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COPPIA

Uma relação a dois

Parelha, dupla, casal, par e ainda réplica, reflexo e repetição. São os vários significados da palavra COPPIA, de onde surgiu a ideia para este espetáculo que conjuga dança e música num palco convertido num campo de ténis. Um convite do Centro Cultural de Belém feito a Manuela Azevedo com liberdade para construir um projeto de raiz, foi o ponto de partida. Um convite recebido como honra e ao mesmo tempo com algum receio, devido à responsabilidade que sentiu que isso acarretava e à vontade em fazer algo diferente.

A escolha tornou-se complicada, mas acabou na palavra COPPIA (de origem italiana), com significados ambivalentes entre o italiano e o português e que retrata um pouco das relações humanas a dois: um par de músicos e um par de bailarinos. Numa procura de algo simples e mais próximo do público, a palavra que dá nome ao espetáculo foi o “click” desbloqueador de que precisava. Em entrevista com a vocalista dos Clã descobrimos que este projeto concretiza um desejo da artista em trabalhar, como ela diz, com “a linguagem da dança” e com o coreógrafo Vitor Hugo Pontes como seu cúmplice nesta área. Como cúmplice na música e na continuação da ideia de dupla, Hélder Gonçalves é o par que acompanha Manuela. O jogo de “dois a dois” aliou-se à dinâmica do jogo de ténis, aqui praticado não por dois tenistas profissionais, mas por dois bailarinos, acrescentando “um toque bem-humurado e surreal” e curiosamente, adequado ao repertório selecionado. Quando se funciona a dois, mesmo sendo contra o outro, tem que haver alguma colaboração para a luta existir e o jogo do ténis aplica-se a isso. “Às vezes passas a bola, outras vezes não queres passar a bola, às vezes em luta, outras vezes em colaboração… às vezes é partilha, outras vezes é fuga. Mas pareceu-nos ser em muitos aspetos o sítio ideal para se passar esta viagem toda.” Isto é, mesmo que haja vontade em vencer o adversário, a colaboração é indespensável para o funcionamento de algo construído a dois.

Até a própria digressão do espetáculo encontra a sua relação entre dois países, Portugal e Macau (com tradução dupla em inglês e em chinês). Talvez também por causa do número dois é que este espetáculo só é apresentado durante dois dias no Teatro Municipal de São Luiz.

Dentro da ideia de dupla, podem-se encontrar canções sobre dois amigos, dois parceiros, amores e desamores. Mas no sentido português da coisa, encontra-se a ideia de reflexo, de cópia e de instabilidade existencial do indivíduo, que acaba por se converter numa espécie de réplica do outro. É um espetáculo que joga com a dualidade da ironia, que se confunde com a seriedade e a brincadeira, mostrando um certo sentido de humor sobre nós próprios. No entanto, esta COPPIA enquanto espetáculo, é algo único e feito a partir do gosto por aquilo que se faz e pelo desafio em encontrar coisas novas.



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