Castanets & Jana

O som “híbrido” norte-americano viaja até Portugal. Dia 27 de Fevereiro na Galeria Zé dos Bois.

Os Estados Unidos da América são um dos países com um maior leque de sonoridades “tipicas” ou, se preferirmos, com uma diversidade enorme de géneros e “raízes”. O projecto do songwriter Raymond Raposa, “Castanets” (castanholas em espanhol), consegue fundir grande parte dessas influências (jazz, folk, country, indie…), num misto de experimentalismo e pop, quase impossível de catalogar mas indispensável de ouvir. A banda tem concerto marcado para dia 27 de Fevereiro na Galeria Zé dos Bois em Lisboa, onde deverá apresentar o mais recente disco de originais, “First Light’s Freeze”.

A música dos Castanets espelham a vivência do seu líder e mentor, Raymond Raposa, que tendo abandonado a escola aos 15 anos, explorou a grandiosidade dos Estados Unidos, numa viagem de autocarro que durou 4 primaveras. As experiências e influências foram numa primeira fase colocadas em diversos CD-R’s, que captaram a atenção da Asthmatic Kitty (especialista na reformulação da música “tradicional”), que em 2004 editou o aclamado disco de estreia “Cathedral”.

Com “Cathedral”, o projecto de San Diego conseguiu colocar-se nas listas independentes dos melhores de 2004 e captar a atenção do público. A forma única como reflectem os géneros mais típicos norte-americanos, aliando o experimentalismo sonoro com a cultura popular, está bem patente em todo o disco. Temas negros e melancólicos («You are the blood», «The Smallest Bones», por exemplo), faixas simples e pop («As you do», «Cathedral 4 (The unbreaking Branch and Song») e alguns devaneios sónicos («Industry and Snow»), fazem deste registo de estreia um disco surpreendente e que com o tempo ainda ganha maior dimensão.

No decorrer do ano passado, foi editado o sucessor, “First Light’s Freeze”, que embora não fique atrás de “Cathedral” (no que diz respeito à qualidade das composições), já não tem o mesmo poder de “surpresa” e “encanto”. Mesmo assim, podemos encontrar pérolas como «A song is not the song of the world» ou «No voice was raised», num disco que prossegue o trilho que foi iniciado em “Cathedral” (e nos CDr’s que o antecederam) e que deixa muito boas indicações para o futuro do projecto.

Se um concerto dos Castanets é, por si só, algo que desperta muita curiosidade, se juntarmos Jana Hunter ao lineup de dia 27 de Fevereiro, então a noite de Carnaval da ZDB torna-se imperdível.

Apontada como a maior discípula de Devendra Banhart, Jana Hunter é um dos mais recentes prodigios da folk “contemporânea” norte-americana. Oriunda do Texas, Hunter tem um passado ligado à pop psicadélica, o que de certa forma pode explicar a sua visão muito própria da folk “tradicional”. Nas suas composições podemos encontrar elementos electrónicos lo-fi e um referencial lírico muito sombrio e solitário, pouco comum nesta área.

No concerto da ZDB vai ser apresentado “Blank Unstaring Heirs of Doom”, o disco que marcou a estreia da editora Gnomonsong, propriedade de Devendra.

Se não acham muita piada às máscaras e ao samba, esta é uma óptima oportunidade para aproveitarem o Carnaval, embalados pela “nova” música tradicional Americana.



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