CP#5 Amélie Poulain

Amélie Poulain.

Corria o ano de 2001 e no cinema pouco ou nada se passava, uma vez que os blockbusters americanos destruíam tudo à sua passagem, não deixando espaço para pequenos filmes independentes e surpreendentes. Eis que surge Amélie Poulain.

Uma doce rapariga francesa que vive num modesto, mas criativo, apartamento em Paris, com um emprego de garçonette, aparentemente igual a tantas outras meninas, com uma infância talvez um pouco mais triste, tímida, reservada, isolada do mundo exterior. Tudo muda ao encontrar uma caixa com recordações da infância de alguém no seu apartamento. Amélie decide então encontrar o dono da caixa, proporcionando-lhe assim uma viagem no tempo, até à sua infância. Esta experiência transforma-a e ela encontra um objectivo para a sua vida: ajudar os outros, seja no que for, de que maneira for e mesmo que estes não saibam que querem ser ajudados e, ao perseguir este objectivo, encontra o seu grande amor.

Amélie é apaixonante do princípio ao fim. O seu mundo fantasioso suga-nos para uma Paris perfeita, limpa, cheia de cores, de sabores, de VIDA! Jean- Pierre Jeunet fez questão que assim fosse e em filmagens exteriores, limpava tudo à sua volta, desde lixo a graffitis para perpetuar o mundo fantástico em que Amélie se desloca.

Audrey Tatou assim veio ao mundo, assim se revelou , por muitos “Códigos Da Vinci” que faça, há-de ser sempre a menina fabulosa que nos fez acreditar no amor e na bondade. Será sempre impossível dissociá-la da imagem de bonequinha que a fotografia de Amélie Poulain lhe conferiu.

Se é que os meus textos servem a alguém, gostava que, se ainda não viram os filmes que falo, que os vejam e se já viram que os vejam agora de forma diferente, reparem nos pormenores, como a cor verde atravessa o filme, conseguida através de um filtro verde na câmara para perpetuar a fantasia e os apontamentos de banda sonora, que se perdem algumas vezes, quando são sobrepostos com as falas do narrador. Yann Tiersen foi aplaudido pela banda sonora a nível internacional e virou os olhos do mundo para a valsa.

É-me quase impossível falar deste filme, porque não lhe encontro uma imperfeição. Lembro-me que na altura li algumas críticas negativas, mas eu não consigo achar defeitos num filme que me fez sair do cinema e sorrir para a vida. Amélie transporta-nos para o seu mundo de fantasia com uma narrativa frenética, mas não incómoda, e uma personagem pela qual todos nos apaixonamos e pela qual torcemos o filme todo.

Assim sendo, o meu único conselho é que vejam Amélie Poulain, sem preconceitos, sem esperarem uma lição de vida, mas que retirem dele essa mesma lição, a de que a vida pode ser levada descontraidamente e que a felicidade está nas pequenas coisas.

Só não podia acabar este texto sem dizer que o gnomo a passear pelo mundo é genial. Não é uma ideia original do realizador (pesquisem e descubram) mas não deixa de ser genial.



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