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“Coriolano”

Coriolano tem uma visão do mundo que defende com mão de ferro. É inflexível nos seus valores, e não se preocupa com palavras suaves, o que lhe custa o amor do povo e, eventualmente, uma pátria a que chamar sua.

No palco, uma escadaria, alta e imponente, que faz fugir a memória para a escadaria da Assembleia da República. Um período de fome assaltou Roma, e o povo está insatisfeito. Os cidadãos manifestam-se, de paus e pedras nas mãos. Cidadãos esses que podemos ver de jeans e sweatshirts; a aristocracia que governa Roma surge de fato, e os soldados de farda militar. Cada um usa o que o representa, o que lhe serve, e a Coriolano serve-lhe bem o camuflado de Guerra.

De acordo com o encenador Nuno Cardoso, esta peça é “tida como o testamento político de Shakespeare”. A personagem que lhe dá o nome, interpretada por Albano Jerónimo, é um soldado, a “maior máquina de matar” em toda a obra do dramaturgo britânico. Coriolano, previamente Caio Márcio, tem uma visão do mundo que defende com mão de ferro. É inflexível nos seus valores, e não se preocupa com palavras suaves, o que lhe custa o amor do povo e, eventualmente, uma pátria a que chamar sua.

Nuno Cardoso pediu a Fernando Villas-Boas uma tradução “crua, com grão”, e foi a partir da mesma que a dramaturgia começou. Para Cardoso, trabalhar o Coriolano foi sempre algo com os dias de hoje em mente. Afinal, os textos clássicos são universais e intemporais, têm “uma espessura tal que ressoa pelas épocas.” E para fazer jus a tal texto surge um elenco de 13 actores que consegue encher o palco, tanto num cenário de guerra como numa cena entre mãe e esposa, esposa e mãe.

No meio do fumo, da confusão e da míngua de um povo, sob uma luz fria, surge uma história que nos faz pensar, tanto em Coriolano e nos cidadãos de Roma, como no país que se estende à saída do teatro.

 

 

Coriolano de William Shakespeare
Tradução Fernando Villas-Boas
Encenação Nuno Cardoso
Com Albano Jerónimo, Afonso Santos, Ana Burstoff, António Júlio, Catarina Lacerda, Daniel Pinto, João Melo, Luís Araújo, Mário Santos, Pedro Frias, Ricardo Vaz Trindade, Rodrigo Santos, Sérgio Sá Cunha

De 9 de Janeiro a 2 de Fevereiro

Sala Garrett
19h 5ª a Sábado 21h Domingo 16h
M/12
Duração 3 horas (com intervalo)
Coprodução TNDMII, Ao Cabo Teatro, Teatro do Bolhão, Centro Cultural Vila Flor, Teatro Viriato, TNSJ

 



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