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Charlotte Gainsbourg – “Stage Whisper”

Para quem desconhece o universo de Charlotte, o disco ao vivo poderá servir como uma espécie de "best of". Para os fãs, a rodela de extras reserva alguns momentos de puro deleite.

No ano 2009, Charlotte Gainsbourg, uma das femmes mais fatais do universo musical, editou “IRM”. Um disco com uma aura intoxicante, com a mão, os dedos e a vertigem criativa de Beck na produção, e que se veio a revelar um belo tratado de uma pop negra cantada com uma sensualidade a que era difícil não dar ouvidos.

“Stage Whisper”, o disco que chegou às lojas no final de 2011, reúne sobras de “IRM”, mostra alguns temas novos e oferece um concerto ao vivo, onde a voz estreita de Gainsbourg se apresenta como um contraponto a todo o aparato e envolvência musical que a cercam, fora da zona de conforto chamada estúdio – onde se sente como peixe na água. E essa estranheza de Charlotte em enfrentar o palco é por vezes evidente, parecendo assumir um papel de cantor de apoio temente aos holofotes do estrelato. É uma rodela que acaba por não trazer grande novidade aos discos originais – “5:55” e “IRM” -, mas temas como a versão da Dylaniana para «Just like a woman» ou o primaveril e sensual «Jamais» merecem uma audição atenta.

O prato mais saboroso de “Stage Whisper” é sem dúvida os oito temas originais, quatro deles com o dedo de Beck, e que poderiam bem ter feito parte do “IRM” original, como o glamouroso «Terrible Angels» – um delírio que ficaria bem na voz de uma Lykke Lee – ou o endiabrado e dançante «Paradisco». Há ainda a presença de Charlie Fink (dos Noah and the Whale) ou de Connan Mockasin, que fazem o som Gainsbourguiano viajar por outros quadrantes musicais, deixando no ar uma indefinição quanto ao trilho musical que será seguido por esta musa.

Para quem desconhece o universo de Charlotte, o disco ao vivo poderá servir como uma espécie de “best of”. Para os fãs, a rodela de extras reserva alguns momentos de puro deleite.



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