CHVRCHES

CHVRCHES

A banda que cresceu online: estivemos à conversa com Lauren Mayberry para perceber o aparato

Já íamos a meio de 2012 quando ouvimos pela primeira vez falar dos CHVRCHES. A banda escocesa distribuiu o tema «Lies» online e fez algum alarido, que foi suficiente para captar a atenção da Pitchfork ou mesmo da BBC, que os apontou como uma das apostas para 2013. O tema, esse, era uma pegajosa canção pop que recuperava a liderança dos sintetizadores na frente de batalha, tradição resgatada aos anos 80 a bandas como os Fleetwood Mac ou mesmo aos Depeche Mode.

Meses mais tarde, era a vez de «The Mother We Share», agora assentando numa base de samples e numa batida cativante que teimava em não descolar dos ouvidos. E eis que, no passado Março, surge o EP “Recover”, para maior aclamação e comportando consigo a promessa de lançamento do disco de estreia ainda este ano.

A internet proporcionou-lhes todo este aparato com meia dúzia de canções – o próprio nome da banda substitui o “u” por “v” para facilitar as pesquisas na rede -, iniciando todo um falatório que aguarda agora o lançamento do primeiro registo longa-duração de originais para ditar o veredicto.

Falámos com Lauren Mayberry, a voz dos CHVRCHES, para tentar compreender o fenómeno.

Quem são os CHVRCHES?

Os CHVRCHES são um trio de Glasgow, Escócia, composto pelo Ian Cook (sintetizadores, programação e voz), pelo Martin Doherty (sintetizadores, samples e voz) e pela Lauren Mayberry (voz principal e sintetizadores). Conhecemo-nos em Setembro de 2011 e lançámos a primeira demo online em Maio de 2012 (“Lies”, que agora foi lançado pela Neon Gold).

Ouvimos muitas influências do synth-pop dos anos 80 nas vossas músicas, mas com um apelo muito contemporâneo associado. Como é que descreverias o processo de criação?

Cada tema começa de maneira diferente, seja de uma batida, de um sample, ou a brincar com um instrumento novo. Primeiro chegamos a um esboço instrumental e depois adicionamos uma melodia vocal e entra a letra. Embora partilhemos uma grande admiração pela música retro, ouvimos estilos de música muito diferentes, pelo que o objectivo é não evidenciar muito tudo isso.

Sabemos que os Depeche Mode fazem parte das vossas maiores influências e que agora vão abrir uns concertos para eles. Como é que vai ser tocar no mesmo palco que os vossos heróis?

Estamos todos mesmo entusiasmados e vamos ensaiar que nem loucos até esses concertos!

A internet foi uma rampa de lançamento gigante para vocês: têm sido seguidos de perto pela Pitchfork e pelo Guardian, ainda que tenham lançado muito pouco material até agora. Como é que explicam esse fenómeno?

Eu acho que a nossa banda nasceu mesmo na internet, e mesmo antes de nomes grandes como a Pitchfork escreverem sobre nós, as pessoas já mostravam as músicas aos amigos e o pessoal começou a ouvir falar nos CHVRCHES de uma maneira muito orgânica. Acho que é importante que nos lembremos disto e que nos continuemos a lembrar que, sem essa comunidade online, não estaríamos onde hoje estamos. Temos muita sorte em ter todo esse apoio das pessoas.

Como é que tem sido a reacção do público?

Tem sido excelente tocar músicas que as pessoas ainda não ouviram online e avaliar a reacção. Isso também ajuda a finalizar as gravações e dá-nos a oportunidade de viver com as músicas por um tempo e fazer umas reviravoltas de última hora antes de as misturas estarem finalizadas.

Essa atenção toda interfere com o processo de fazer música, agora que preparam o disco de estreia?

Nós temos gravado desde que a banda começou, fazemos demos no nosso estúdio à medida que escrevemos, portanto já tínhamos uma quantidade considerável de material esboçado antes de terem ouvido falar de nós, o que acho que é uma grande vantagem. Já temos a maior parte das faixas do disco encaminhadas e estamos só a finalizar os retoques das coisas antes da mistura, por isso é muito entusiasmante. Estamos a tentar manter a concentração e fazer o melhor disco que conseguimos.

Das músicas que ouvimos, vemos que disparam em várias direcções, com a pista de dança como ponto de confluência. O que podemos esperar para o disco?

Esperamos que haja um bom fluxo no andamento do disco, lírica e musicalmente, reflectindo as músicas que temos até à data, bem como dos concertos. Estamos muito ansiosos para que ouçam o álbum finalizado.



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