Cocaine Piss + Sun Blossoms @ Musicbox (02.03.2017)

Cocaine Piss + Sun Blossoms @ Musicbox (02.03.2017)

Já conheciam as delícias do chocolate belga. Também já conheciam a magia da cerveja belga. Faltava a fúria do punk belga. Que, pela amostra do que se viu ali no Musicbox, devia ser tão exportado como os anteriores. Os Cocaine Piss trouxeram-nos um poder enorme que muitas vezes levava ao chão Aurélie Poppins, a hipnotizante líder do grupo de Liége que ora se manifestava sobre Sex Weirdos enquanto se estendia pelo chão, ora nos cantava sobre masturbação (“This is a love song”, disse) enquanto passeava pelo público e o olhava nos olhos, ora comparava pessoas a robôs, enquanto se apresentava com expressões que faziam imaginar como seria se o Ian Curtis tivesse estado numa banda de punk. E nós, claro, acreditávamos em tudo o que ela nos dizia, embora não conseguíssemos perceber a maioria dos seus berros. Tudo isto enquanto os três restantes elementos da banda, continuavam no palco a malhar os seus instrumentos, sempre com um headbanging em uníssono.

Passaram 40 anos desde que o punk se começou a impôr-se na Europa ou vá, desde que foi lançado o “Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols”. Mas ali pouco se quer comemorar do passado, quando há tanto no presente com o qual se manifestar. É aí que os Cocaine Piss nos ajudam. Trouxeram dos seus antecessores a rapidez e a urgência das canções punk – um minuto e meio chega bem para cada uma. E quando uma acabava, o som dos aplausos era atropelado pelo guitarrista já a adiantar-se no riff que introduzia a canção seguinte. Com esta rapidez toda, não foi estranho que ao fim de pouco mais de 20 minutos o concerto já tivesse chegado ao fim. Nem houve fôlego para encore. Deixaram ali tudo o que tinham.

Alexandre Fernandes, a cabeça atrás dos Sun Blossoms, sabe bem a música que quer fazer e sabe bem como a criar. A simplicidade das canções carregadas de reverb fazem-nos flutuar um pouco como aquelas notas. E que bonito que era toda aquelas melodias a pairarem pela sala. Tal como foi igualmente bonito aquele momento de puro ruído em que a banda se ajoelhou perante os seus pedais e começou a brincar com eles, que nos mostrou o que queriam fazer os Sun Blossoms. Queriam trazer as suas canções solarengas e proporcionar-lhes a companhia de um rock rebelde. Um rock que não queria fazer mal a esses raios de sol. Apenas conhecê-lo melhor, para darem umas voltas.



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