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“Comissário Ricciardi vol. 1: Primeiros Inquéritos” de Maurizio de Giovanni

Quando a maldição até vem a jeito

Comissário Ricciardi – Primeiros Inquéritos, de Maurizio de Giovanni (2021, A Seita), é a entrada com o pé direito para o mundo de investigação do Comissário Ricciardi, ideal para os apaixonados por policiais ‘noir’.


Nascido da mente do escritor italiano, Maurizio de Giovanni (napolitano de gema), para um concurso de escritores policiais emergentes, no Gras Caffè Gambrinus, é até hoje dos personagens mais falados da literatura policial italiana.

São ao todo 13 romances do autor, todos ambientados na cidade de Nápoles dos anos 30.

‘I vivi e i morti’, história que deu o mote para os demais romances do autor, foi publicada na revista L’Europeo, em 2005, e abriu as portas para um mundo de aventuras policiais.

Em 2006, é publicado ‘Le Lacrime del Pagliaccio’ (Graus Editore), mais tarde reeditado pela Fandango, em 2007, agora com o nome de ‘Il Senso del Dolore – L’Inverno del Comissario Ricciardi’.

Seguiram-se as publicações em BD, sendo a primeira ‘Mammarella’, de Alessandro di Virgilio e Claudio Valenti (Cagliostro E-Press, 2010), ‘I Vivi e i morti’ de Alessandro di Virgilio e Emanuele Gizzi (Star Comics, 2015), e as novas adaptações dos romances pela Sergio Bonelli Editore, a partir de 2017.

A Bonelli lança, então, uma série quadrimestral do Il Comissario Ricciardi. Até ao momento, já foram publicados 10 números, e em 2018, lança a série anual, com o nome de Il Comissario Ricciardi Magazine, com as bandas desenhadas curtas do Comissário. As versões anteriores, lançadas pelas outras editoras acima referidas, também foram adaptadas a um registo BD curto e foi a partir destas que a Seita criou o volume 1 das aventuras do Comissário Ricciardi, agora disponível ao público português.

A Banda Desenhada Comissário Ricciardi – Primeiros Inquéritos, foi lançada em 2021, no Amadora BD e contém 3 BD retiradas das revistas italianas Il Comissario Ricciardi Magazine.

Dez Cêntimos (Sergio Brancato, Daniele Bigliardi), foi retirada da revista italiana Il Comissario Ricciardi Magazine #1, tal como a entrevista a Maurizio de Giovani; ao passo que Os Vivos e os Mortos (Sergio Brancato e Daniele Bigliardi) e Mammarela (Claudio Falco e Luigi Siniscalchi), foram retiradas da revista italiana Il Comissario Ricciardi Magazine #2.

Após o salto dos romances à BD, em 2021 surgiu a adaptação à televisão, uma coprodução Rai Fiction e Clemart, com o ator Lino Guanciale no papel de Comissário Ricciardi.

Segundo se sabe, o único pedido do autor Maurizio de Giovanni, relativo às adaptações BD, foi de que os desenhadores fossem napolitanos. Pedido fácil de satisfazer, já que Nápoles é a cidade da Scuola Italiana di Comix e berço de vários nomes conhecidos do ‘fumetto’ italiano, entre os quais a equipa que criou a imagem de Ricciardi: Daniele Bigliardo, Alessandro Nespolino, Luigi Siniscalchi e Lucilla Stellato.

As três histórias deste volume #1 do Comissário Ricciardi, estiveram ao encargo de Sergio Brancato (sociólogo, escritor de vários livros e argumentista do Comissario Ricciardi), Claudio Falco (médico e argumentista de vários volumes de Dampyr e Comissario Ricciardi), Daniele Bigliardi (fundador da Scuola Italiana di Comix e desenhador de Dylan Dog, Comissario Ricciardi), e Luigi Siniscalchi, também conhecido como Sinis (membro da Scuola Salernitana, desenhador de vários ‘fumetti’ italianos desde Dylan Dog a Nick Raider, Martin Mystère, entre outros).

Uma BD composta por 128 páginas a branco e preto, que conferem uma sobriedade às histórias e um ‘ambiente ‘noir’, em Nápoles dos anos 30, de si uma das grandes protagonistas das histórias do Comissário Ricciardi. Uma cidade pobre, mas digna, ciente da sua identidade, numa Itália em crise devido aos eventos que moldaram aquela década.

Estas três histórias abordam a origem do Comissário Ricciardi, desde a sua juventude, abrindo a porta para este mundo fraturado, obscuro, com um toque sobrenatural.

Luigi Alfredo Ricciardi, comissário da Brigada Móvel do Comando da Polícia de Nápoles, é um homem introvertido, com crises melancólicas, atormentado pela “maldição” que herdou da mãe. Ainda sob os atenciosos cuidados da sua antiga ama Rosa Vaglio, Ricciardi vive uma paixão platónica pela vizinha Enrica Colombo.

Ao seu lado nas investigações, está o Sargento Raffaele Maione, seu braço-direito, o seu Chefe, o Carreirista Antonio Garzo e o polémico médico legista, Doutor Bruno Modo, cujos ideais políticos o colocam, frequentemente, em maus lençóis.

Lembro-me daquele dia. Lembro-me bem.

Dez Cêntimos é uma espécie de prequela, que mostra os motivos que levaram um Ricciardi de 18 anos, a mudar de curso e a inscrever-se na Faculdade de Direito.

E nisto tudo, então quem sou eu? Estou vivo, ou talvez já esteja morto? E ninguém me disse?

Os Vivos e os Mortos, foi a sua primeira história premiada (1.º prémio), no evento organizado pela Porsche Italia (2005), onde Ricciardi vai investigar a morte de um padre e da dona de um bordel.

Mammarella… Deseja-me como mammarella…

Mammarella é a antecipação de Vipera (publicada em Itália, 2021), onde a vítima é uma prostituta assassinada num quarto trancado.

Comissário Ricciardi – Primeiros Inquéritos, de Maurizio de Giovanni, é uma compilação de três histórias policiais que apresentam um Ricciardi, atormentado pela sua capacidade sobrenatural, numa cidade que se mantém autêntica, numa Itália conturbada dos anos 30.


Encanta com os desenhos, fascina com as histórias. Perfeito para entrar no mundo de investigação de uma das personagens mais icónicas dos policiais italianos.



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