Contratempos

Entrevista ao projecto nacional.

Os Contratempos editaram o seu primeiro registo, “Algures, no meio do nada”, no início do Verão. Jovens e com garra, querem agora impulsionar e dinamizar o ska  e rocksteady nacionais, movimento do qual se sentem parte integrante e activa.

Os Contratempos auto-intitulam-se a primeira banda de ska nacional e provavelmente não estarão muito longe da verdade. Em 2005 lançaram o seu primeiro álbum onde nos apresentam o ska e rocksteady Jamaicano dos anos 60 com os Skatalites ou os The Slackers como principais referências.

Com três anos de formação, andam à procura do bilhete de identidade sonoro “(…)estamos num processo em que queremos descobrir o nosso próprio som”. No início, em 2003, e com uma formação ligeiramente diferente, a banda dedicou-se essencialmente aos covers de temas clássicos do ska e às actuações ao vivo “(…)para consolidar e aprender algumas coisas”.

Quando começaram a compor fizeram-no em inglês. No entanto, todas as composições são já na língua de Camões, à excepção de «Remember your Colours», da autoria de Alex, baterista do colectivo, também responsável pela percussão.

A produção do álbum foi uma aventura para a jovem banda, composta por oito elementos, tal como conta o teclista do grupo “Uma cena caseira que surgiu do dia para a noite. O André conheceu o João Mendes (actual vocalista) (…) e no dia a seguir estávamos no estúdio dele a gravar. Foi um grande altruísmo por parte do Mendes deixar-nos usar o estúdio”, afirma Luís Carmona.

Todo o processo se demonstrou complicado “(…)uma vez que o Mendes apenas tinha conhecimentos básicos de gravação, e nós não tínhamos nunca mexido em nada parecido”. No fim, a satisfação de terem o álbum na mão veio compensar o difícil percurso feito.

Sobre o movimento nacional de ska lamentam estar sozinhos no género e manifestam o “orgulho por sermos os primeiros”. Luís Carmona fundou em 2005, na procura de estimular a divulgação das bandas “irmãs” nacionais, o Movimento Ska .Sentindo-se parte integrante da cena musical, os Contratempos ambicionam construir “(…) um nome de referência do estilo em Portugal”.

Esta construção passa obrigatoriamente pelos concertos que vão dar nos próximos meses, bem como os que constam no currículo do colectivo “(…) já demos concertos de norte a sul do país e na Galiza também, onde ainda vamos voltar”.

O álbum agora editado é um capítulo encerrado para a banda que, ao não negar as fortes influências patentes em “Algures, no meio do nada”, afirmam que já passaram “pelos mais importantes estilos de música dos anos 60 na Jamaica”. Agora é imperativo procurar “(…)o nosso som, algo que se destaque a nível internacional das demais bandas de ska que existem pelo mundo fora”.

Concerteza a adesão recente à música vinda da Jamaica será uma ajuda preciosa para o êxito dos Contratempos que vêem esta crescente euforia à volta do reggae com alguma desconfiança, uma moda passageira, onde só vão ficar “(…)as bandas que realmente gostam da música jamaicana”.



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