“Cidades de Papel” | John Green

“Cidades de Papel” | John Green

Onde está Margo?

Se por uns instantes pensarmos em quantos filmes, séries, livros e outros objectos culturais foram já criados para retratar o encerramento do momento liceal, mesmo que não nos consigamos lembrar muito bem dos nomes, as imagens que afluirão ao cérebro serão muitas. Porém, quando nos passam pelas mãos livros como “Cidades de Papel”, de John Green, é como se um novo retrato da maturidade da adolescência fosse possível, numa combinação entre a ânsia de viver e a autodescoberta.

«Ambos os meus pais são psicólogos, o que significa que sou mesmo muito estável», conta-nos Quentin nas primeiras páginas do livro. De facto, Quentin tem tudo aquilo que normalmente deixa os pais orgulhosos: não se mete nas drogas ou em coisas estranhas, tem notas acima da média, é responsável; alguém em quem se pode confiar de olhos fechados. Exactamente o oposto de Margo, a vizinha do lado, por quem Quentin tem uma daquelas paixões de infância que teima em se estender a todas as faixas etárias que vai atravessando. Margo é uma aventureira, uma pessoa extrovertida, considerada por todos uma lenda e de quem se contam histórias incríveis.

As suas vidas parecem de todo inconciliáveis, isto até ao dia em que Margo arrasta Quentin para uma incrível noitada, onde seguem à risca um plano de vingança idealizado por Margo, todo ele uma mostra de engenho, humor negro e muita irreverência. Quando Margo desaparece misteriosamente no dia seguinte, Quentin encontra aquilo que considera ser uma pista do seu paradeiro, lançando-se numa incrível aventura para descobrir onde está Margo, e o que afinal se esconde por detrás do mito. No caminho que vai trilhar para descobrir quem Margo é na verdade, Quentin vai conhecer uma aventura ainda maior: descobrir-se a si próprio.

Jornada épica que atravessa o território da adolescência, “Cidades de Papel” oferece um magnífico retrato de um corpo em mudança, do poder da amizade e dos fios que, apesar de partidos, arranjam sempre forma de se voltar a unir. Entre o mistério e a iluminação interior, John Green ofereceu-nos um romance entusiasmante.

Edição: Editorial Presença.



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