Atravessando as montras de peixe espalhadas um pouco por toda a vila, encontrará um edifício forrado a azulejo tipicamente português com uma placa que indica que chegou ao sítio certo: um restaurante que alia boa cozinha ao atendimento simpático e afável implícito no ADN dos Mateus.

Casa Mateus - Sesimbra

A história geracional desta família ligada à restauração vai muito além do espaço com portas abertas desde 1 de Setembro de 2013, conta-nos em entrevista Pedro Mateus, filho de Carlos e co-proprietário do restaurante: «A Casa Mateus nasceu em 1927, pelo meu bisavô, que veio da Sertã e acabou por ficar aqui em Sesimbra. Na altura abriu uma taberna para pescadores, não no sítio onde estamos actualmente, mas no centro da vila junto ao Forte. Essa taberna passou para restaurante, depois para restaurante e casa de hóspedes e atravessou 3 gerações, a do meu bisavô, a do meu avô e a do meu pai», relata. Em 1982, um ano após o nascimento de Pedro, o restaurante foi vendido, situação que obrigou os seus pais a mudar de actividade profissional. No entanto, há cerca de 10 anos, os seus progenitores voltaram à restauração, a trabalhar para outros estabelecimentos. Pedro sentia que a família reunia todas as condições para se aventurar num negócio por conta própria e foi lançando o desafio aos pais: «Fui provocando, a minha mãe é cozinheira, o meu pai já era chefe de sala noutros restaurantes, eu adquiri também algum know-how neste ramo e acabei por me formar nesta área. Uma coisa puxou a outra e acabámos por decidir arriscar nesta altura», recorda.

Seguindo a tradição dos seus parentes no que diz respeito à confecção dos pratos típicos de peixe (ou não estivéssemos em terra de mar), a actual Casa Mateus oferece uma ementa restrita mas repleta de sabor. Começámos com o couvert (pão, manteiga e azeitonas marinadas, 3€) enquanto esperávamos pelos canivetes, que não figuravam na carta, mas que por sugestão de Pedro aceitámos com expectativa. Chegaram à mesa com um aroma absolutamente delicioso, bem temperados com coentros, alho e limão. Uma verdadeira delícia marítima que seguramente não poderá deixar de provar. No entanto, se ficar curioso com as entradas destacadas na ementa, pode aventurar-se com uma dose de ameijoas (12€), camarões mergulhados em alho e sal (9€) ou uns mexilhões (10€).

Casa Mateus - Sesimbra - Canivetes

E como “tudo o que vem à rede é peixe”, continuámos pelos sabores marinhos. Entre um arroz carolino, mariscos e coentros (30€, para duas pessoas) ou um espadarte, tomate, cebola e salsa (12€), optámos por uma massada de mero (que pode ser garoupa, dependendo da qualidade do peixe do dia) com camarão, hortelã da ribeira e limão (10€).

Pelo bom cheiro que deixou no ar, não restavam dúvidas: estávamos perante uma massada como manda a lei, em massa de cotovelos, com bastante molho e bem apurado, peixe no ponto de cozedura certo e a frescura das ervas aromáticas a rematar.

Confie em nós e não perca esta maravilha na próxima visita à Casa Mateus. Não precisa de nos agradecer, deixe antes o seu obrigado a Cristina, a matriarca que comanda os tachos, por lhe ter proporcionado a melhor massada de peixe que provavelmente alguma vez comeu.

Casa Mateus - Sesimbra - Massada de Peixe

Seguindo esta viagem, e ainda a fumegar, aparece diante os nossos olhos uma mini-terrina bem servida com um arroz carolino, polvo e camarão (a inovação face ao tradicionalismo deste arroz, 12€) salpicado com folhinhas de salsa. Tal como a massada, o polvo e o arroz estavam confeccionados no ponto e, claro, com todo o sabor que se exige a um dos pratos mais emblemáticos da cozinha portuguesa.

Como é fácil perceber, os produtos do mar são o ex libris da Casa Mateus, mas se entender que “peixe não puxa carroça”, pode optar por umas bochechas de porco, cevada, cogumelos e abóbora (12€), um bife da cervejaria (13€) ou um lombo de novilho, manteiga de ervas e legumes grelhados (14€).

Casa Mateus - Sesimbra - Arroz de Polvo

Já com pouco espaço no estômago mas com curiosidade de nos atirarmos aos “doces e não só”, Pedro voltou a encarregar-se das melhores sugestões para finalizar este almoço. Mais uma vez, surpreendeu-nos com duas opções que não constavam na carta: a mousse de manjericão com morangos e a pêra recheada com chocolate e uma bola de gelado de baunilha (4,5€ cada). À partida pode parecer um pouco estranho fazer desta planta a base de uma sobremesa, mas à primeira colherada todos os possíveis preconceitos são totalmente dissipados. A mousse, de uma extrema leveza, casa na perfeição com os morangos que conferem um toque ligeiramente mais doce, fazendo deste pospasto uma experiência degustativa e inovadora da Casa Mateus.

Casa Mateus - Sesimbra - Mousse Manjericão

A pêra recheada com chocolate, igualmente deliciosa, evidencia-se sobretudo pelo contraste de temperaturas e texturas, uma explosão de sabores para fechar uma refeição magistral.

Casa Mateus - Sesimbra - Pêra

Destaque também para a sangria branca de pepino, gengibre e canela (12€). Muito suave e servida com bastante gelo, esta bebida mostrou ser o par ideal para este menu exclusivo de peixe. No entanto, se for adepto de um bom vinho, encontrará várias opções de norte a sul do país com preços que oscilam entre os 12 e os 30€.

Não é por acaso que a Casa Mateus já conquistou o seu lugar na restauração sesimbrense. Nesta receita de sucesso, está obviamente a qualidade e a frescura dos ingredientes. De alcofa em riste, a família Mateus compra diariamente todos os produtos para confecção no mercado e nos pequenos estabelecimentos locais, estimulando também a micro economia da vila e a boa vizinhança entre os comerciantes.

Casa Mateus - Sesimbra

Pedro acredita que o mérito do clã Mateus foi decisivo para este espaço ser uma já uma referência naquela terra: «Somos perfeccionistas naquilo que fazemos, damos o nosso máximo todos os dias, são muitas horas de trabalho para atingir estas metas, e a verdade é que essa qualidade acabou por fazer com que o feedback das pessoas fosse extremamente positivo». É precisamente da aprovação por parte dos clientes que a Casa Mateus está no top dos restaurantes em Sesimbra do Tripadvisor, um feito que Pedro destaca com orgulho por ver mais de 200 reviews que elogiam o restaurante. Apesar de receberem «diariamente dezenas de estrangeiros», são também muitos os portugueses que já descobriram a Casa, sobretudo devido ao seu pai que, como o próprio Pedro afirma, «é um relações públicas extraordinário», cujo «bom nome, a boa imagem e a confiança que sempre transmitiu aos clientes» atraiu muitos fregueses. Mas é, sem dúvida, a mão de Cristina, dotada de experiência e paixão, que torna estas refeições memoráveis, como é o caso da famosa caldeirada ou do arroz de marisco que já são pratos icónicos da Casa.

Casa Mateus - Sesimbra

Está assim revelado o segredo-chave do êxito da Casa Mateus: o amor incondicional à cozinha e ao bem servir. Ao entrar no pequeno espaço revestido a pedra, tijolo e madeira, será recebido com um sorriso franco nos lábios de quem tem o dom de atender com dedicação e profissionalismo. A esta dose de eficiência, junte comida de tacho cozinhada com sabedoria e delicadeza. Tudo isto num ambiente caseiro, tranquilo e intimista que seguramente o fará voltar.

 

Horário de funcionamento:

De Terça a Domingo, fecha à Segunda-feira

Largo Anselmo Braamcamp, nº 4, 2970-654 Sesimbra

 

Fotografia (dos pratos) de Ricardo Freire Mateus

Fotografias de ambiente cedidas pela Casa Mateus (autoria de Sérgio Rodrigues)

 



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