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“Colónia Penal (Le Bagne)” de Jean Genet

Encenada por António Pires, esta peça pode ser vista no Teatro do Bairro de 5 a 22 de Julho.

Colónia Penal é uma peça inacabada de Jean Genet, que chegou também a ser um guião de cinema, e que foi escrita e reelaborada ao longo de 15 anos, entre 1942 e 1964, sendo umas das suas três obras a ser publicadas apenas após a sua morte.

Como refere Luís Lima Barreto, a peça utiliza diversas formas de expressão literária, desde o poema em prosa, ao guião cinematográfico, e contempla um compêndio das temáticas que caracterizam o estilo de Genet: a prisão e o degredo como paraíso sonhado e perdido; a idealização de uma vida essencializada pela proximidade da morte; a exaltação do crime como meio dela se aproximar, a guilhotina como objeto santificado; o herói concebido como um banido, que espera esse gesto de sublimação e de libertação.

A Colónia Penal, o degredo, é um espaço idealizado, onde a morte, ou a aproximação dela, se torna num tema sempre presente e que faz a ligação entre todas as personagens.

Numa carta a Bernard Frechman, Genet chegou a considerá-la a sua maior peça, dizendo que se tivesse chegado a publicá-la ficaria “dez anos sem escrever”.

Sobre esta sua obra, Genet disse que o que o impeliu para o tema da Colónia Penal foi, sem dúvida, o seu desejo secreto de a viver. Ele passou diversos períodos da sua vida em prisões juvenis, chegando mesmo, mais tarde, a ser condenado a prisão perpétua, da qual se viu livre graças à intervenção de Jean Cocteau.

A narrativa pretende ser um poema, com uma forte presença erótica e brutalidade de linguagem, surpreende com as associações verbais inverosímeis, obrigando a um minucioso e constante trabalho de descodificação. A sua finalidade não é dar-nos conta do mundo exterior ou descrever uma colónia penal verdadeira.

Encenada por António Pires, esta peça pode ser vista no Teatro do Bairro de 5 a 22 de Julho, sendo que de 5 a 17 é enquadrada no programa do 35º Festival de Almada.

5 a 22 de Julho | TEATRO DO BAIRRO |

De 5 a 17 Julho – Segunda e Terça 18.00 |Quarta a Sábado 21:30
De 18 a 22 Julho – Quarta a Sábado 21.20 | Domingo 17.00

Encenação: António Pires
Tradução: Fátima Ferreira e Luís Lima Barreto

Com: Luís Lima Barreto, João Barbosa, Hugo Mestre Amaro, Rafael Fonseca, Gio Lourenço, Igor Regalla, David Spínola, João Maria, Francisco Vistas, Christian Martins.

Filme: João Botelho

Com: Márcia Breia, Francisco Tavares, Jaime Baeta, Carolina Campanela, Guilherme Alves.

Cenografia: Alexandre Oliveira, Figurinos: Luís Mesquita,  Caracterização: Ivan Coletti,
Luz|: Rui Seabra, Assistente de iluminação:  Cláudio Marto, Música: Paulo Abelho,
Assistente de som: Guilherme Alves, Construção de cenário: Fábio Paulo, Pinturas: Carine Demoustier, Imagem filme: Rodrigo Albuquerque, Som: Paulo Abelho, Edição: Edgar Alberto, Ilustração : Joana Villaverde, Produção executiva: Ivan Coletti,
Comunicação: Maria João Moura, Administração de Produção: Ana Bordalo, Produtor: Alexandre Oliveira

Produção: Ar de Filmes / Teatro do Bairro

M/16

Dur.Aprox. 100 m

 



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