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Cristiano Mourato – Smolik

No mês em que o Festival de Animação de Lisboa comemora 10 anos de vida, conversámos com o vencedor do ano passado, Cristiano Mourato e ficámos a conhecer “Smolik”, o filme que lhe deu o galardão de Melhor Filme Português.

Natural de Lisboa, Cristiano Mourato nasceu em 1986 e decidiu enveredar profissionalmente pelo mundo da animação após ter assistido ao filme “A Suspeita” de José Miguel Ribeiro. Em 2004 iniciou o seu percurso académico no CITEN (Centro de Imagem e Técnicas Narrativas do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian) onde tirou o curso de Som, Imagem e Movimento e o curso de Animação de Volumes leccionado por Nuno Beato e Lonrezo Degl’innocenti. Posteriormente tirou a licenciatura em Som e Imagem na ESAD.CR (Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha) onde criou “Yulunga” e “Smolik” que arrecadaram prémios variados, nomeadamente no festival Ovarvídeo de 2009 onde venceu na categoria de melhor jovem criador e também no festival  MONSTRA que considerou “Smolik” como o melhor filme de animação português de 2009.

A vitória na MONSTRA continua ainda hoje a ser muito importante no percurso de Cristiano Mourato tanto a nível pessoal como profissional, “A participação, e a consequente vitória na categoria de melhor filme português de estudantes no festival MONSTRA ainda hoje tem repercussões pois o festival tem muita visibilidade a nível nacional e internacional”. Exemplo disso são algumas das propostas que lhe têm surgido, nomeadamente o convite para ser docente da disciplina de Introdução à Animação na ESAD.CR.

Sobre “Smolik” conta-nos que “Embora num mundo particular, estes, são personagens como eu ou outra pessoa algures no planeta. Que sofrem, que se exibem, que aprendem a viver em comunhão com outros seres”.

Quem conhece o seu trabalho saberá que a banda sonora é algo a que presta particular atenção. Em “Yulunga” tinha escolhido trabalhar com a canção dos “Dead Can Dance” do mesmo nome, mas foi com “Smolik” que trabalhou pela primeira vez com um compositor, Fernando Mota. “O resultado não poderia ter sido melhor. Para além do projecto ter ganho dimensão, foi uma experiência muito boa. Sinto-me privilegiado. Ele é um grande profissional”. O produto resultante é uma absoluta comunhão entre a imagem e o som, tornando a música parte essencial na visualização do filme.

Actualmente está a frequentar um workshop internacional em quatro das melhores escolas da Europa e a leccionar um curso de audiovisuais na Parede. Tem por objectivo vir a especializar-se em realização na escola francesa “La Poudriere”, pois na sua opinião é uma das áreas da qual Portugal carece mais na animação.

Em relação ao mercado português considera que: “Portugal tem talento e já deu provas que consegue estar no palmarés internacional no que toca a curtas-metragens, mas no que diz respeito a séries ou outro tipo de produção industrial, as coisas não são tão agradáveis. Precisamos fundamentalmente de visibilidade nos mercados internacionais. Precisamos de mais apoios, especialmente do Estado. Mas existe outro problema que penso ser fundamental. Portugal precisa de formação de qualidade”.

Sobre projectos para o futuro, revelou-nos que se encontra a trabalhar na sua próxima curta-metragem de animação a qual estará terminada no final deste ano.



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