Coimbra em Blues

4º Festival Internacional de Blues de Coimbra.

Já na 4ª edição, e sempre com assessoria artística do bluesman português, Paulo Furtado, 2006 vê chegar a Coimbra mais um punhado de nomes que dispensam apresentações para quem é apreciador do género e uma boa descoberta para quem quer conhecer.

A abertura do festival é feita pelas mãos de Little Freddie King, que apesar do nome remeter para o legendário Freddie King, a sonoridade da sua música remete-nos mais para o seu primo Lightnin’ Hopkins e o seu delta blues, ou não fosse ele natural do Mississipi. Little Freddie King é portador de um dos mais originais sons no blues actuais, resultado da fusão do blues do Mississipi com o blues de Nova Orleães, para onde se mudou ainda nos anos 50 – chamam-lhe country blues eléctrico!

Em 1970 gravou “Harmonica Williams and Little Freddie King”, aquele que se acredita ser o primeiro álbum de blues eléctrico gravado em New Orleans. É portanto mais do que um simples nome do blues; é história viva que já partilhou palcos com Bo Diddley e John Lee Hooker. A sua estreia em Portugal faz-se ao som do seu último álbum “You Don’t Know What I know”, lançado em 2005 pela editora Fatpossum Records. No palco com Little Freddie King, guitarra e voz, vão estar ainda “Wacko” Wade na bateria, Anthony Lee Anderson no baixo, e Bobby Lewis DiTullio, harmónica.

Na segunda noite repartem responsabilidades George Higgs e Adolphus Bell. A abrir a noite que se devota aos sons mais clássicos e tradicionais do blues na altura em que ainda não tinham descoberto a electricidade, temos George Higgs, natural de Speed, perto da Carolina do Norte, uma cidade lenta com nome rápido, como o seu blues.

Apesar de já não ser um jovem, foi à infância que foi buscar a sua harmónica, que comprou com o dinheiro da venda do seu cão ao vizinho do lado. Para além dela traz na bagagem o seu álbum de estreia “Tarboro Blues”, de 2005. A acompanhar a sua voz profunda, expressiva e densa, a sua guitarra acústica e a sua harmónica estará Tim Duffy na guitarra.

A ocasião faz o ladrão, poderá ser o epitáfio da vida de Adolphous Bell. Tal como Asil Adkins, o original one-man band, também Adolphous Bell se “adaptou” a este modelo devido às condicionantes da vida.

Depois de seis anos com a sua própria banda, Bell começou a ver os seus companheiros a afastarem-se, sem tempo para ensaiarem e, muito menos, para irem em digressão. Como sabia bem que a guitarra seria a sua vida, Adolphous Bell seguiu o conselho da mãe: já que eles não querem tocar, toca tu sozinho.

Canta, toca bateria, guitarra e harmónica, numa mistura de originais e clássicos do blues. Espera-se um final de noite em cheio com este homem que deu os primeiros acordes numa guitarra com George Benson, na sua Alabama natal.

Os blues tiveram um filho e chamaram-no de rock’n’roll, já dizia Muddy Waters. A última noite fica entregue a uma abordagem mais contemporânea do género. A começar com Kenny Brown que, se nada mais se pudesse dizer, bastaria referir que foi o braço direito do lendário R.L. Burnside nos últimos 25 anos, parceria que terminou o ano passado, altura do desaparecimento do legendário blueman. Mas também se pode encontrar uma considerável obra em nome próprio. Kenny Brown junta à sua guitarra e voz a guitarra de Jocco Rushing.

O final fica reservado aos Heavy Trash, o novo projecto de Jon Spencer e Matt Verta-Ray, dois dos nomes mais importantes do rock contemporâneo. Jon Spencer não é um desconhecido do grande público; este é, aliás, um regresso a Portugal (depois dos concertos no Sudoeste e em Paredes de Coura) e, mais especificamente, a Coimbra (depois da caótica actuação na Queima das Fitas, com a banda da sua esposa, Boss Hog).

Heavy Trash são Jon Spencer (Blues Explosion) na guitarra e voz, Matt Verta Ray (Speedball Baby) na guitarra, Ulrik Petersen (Nalna) na guitarra e órgão, Kim Hjort Jeppersen (Kim Kix) no contrabaixo e Jesper reginal Petersen (Yebo) na bateria. Do projecto pode-se dizer que é o meio-termo entre os Blues Explosion do primeiro e os Speedball Baby do segundo. Isto é, que os Heavy Trash são rock’n’roll puro, de olhos postos no blues e no rockabilly. Ou seja, mais Gene Vincent e Elvis Presley e menos Muddy Waters e John Lee Hooker.

O Programa:

16 de Março (21h30) Little Freddie King – Teatro Académico de Gil Vicente, Coimbra
17 de Março (21h30) George Higgs + Adolphus Bell – Teatro Académico de Gil Vicente, Coimbra
18 de Março (21h30) Kenny Brown + Heavy Trash – Teatro Académico de Gil Vicente, Coimbra



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