Cindy Cat

Em disco com muitos convidados, na rua de baixo em entrevista.

A história (re)começa em 2001, altura em que Paulo Abelho (Sétima Legião, Golpe de Estado) e João Eleutério (Comboio Fantasma, BCN) gravavam bandas sonoras para teatro e outras manifestações culturais. Ana Carolina, programadora do Frágil, gostou do que ouviu e convidou os dois a apresentar algumas dessas faixas ao vivo. Aí, surgiu pela primeira vez o nome Cindy Kat.

Para o concerto convidaram Pedro Oliveira (Sétima Legião) para colocar voz num dos temas e participar no espectáculo. Depois, o desenvolvimento enquanto colectivo até agora surgir nos escaparates “Cindy Kat”, disco de estreia. Um trabalho assumidamente electrónico, pop, com vestígios de Sétima Legião, certamente, mas mais que isso: a procura de uma identidade própria por entre programações, teclados e melodias. Recheado de participações especiais, “Cindy Kat” é candidato a maior rebuçado pop nacional para começos de 2006. Paulo Abelho e João Eleutério em discurso directo.

RDB: No vosso e-card, é dito que vocês não ficaram totalmente satisfeitos com o que já fizeram até hoje, daí surgirem os Cindy Kat. “Cindy Kat”, o disco, diz o press-release, é um manifesto. Enquanto banda, quais são as vossas intenções com este trabalho?

Paulo Abelho: Não é não estarmos satisfeitos com o que fizemos até hoje. Isto no fundo é mais uma etapa. Nós trabalhamos com música, é daí que vem o leque de amigos e pessoas que tocaram connosco neste disco. Isto não provem de uma insatisfação, é mais uma consequência do nosso trabalho: se gravamos discos de outras pessoas, se fazemos som em concertos, se damos aulas, isto surge naturalmente como a continuidade disso mesmo. Se resultasse da insatisfação de algo tudo isto seria muito mais precipitado, coisa que nada disto foi. Chegámos ao que temos agora – o disco nas ruas, os concertos, a promoção – de uma forma completamente natural.

“Cindy Kat” é um disco de colaborações, umas mais inesperadas que outras. Sentem que tantas colaborações podem desvirtuar um pouco a vossa identidade ou não se preocupam com isso?

PA: As músicas estavam feitas antes sequer de termos pensado em convidar determinada pessoa. Nalguns casos foram os próprios convidados que ouviram o nosso trabalho e quiseram dar voz nalgum tema, como o caso do JP Simões. Há aqui uma cumplicidade entre as pessoas. Acima de tudo somos amigos, convidados é um termo formal demais para a forma como as coisas correram. Conseguimos, eu e o João, passar todo este entusiasmo ao Pedro Oliveira, a começo, depois a todas as pessoas envolvidas neste disco, ao próprio Pedro Abrunhosa…Como surgiu a hipótese de convidar o Pedro? É algo inédito na carreira dele, participar no disco de outras pessoas…

PA: Pode-se dizer que tenha sido o mais pensado. A música em questão remete mais para o spoken word, e as coisas resultaram. O Pedro ouviu a música… e gostou. Fundamentalmente foi isso.

De que forma entrou a Universal no percurso Cindy Kat?

PA: A Universal surge porque o Pedro Oliveira conhece bem a Paula Homem [responsável pela recepção de maquetas], e ela soube que estávamos a gravar material e fez questão de o ouvir. Ela gostou imenso e propôs-nos a gravação do disco. Temos sido muito apoiados pela editora, está tudo a correr muito bem.

Música pop made in Portugal, electrónica ou não. Como é que vêem o panorama actual e em que é que os Cindy Kat o podem melhorar?

PA: Nós não queremos melhorar nada (risos). Queremos simplesmente…

João Eleutério:…levar a nossa música às pessoas, mostrar quem somos.

PA: Este é um disco de emoções. Sinto que as coisas estão feitas. Parece, no entanto, que as pessoas têm medo de cantar o amor em português, e esse foi um dos objectivos à partida. É muito mais fácil cantar em inglês, escrever bem em português é muito mais complicado.

JE: Neste disco houve liberdade de todas as pessoas, quem participou nos temas escreveu também as letras.

Os Cindy Kat assumem acreditar no poder de uma verdadeira canção. Quais são as características que uma “verdadeira canção” deve ter?

PA: Uma boa canção para mim é a música com que acordas de manhã e vais para o banho a assobiá-la. Em termos de estrutura é indiferente.

JE: Tanto pode ter um arranjo muito complexo como algo mais simples, só voz e guitarra, por exemplo.

PA: Passar por alguém na rua a assobiar uma canção tua é o sinal mais claro que conseguiste fazer qualquer coisa de significativo.



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