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Convites duplos “Cinema no Terraço” @ ZDB – 28 de Setembro

Quantas ilhas tem o arquipélago do Japão?

2 CONVITES DUPLOS PARA A SESSÃO DE 28 DE SETEMBRO DE “CINEMA NO TERRAÇO: JAPÃO MAIS FORA DEIXA O MUNDO À NORA” NA GALERIA ZÉ DOS BOIS – BAIRRO ALTO – 22H



SINOPSE

Desde a década de 1960 que a musica pop é um tema querido ao documentário. E há várias razões que explicam esse afecto. Por exemplo, as ditadas por acasos históricos: na mesma altura em que o rock explodiu como força cultural e fenómeno artístico, as câmaras de filmar tornaram-se mais acessíveis e portáteis. E, por consequência, os acontecimentos mais fáceis de captar.

Filmar o aqui e o agora da música, dos cantores, do som tornou-se irresistível e a ficção, com todas as suas implicações políticas, não ficou de fora. A pop e o rock prestavam-se a narrações, ofereciam personagens, mitos, lendas. Nos anos 60 e 70, Don´t Look Back (sobre um artista), Gimmer Shelter (sobre um festival e uma banda), The Last Waltz (sobre um concerto) rapidamente construíram um cânone que o punk veio, senão estilhaçar, pelo menos interrogar. Em 1977, as promessas da música popular já tinham caído, e esse desencanto foi bem capturado pelas imagens cheias de grão, laranja, preto e vermelho, de The Decline of Western Civilization I, de Penelope Spheeris, e o preto e branco do punk de Nova Iorque, nos documentários de Lech Kowalski.

Depois de um leve adormecimento na década de 80, o primeiro decénio do século XXI, tem sido prolífico em documentários dedicados à música popular. A portabilidade da câmara de filmar (agora através do vídeo) reencontrou-se com desejo da narração, de contar as histórias, mais ou menos trágicas, épicas ou (até) burlescas. Um aspecto inédito foi, entretanto, sobressaindo: a consciência de um passado, de um carácter histórico (já lá vão 60 anos) e a noção (estimulada pela globalização cultural e a Internet) de que existem outras tradições, mesmo que originadas pelo hegemonia anglo-saxónica.

Nas sessões de “Japão mais fora deixa a mundo à nora” encontramos o desejo de contar, de trazer, pelas imagens em movimento, as histórias por detrás da música; neste caso, histórias “exóticas”, periféricas, marginais. E a vontade de acrescentar aos géneros da musica popular, nomeadamente ao jazz e ao rock, outras narrativas.

O Japão é um dos poucos países que ombreia com os Estados Unidos, a Inglaterra ou o Brasil em termos de influência cultural à escala planetária. O cinema, o anime e o manga são talvez as faces mais mediáticas desse poder. Já a sua música popular (que ingere e recria as referências anglo-saxónicas desde 1950) só a partir de meados dos anos 90 conheceu a atenção e curiosidade de jornalistas, críticos e músicos. Primeiro, com nomes considerados de cultos ou familiares a certos contextos (Shonen Knife, Cibo Mato, Boredoms, Ground Zero), depois com as edições de obras pouco conhecidas e a divulgação de músicos como Keiji Haino, Acid Mothers Temple, Merzbow, High Rise, Kan Mikami, Corrupted, Ghost ou Mainliner. O efeito, em particular nos Estados Unidos, foi impressionante. Da cena noise à psicadélica, tocando as fronteiras do mainstream e do indie, a benigna invasão japonesa foi recebida por bandas e músicos como os Black Dice, Sightings, Comets On Fire, Animal Collective, Damon and Naomi, Sonic Youth, Julian Cope, No-Neck Blues Band, Four Tet ou Deerhoof. E no universo da música experimental e do jazz, nasceram novos circuitos e colaborações, onde participariam, entre outros, Yoshihide Otomo, Sachiko M, Nobukazu Takemura, Merzbow, Yamatskua Eye, Aki Onda ou Tetuzi Akyama.

É um mundo extenso, complexo, fascinante, o da música nipónica. E não está completo, nem será fixo por qualquer imagem. Move-se com os músicos que habitam estes filmes.

FILMES

Fushitsusha / 1991.9.26 19:15~20:08
1991, PSF Records, 53’, DVD, cor
Keiji Haino: Voz e guitarra | Yasushi Ozawa: Baixo | Jun Kosugi: Bateria

The Complete Works of Jojo (Action direct 1 / Masayuki Takayanagi)
1990, Yasunori Saito e Kyoko Saito, 59’, DVD, cor

Kaoru Abe Live at Passe-temps
1977, 90’, VHS para DVD, cor

Psychedelic Speed Freaks Live
1986, 24’, DVD, cor
Nanjo: Baixo e voz | Narita: Guitarra | Ujiie: Bateria

Les Rallizes Désnudés
1992, Ethan Mousiké, 87’, DVD, cor

Estes filmes serão exibidos em vários espaços da ZDB. O concerto de Kaoru Abe será projectado no Terraço.



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