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Conversa com Ricardo Diniz @ TEDxEdges

"I'm just a guy from Costa de Caparica..."

Caros passageiros, bem-vindos a bordo do veleiro da RDB. Alertamos para que vistam o colete salva-vidas, porque nesta viagem, a aventura estará sempre em primeiro plano. O ponto de partida continua a ser a Fundação Champalimaud, em Lisboa, lugar onde se partilha o conhecimento e de onde se consegue ver o Tejo unir-se com o Oceano Atlântico. Aposto com vocês que, se o mar falasse, teria tantas histórias divertidas assim como o Ricardo Diniz, o nosso “mestre a bordo”.

Ricardo Diniz é um jovem rapaz que nasceu na Costa de Caparica e desde os oito anos de idade soube muito bem o que queria ser quando fosse grande – velejador. A sua grande paixão pelo mar, e sobretudo o desejo de aprender a navegar, fez com que começasse por limpar os barcos, mas como não queria passar o resto da vida em limpezas, aos 18 anos parte para Southampton, em Inglaterra, onde estudou Ciência Ambiental Marítima e ao mesmo tempo tirou o curso de Yachtmaster (uma espécie de mestre de iates). Como não bastasse o seu temperamento irrequieto e persistente, Ricardo é também um lutador. Aos 21 anos já comandava um Catamaran nas Caraíbas, mas atenção que não se trata de nenhum pirata, e com um elevado espírito empreendedor, criou a Delfinus, uma empresa de consultoria de imagem e marketing desportivo, que apresenta um vasto leque de soluções, incluindo webdesign, marketing pessoal, gestão de eventos e acompanhamento de atletas. Contudo, e apercebendo-se que os seus projectos estavam a ter um forte impacto na imprensa Portuguesa e Internacional, em 2003 avançou com o Projecto “made in PORTUGAL” que tinha o objectivo de promover Portugal e os seus produtos e empresas, trabalhando valores comuns de inovação, tecnologia e qualidade. Actualmente, aos 34 anos de idade, o jovem rapaz Ricardo Diniz é Co-Fundador e Presidente do Portugal Ocean Race e Embaixador Europeu para os Oceanos, nomeado pela Comissão Europeia.

Em terra, transmite a força, a capacidade de perseverança e de luta no dia-a-dia como exemplo de que é possível fazer o que se gosta na vida. No mar, viaja sozinho (não é por acaso que é conhecido internacionalmente por velejador solitário) e não dispensa na sua pequena despensa um chouriço e um pão caseiro. Também é a partir do mar que partilha as suas vivências e aventuras de forma original, divertida e motivadora através das redes sociais e de vídeos que partilha no YouTube. Em modo de brincadeira, Ricardo admite que “muitas são as vezes em que penso neles [nos navegadores portugueses] e falo para eles. Tenho um imenso e profundo respeito e admiração pelos feitos desses Portugueses. Eu? Sou apenas uma pessoa que acredita e vai em frente, sem medo de falhar. E já foram bastantes as vezes em que falhei. Todos temos algo a aprender uns com os outros”.

O friozinho na barriga está sempre presente quando Ricardo Diniz se prepara para mais uma etapa. “Nunca é fácil nem natural ir para o meio do mar num veleiro, sozinho. O mar é forte e descobre todos os pontos fracos. Há que ter estaleca e ser muito bem organizado nas manobras e na preparação”. Foi com a palestra “Kick Ass or Get Lost”, no âmbito do tema “Being Social” das conferências TEDxEdges, que Ricardo Diniz afirmou que “sinto que as pessoas já têm tanto à sua volta  mas muitas vezes esperam por algo ainda melhor ou aquela coisa que ainda falta. Isso não faz sentido. Há que fazer com o que se tem. Começar… Acreditar” e para isso “há que fazer o mapa do que temos ao nosso dispor e começar com isso, seja muito ou pouco”.

Ao longo de mais de 70,000 milhas e 4 travessias do Atlântico, o equivalente a quase três voltas ao mundo, Ricardo Diniz partilhou para a RDB uma das histórias que mais o marcou, quer a nível positivo, quer a nível negativo. No ano 2000, numa parceria entre a Universidade de Pembrokeshire no País de Gales com o Instituto Superior Técnico, Ricardo Diniz participou na construção de um veleiro. “Foi mesmo especial ver o barco a nascer com o talento e empenho de diversos jovens. Depois, com esse mesmo veleiro, velejei sozinho rumo ao Brasil, mas tive azar e bati contra um contentor semi-submerso e tive de ser socorrido. Entretanto, investigámos o caso e estima-se que existam 80.000 contentores à deriva no meio do mar. É um drama ecológico e de segurança. Foi muito difícil para mim digerir esse acidente mas felizmente passos positivos e futuros sucessos ajudaram-me a digerir a frustração e os medos ganhos nesse projecto”.

Ricardo Diniz confessou-nos que, na sua opinião, “por vezes bastam ligeiras afinações para se conseguir uma vida mais feliz. Por alguma estranha razão, as pessoas esquecem-se que a vida é delas e que podem mesmo fazer dela o que quiserem”. Sendo assim, se calhar está na hora de pegarmos nas nossas ideias e nas nossas vontades e coloca-las em prática sempre com a ideia de que podemos ser bem-sucedidos. O facto de terminarmos este testemunho desta forma, não significa que seja o fim da nossa viagem. Muito pelo contrário. Trata-se do início de muitas viagens que a tua vida pode dar, basta quereres.



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