Judith Barry em conferência sobre o seu trabalho © Lisa Marx

Conversa com Judith Barry

"All the light that's ours to see". Estreia internacional em Lisboa.

O espaço Lumiar Cité, onde se apresenta a estreia internacional da instalação imersiva da artista norte-americana Judith Barry, “All de light that’s ours to see”, promove a 18 de novembro, às 19h00, uma conversa online com a artista, moderada pelo investigador e filósofo Giovanbattista Tusa. Para participar é necessária a inscrição através do endereço de e-mail admin@maumaus.org.
   
A instalação, que pode ser visitada em Lisboa até 22 de novembro, apresenta um palimpsesto de imagens em dois écrans que interroga o público sobre as formas de visionamento através de uma variedade de ambientes, desde a época medieval até ao presente.

A obra de Judith Barry abrange uma variedade de disciplinas, incluindo instalação, ‘project-based research’, arquitetura / design de exposições, filme / vídeo, performance / dança, escultura, fotografia e meios digitais

Para a sua concretização, a artista apropria-se da história da Mondo Kim’s, uma famosa cadeia de clubes de vídeo de Nova Iorque, em particular da procura de um local para o depósito dos seus cerca de cinquenta e cinco mil títulos, após o encerramento definitivo da empresa. O mercado dos clubes de vídeo promoveu uma transformação nas convenções de visualização das audiências que, partindo da tradição de experiência coletiva entre estranhos na escuridão de uma sala de cinema, se transformou em novos usos domésticos e em novas tipologias espaciais (incluindo videojogos e redes sociais).
 

Esta alteração radical nos modos como vemos e nos relacionamos com as imagens em movimento e, consequentemente, das noções de partilha e de experiência coletiva, deu lugar às novas formas de espacialização inerentes aos meios digitais.
 

Um palimpsesto de imagens, apresentado em dois écrans, interroga-nos sobre as formas de visionamento através de uma variedade de ambientes, desde a época medieval até ao presente. Vários espaços e configurações arquitetónicas são representados: dos teatros de anatomia às bibliotecas e arquivos; dos teatros convencionais aos templos eclesiásticos e à ilusão de ótica do trompe-l’œil; das fábricas projetadas para acomodarem novas formas de organização do trabalho aos museus; dos palácios de cinema aos panoramas; dos gabinetes de curiosidades (kunstkammers) à pintura renascentista e barroca e a sua relação com o desenvolvimento da perspetiva, da escultura, da abstração e da imagem em movimento.

Ao mesmo tempo, estes espaços são questionados por meio da história da tecnologia, considerando a relação entre as formas mais antigas com a cibernética, a robótica, a internet, as realidades virtual e aumentada, e a inteligência artificial.

O leque de espaços aqui figurados permite ao espectador percorrer uma série de momentos históricos e, em paralelo, questionar as mudanças sociais, as relações entre os diferentes tipos de media e a permanente evolução dos hábitos de consumo. A obra é, assim, uma meditação elegíaca sobre a mudança de hábitos no visionamento de imagens e o modo como somos modelados pelas evoluções tecnológicas e pelas novas formas dos meios de comunicação.

 

Imagem: Judith Barry em conferência sobre o seu trabalho © Lisa Marx



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