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“Chegada a Hora” de Jeffrey Archer

Tragédias, Espionagem e os Laços Familiares

Uma saga que atravessa décadas, perdas, conflitos, lutas e conquistas pessoais.

Sexto volume das aclamadas Crónicas de Clifton do escritor britânico Jeffrey Archer, autor de inúmeros romances, peças de teatro, três volumes do seu diário da prisão e até um evangelho, cuja acção é sublinhada pelo poder dos elos familiares no centro da política e espionagem, Chegada a Hora (Bertrand, 2017), é um romance que continua de um modo aprazível e empolgante o legado dos cinco volumes anteriores.

Harry e Giles tinham-se conhecido em St. Bede’s há mais de quarenta anos e pareciam ser uma dupla improvável para acabar como melhores amigos (…) E seguramente ninguém teria previsto que Harry se iria apaixonar pela irmã de Giles, a não ser a própria Emma(…)

Seguindo o estilo com o qual os leitores de Jeffrey Archer já estão familiarizados, este volta a apresentar uma obra rica numa combinação de vários estilos literários, acompanhando os eventos da vida dos Clifton e dos Barrington, abrangendo as alterações políticas que se faziam sentir no país, em simultâneo às alterações pessoais experenciadas pelos intervenientes enquanto navegam por águas tumultuosas no mundo impiedoso da espionagem coorporativa, crime financeiro e espionagem internacional, rodeados daqueles que os desejam ver fracassar.

Neste romance rico em twists inesperados, Archer demonstra saber balancear os momentos mais trágicos e intensos, aliando-os a momentos esporádicos e espontâneos de discurso cómico.

Ao apresentar uma história dividida em partes individuais, respeitantes a certas personagens de relevância, tais como Harry e Emma Clifton, o seu filho Sebastian, Sir Giles Barrington e a sua pérfida ex-mulher Lady Virginia Fenwick, permite ao leitor estar a par das evoluções das personagens em questão e compreender como a mais pequena ondulação na água pode ter efeitos dramáticos nas suas vidas.

O contraste entre o gelo da corrupção e espionagem, em oposição ao calor das relações familiares, é o ponto-chave deste livro.

A senhora Clifton parecia calma e serena, até mesmo estoica, o que era raro para alguém que enfrentava a possibilidade de ser derrotada e humilhada, a não ser que…

Emma Clifton encontra-se entre a espada e a parede, imersa numa batalha judicial que pode alterar o futuro da Barrington Shipping Company.

Confrontada com a possibilidade de utilizar o trunfo que lhe poderá conferir automaticamente a vitória no processo por difamação entre ela e a sua ex-cunhada Lady Virginia, caberá aos Clifton e aos Barrington decidir qual o curso a tomar e as consequências que podem advir de tal decisão.

A última palavra sobre o tópico será de Emma, mas irá ela sacrificar um membro da sua família para salvar o império familiar?

Harry Clifton é o mestre do malabarismo e polivalência, à medida que continua a sua luta para tirar Anatoly Babakov do gulag onde este se encontra encarcerado, tenta terminar o seu mais recente volume de William Warwick e promove o lançamento de Uncle Joe, obra de Babakov que Harry memorizou enquanto estiveram juntos na prisão russa e que prometeu publicar.

(…) enquanto Harry continuara alegremente casado com Emma, Giles passara por dois divórcios, e a sua carreira política parecia irremediavelmente perdida.

Sir Giles Barrington vê desvanecer em fumo as suas aspirações políticas e num impulso romântico e arriscado tenta retirar Karin da Alemanha Oriental, qual cavaleiro andante em salvamento da sua dama em apuros.

Mas será Karin merecedora de tamanha devoção ou será uma espia a mando da Stasi para extrair informações a um amante cego e crédulo?

Por seu lado, Sebastian Clifton, ainda não conformado pela sua separação de Samantha e o consequente afastamento da filha Jessica, vê no convite do seu tio Giles para assistir a um jogo de críquete, uma oportunidade para se distrair da sua vida de workaholic inverterado, desconhecendo que nessa partida se encontra a oportunidade para voltar a amar.

Porém, a situação não é das mais idílicas e propícias ao sucesso dado que Priya Ghuman é de origem hindu e já se encontra prometida a outro.

Sebastian, também, terá oportunidade de reconectar-se com Samantha e a filha de ambos, mas terá finalmente coragem para arriscar-se a fazê-lo?

Capa_Chegada a Hora

Como não seria possível, nem lógico, referir os protagonistas sem abordar os desprezíveis e calculistas antagonistas, eis que surge entre eles o trio diabólico composto por Desmond Mellor, Adrian Sloan e Jim Knowles, que ao se verem ultrapassados e derrotados na sua mais recente tentativa de atingir os Barrington e os Clifton, se unem para voltar a lançar o caos.

(…) tinham-se aliado em torno de um objetivo comum: ganhar o controlo do Farthing’s Bank e depois adquirir a companhia de navegação Barrington’s, por meios lícitos ou ilícitos.

Lady Virginia Fenwick, ao ver-se a braços com uma amálgama de divídas intermináveis, encontra no multi-milionário Cyrus T. Grant III a solução para os seus problemas e decide tomar as rédeas.

Mas será o seu plano bem sucedido? Cairá o sulista aos pés da beleza e berço de Lady Virginia ou fugirá o mais rapidamente possível até ao outro lado do Atlântico?

(…) O seu plano final teria impressionado o general Eisenhower, embora ela só precisasse de derrotar Cyrus T. Grant III. 

Após 445 páginas cheias de voltas e reviravoltas, o leitor irá passar por momentos em que serão, à primeira vista, previsíveis, com uns toques surpreendentes que o impulsionarão a querer ler mais e mais.

O epílogo traz, novamente, o encerramento de alguns capítulos das vidas das personagens, porém, como não podia deixar de ser, Chegada a Hora termina ao estilo inconfundível de Archer, com um novo cliffhanger que o deixará ansioso pelo sétimo e último volume das Crónicas de Clifton.



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