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Clash Club Proxy & Shadow Dancer

Indústria, 16 de Maio.

As festas Clash Club já vêm sendo tradição mensal na noite portuense. Caracterizadas por uma sonoridade electrónica da pesada, resolveram nesta ultima edição tirar férias do Teatro Sá da Bandeira e descer a Avenida da Boavista até ao Indústria, um dos mais históricos clubs da cidade do Porto – uma escolha de peso para a realização deste evento, com um sistema de som e de luz superior ao local onde é habitual decorrerem estas festas.

O cartaz apontava para uma estreia em solo nacional de Proxy, bem como live act de Shadow Dancer e um dj set dos nossos Twin Turbo. No entanto, o facto do Indústria se situar na Foz e não no hot spot do momento na Invicta, a Baixa, amputou logo de início alguns dos eventuais club goers. Muitos dos frequentadores desta festas, desconhecendo o passado, ainda que recente, do Indústria e a importância que este tinha na agenda cultural da cidade nos tempos em que conseguia manter o seu cartaz em paralelo com o do Lux, torceram desde logo o nariz a este local, que actualmente serve de pouso a festas para surfistas e noites “Rabo de Saia”.

Ironicamente, a primeira coisa em que se repara após a entrada neste club será um cartaz do projecto “Estamos com a baixa” posicionado junto ao bengaleiro. Infelizmente, a força de vontade do Indústria em estabelecer tréguas com o seu rival, munido nessa noite com o evento “alta baixa” não foi suficiente para encher a pista, ainda que mais pequena que o Sá da Bandeira.

Coube aos Twin Turbo a tarefa de receberem os convidados. Temas de Dj Mujava, Tiga e Maral Salmassi animaram a pista que até às 3h00m se encontrava vazia, hora a partir da qual era possível observarem-se alguns centrões desinibidos que se aventuravam nesta a fim de começarem a festa.

Eram 3h30 quando os irmãos Shadow Dancer subiram ao palco. Presente na t-shirt de Alan Farrier estava o símbolo da Commodore, não fossem as músicas dos jogos do commodore 64, juntamente com os discos de Jean Michel Jarre, a fonte de inspiração do duo. O live act prosseguiu com os dois irmãos concentrados no laptop a correr o software Ableton live. A resposta do público mostrou-se oscilante durante o espectáculo, alternando entre momentos de empatia e períodos de descanso não-intencional. Ainda assim, o tema «Soap» conseguiu soltar alguns assobios e energia da audiência.

Já na recta final da actuação de Shadow Dancer, Proxy aparece com um amigo, possivelmente feito quando chegou a Portugal (somos conhecidos por ser um povo caloroso) para montar o seu material. Uma sorte este amigo de Proxy perceber de sistemas áudio, considerando que muita gente tem dificuldade em ligar um simples i-pod a um amplificador. 4h30m e eram horas de passar o microfone ao colega de profissão. Surgiu então um silencio constrangedor indicando que algo correu mal. Afinal, o amigo de Proxy não era assim tão bom com equipamento áudio. O silêncio prolongou-se e o público começou a mostrar sinais de  impaciência. “Proxy vem prá Próxima” ouviu-se um comediante de garagem gritar.

Na tentativa de abafar os assobios agressivos que saltavam da assistência e porque a correcta ligação do laptop de Proxy ao sistema de som do Indústria poderia levar horas, foi posto a tocar um cd de temas próprios para serem tocados à 1h da matina, quando os early birds se encontram a pousar casacos no bengaleiro – entretém (mais ou menos) mas não é Proxy. Mário de Carvalho, o patron do club desceu à pista para ver o que se passava. A mão da experiência deste senhor da noite portuense conseguiu pôr o soundsystem pronto para outra, possibilitando a Proxy começar o seu set ao fim de 5 minutos de silêncio (que nestas situações, como o amigo cluber imagina, parecem uma eternidade).

Uma vista de olhos pela sala mostrava agora um espaço mais preenchido, factor que poderá ser justificado pela afluência que o Indústria apresenta a altas horas da madrugada. Ainda assim, podia-se verificar que o público se encontrava concentrado na frente da pista.

A postura de Proxy, ao controlo do seu laptop a correr uma vez mais Ableton Live, mostrou-se bem mais descontraída que as de Shadow Dancer, havendo inclusive tempo para interacção com a audiência. Proxy é capaz de conduzir um set, dançar e acenar às meninas da fila da frente! Mera postura proveniente da emoção por visitar o Porto pela primeira vez ou 1 Gb de RAM a mais na sua máquina? O público apresentou-se bastante animado durante o concerto, sendo tal mais evidente sempre que era tocado um tema conhecido. Foi com «Raven» que atingiram o limiar da expressividade, acompanhando a música com a voz (alguém se lembra da 7 nation army em loret del mar?) tendo esta excitação culminado  numa breve sessão de mosh.

O espectáculo terminou às 5h45m. Proxy podia agora arrumar o material que tanto trabalho deu a montar e ir conversar com os seus colegas de etiqueta sobre essa tal de francesinha que comeram ao jantar e se o upgrade do live 7 para o 8 compensa, ou é apenas uma boa maneira de deitar 150€ fora.

Como já vem sendo tradição nas noites Clash Club, os últimos são sempre os primeiros, cabendo aos Twin Turbo a honra de fecharem a festa.



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