Code Name S.T.E.A.M.

Code Name S.T.E.A.M | Análise

Táctica, Originalidade e Abraham Lincoln

É já no dia 15 de Maio que chega às consolas portáteis da Nintendo um jogo de estratégia que tem tanto de peculiar como de original. Chama-se Code Name S.T.E.A.M. e está a cargo da Intelligent Games, responsável pela tão aclamada série Fire Emblem. Para a criação deste título, podemos contar também com Hitoshi Yamagami que esteve também, por exemplo, presente na criação de Xenoblade Chronicles. Com esta equipa de peso aliada à Nintendo, Code Name S.T.E.A.M. terá tudo o que precisa para vingar, certo? Vamos ver se assim é.

Como mencionei em cima, este é um título algo peculiar e isso começa a notar-se assim que a história arranca. Fugindo à temática medieval que tanto apreciamos em Fire Emblem, em Code Name S.T.E.A.M. a malta da Intelligent Studios larga-nos nos finais do século XIX de um mundo completamente movido a vapor. Apesar de enormes avanços tecnológicos, a invasão alienígena que agora ameaça o mundo mostrou-se inevitável e para responder a esta situação, o presidente… Abraham Lincoln decide reunir os seus melhores soldados.

Parece e é, de facto, estranha esta premissa mas não podemos acusá-la de falta de originalidade. A Intelligent Studios saíu da sua zona de conforto mas depressa nos apercebemos que foi apenas isso, o que é uma pena quando recordamos as fortes narrativas que temos vindo a encontrar em Fire Emblem, sempre acompanhadas de personagens e personalidades bem vincadas. Num misto de ficção com o real, em Code Name S.T.E.A.M. teremos um vasto leque de personagens com as quais nos vamos cruzar ou até mesmo controlar mas o que elas têm para dizer é, infelizmente, pouco ou nada interessante.

Contrariamente ao que acontece com a história, a acção do jogo, apesar de não ser perfeita, é mais interessante. Começando numa parte do cenário, o objectivo é conseguir chegar ao outro lado. Só que para isso, teremos de ter cuidado com os inimigos que mal podem esperar para nos dar uma lição. Em Code Name S.T.E.A.M. o posicionamento das nossas personagens e uma boa gestão dos níveis de vapor (Steam), são fundamentais. Cada passo que damos, cada habilidade, tem um custo de vapor. Façam bem as vossas contas e lembrem-se que se decidirem guardar um pouco de vapor no final do vosso turno, quando um malvado alienígena se cruzar com a vossa linha de fogo (no seu turno, claro), a vossa personagem desencadeia um poderoso contra-ataque. Chama-se a isto Overwatch e claro que os vossos inimigos também conhecem esta técnica, por isso cuidado.

O objectivo das missões varia, ora temos de eliminar todos os inimigos de um determinado cenário ora temos de escoltar uma personagem para um local seguro. Apesar de levar a alguns momentos de maior frustração, completar as missões é várias vezes aliciante. Posicionando aqui e ali as nossas personagens muitas vezes vamos encarar o campo de batalha como um traiçoeiro tabuleiro de Xadrez. Ao completarmos as missões, muitas vezes após inúmeras tentativas e erro, surge hipótese de repeti-las com uma dificuldade acrescida ou simplesmente para recolher todos os coleccionáveis que se encontram espalhados pelo respetivo cenário. Além disso surge também a amarga ausência de progressão das nossas personagens. São várias como disse e isso é óptimo na medida em que conferem uma agradável variedade à nossa equipa. Só que o facto de não evoluírem ou de não terem, por exemplo, habilidades para desbloquear, não nos permite controlar melhor a forma como chegam ao campo de batalha.

Lá fora, além destes tropeços houve um problema maior e que não terá lugar na versão que vai chegar até nós no dia 15 deste mês. Uma vez que a acção se desenrola por turnos, temos também de assistir ao turno dos nossos inimigos onde, um a um vão mudando, ou não, a sua posição no campo de batalha. Muitos dos cenários estão repletos de inimigos, pelo que podem imaginar o que é, ter de assistir às suas movimentações, uma a uma, sem podermos passar à frente, ou pelo menos acelerar o processo. Lá fora este foi um problema, mas nós vamos receber uma versão mais actualizada que nos permite acelerar o turno dos nossos adversários. A Intelligent Studios a mostrar que ouve o que a sua comunidade tem para dizer e isso é de louvar.

Os Amiibos não foram também esquecidos e Code Name S.T.E.A.M. mostra compatibilidade com as figuras que correspondem precisamente à série Fire Emblem. Se jogarem a este título nas Novas Nintendo 3DS passem com elas no NFC da consola e recebam o apoio de personagens como Marth, Ike e Lucina. Cada uma traz consigo uma série de ataques emblemáticos da série Fire Emblem à qual pertencem e caso caiam em combate, passem novamente com a respectiva figura no NFC da consola.

Os jogadores mais competitivos também não foram esquecidos e por isso Code Name S.T.E.A.M. traz consigo um modo multi-jogador pronto a ser jogado localmente ou online contra outros jogdores. Temos batalhas, onde ganha a equipa que conseguir reunir o maior número de medalhas ou derrotar o maior número de oponentes, combates onde controlamos enormes robôs e até mesmo torneios.

O grafismo bem ao estilo de uma banda se desenhada, dão vida e cor a um título bem interessante. A Intelligent Game Studios saíu da sua zona de conforto e trouxe até nós um jogo com uma forte componente táctica, oferecida pela sua jogabilidade, capaz de desafiar os mais veteranos do género. Code Name S.T.E.A.M. marca sobretudo pela sua originalidade. As nossas acções no campo de batalha têm um enorme peso no sucesso da nossa missão só que é fortemente comprometido pela ausência de progressão das nossas personagens, algo a que estamos tão habituados em Fire Emblem, dos mesmos criadores.



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