”Cinerama Peruana” | Rodrigo Magalhães

”Cinerama Peruana” | Rodrigo Magalhães

Há sangue bárbaro a correr nestas veias

Três histórias à volta da ideia de superação e cobertas pelo véu da infâmia. Em “Cinerama Peruana”, a primeira aventura literária de Rodrigo Magalhães, há não um romance mas três pequenas biografias – que se podem ler em conjunto ou de forma avulsa -, onde o mal surge sempre disfarçado de dançarina sedutora.

Harry Heels é um aprendiz de alfaiate, filho de um diácono e bibliotecário que, tomado pelo horror do seu comportamento lascivo, o deu para adopção. A sua vida é um carrossel de emoções, desde trabalhar como barman, mexer em armas de fogo ou ser pugilista durante um único combate. A Literatura, essa, aparece situada entre a completa frustração e a possibilidade de reinvenção; dois gémeos, irmão e irmã, herdam a editora familiar e têm, como um dos autores da casa, um escritor austríaco com péssimas maneiras à mesa e uma obsessão por canetas azuis – as pretas deixam-no mal-disposto e as verdes fazem as palavras parecerem gigantes; e há também três assassinos que cruzam fronteiras e que, no final de cada chacina particular, encontram sempre o caminho para casa, como se não houvesse outro lugar no mundo para se estar.

A escrita de Rodrigo Magalhães é cheia de truques narrativos, apresentando personagens com sangue bárbaro a correr-lhes nas veias mas, ao mesmo tempo, a vontade de superar a herança que lhes foi confiada por sangue ou testamento. Uma boa estreia que exige um segundo livro de história única.



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