Cícero

Cícero Lins | Entrevista

“A Música é meu caminho definitivo”

Cresceu a ouvir Beatles e o primeiro disco que comprou foi “Nevermind” dos Nirvana, ainda na adolescência. Mas é a música brasileira que lhe está no sangue. Um dia, fechou-se no quarto, montou um estúdio caseiro e começou a compor canções. Em apenas três anos gravou dois álbuns: o primeiro “Canções de Apartamento” e agora “Sábado”. Cícero Lins é um dos nomes mais vibrantes da nova música brasileira e está de regresso a Portugal. O músico toca no dia 15 de Agosto no Festival Fusing Culture Experience e promete dar show.

É a terceira vez que tocas em Portugal, em tão pouco tempo. Como explicas o sucesso que tens tido junto do público português?

Não sei. Acredito que os discos vão encontrando seu público naturalmente com o tempo. E com a internet a informação circula (quase) livremente… por termos o mesmo idioma, acho que a identificação não acontece só nas melodias e arranjos, mas também no texto, nas ideias, de uma forma natural. Não há esforço em nos entendermos, dividimos a mesma língua.

Muitos dos teus fãs são também seguidores de uma nova geração da música brasileira como Los Hermanos, o próprio Marcelo Camelo, SILVA, Rodrigo Amarante, entre outros. Quais são as tuas referências musicais?

Muitas. Eu ouço de tudo. A música brasileira é minha maior influência, por identificação humana com a mensagem, com as paisagens. Mas ouço música o tempo todo, de todos os lugares.

Quais as primeiras bandas que começaste a ouvir? Ainda te lembras do primeiro disco que compraste?

Meus pais ouviam muito Beatles em casa, foi a primeira banda que ouvi e tenho um respeito quase religioso por eles. O primeiro disco que comprei foi o “Nevermind”, dos Nirvana, que foi a banda que fui fã de carteirinha, de levantar bandeira, quando era adolescente. Sei tocar todas as músicas do Nirvana até hoje.

As letras são uma parte muito importante das tuas canções. Como é o processo de composição das mesmas?

Confuso. As letras, as harmonias, as melodias, correm em paralelo, sem muito critério. Só na hora de fazer o álbum é que eu organizo as ideias e escolho o que dizer, como dizer. Antes da parte consciente, acho que a parte inconsciente da composição é a parte mais importante.

As tuas canções têm uma forte componente intimista. Tocar ao vivo em festivais de música é um obstáculo ou um desafio, comparativamente com as salas mais pequenas?

Gosto de acreditar que no show há uma evocação daquele sentimento que os discos possuem. A tarefa é fazer aquele sentimento acontecer coletivamente, naquele momento, para aquele grupo. Seja numa sala pequena ou num festival, a tarefa é com a poesia, com o sentimento, acho interessante fazer isso acontecer. É um exercício de comunicação.

Ambos os teus discos foram gravados em casa, num estúdio caseiro. Achas que ainda há espaço para as editoras discográficas ou a internet e as novas tecnologias vieram ocupar esse espaço de uma vez por todas?

Eu acho que vão existir todos os formatos. As editoras ainda ganham dinheiro, e como são empresas, é isso que as interessa. Está tudo certo, existem nichos de músicas que existem por causa das editoras. E existem as outras possibilidades, como a internet. É onde estou, nesse outro lugar. Me sinto confortável nele.

É possível viver da música no Brasil?

Acredito que sim e vivo essa crença.

És licenciado em Direito. Ainda te imaginas a exercer a profissão ou a música é o teu caminho?

Não, queimei a ponte. Música é meu caminho definitivo. Música e qualquer outra forma de expressão artística… poesia, pintura, tudo que seja exercício de sensibilidade. Burocracia agora só quando for extremamente necessário.

O que podemos esperar do teu concerto no Fusing Culture Experience Festival na Figueira da Foz em Agosto? Trazes alguma coisa nova na bagagem?

Será um banda nova, vamos ensaiar na semana do concerto e vou tentar apresentar uma música do disco novo. Além disso, as músicas dos meus dois discos que Portugal mais gosta, com certeza. Quero fazer um show agradável, esse festival é lindo!

E para quando um novo trabalho?

Já estou compondo, acredito que no começo do ano que vem ele já estará na internet.



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