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“Culpa” de Jeff Abbott

Dois jovens, um acidente fatídico e verdades esquecidas

A rapariga sobreviveu e conseguiu arrastar-se em direção à luz brilhante do sol, e o rapaz morreu e entrou na terra fria, levando um segredo consigo. E então o mundo que conhecia virou-se contra ela.

Mas alguém vira tudo, e esperava, e perguntava-se quanto daquela noite Jane Norton de facto recordava.

Culpa, do autor Jeff Abbott (Porto Editora, 2018), vai além de um thriller, sendo uma amálgama de géneros, repleta de tensão e mistério, onde novas descobertas conduzem a mais questões, e levam o leitor a ponderar sobre a verdadeira identidade do perpetrador do crime e as razões que levaram a isso.

Terá sido Jane, numa tentativa de suicídio, como sugerem? Ou será esta, apenas, uma pequena peça num esquema superior?

A velha Jane morrera, todas as versões de David morreram. A nova Jane, produto da fúria e da tragédia de uma noite escura, não sabia mais nada, até despertar, volvidos quatro dias, sem se lembrar de nada, nem do seu nome, da cara da mãe, do acidente, do que lhe acontecer na cama do hospital, ou dos últimos dezassete anos da sua vida.

Jeff Abbott desenvolveu uma história num molde inusual, com uma protagonista imperfeita, danificada, que comete, e cometeu, uma série de erros. Uma narrativa, que decorre a início, a um passo um pouco lento, dado que os primeiros capítulos são dedicados, maioritariamente, a explicar os relacionamentos de Jane, pré e pós amnésia; porém, à medida que a história avança, torna-se uma leitura mais dinâmica e apelativa.

Existem, por vezes, alterações temporais, especialmente durante as descobertas de Jane, na sua busca pela verdade, que por breves momentos dão a sensação de travar o suspense, mas que terminam por conferir uma visão mais ampla das situações ocorridas.

Um dos pontos a favor, é sem dúvidas, o facto desta heroína, apesar de sofrer de amnésia, não se limitar, nem aceitar, o papel de vítima passiva, mas sim, tomar as rédeas da situação e ser, ela mesma, quem deverá encontrar toda a verdade, independentemente das consequências.

Assim sendo, a sua amnésia não é uma mera inconveniência, consequência de um momento trágico e obscuro, mas um ponto de partida, e o motor da história em si, dado que toda a verdade sobre aquela noite, depende das suas memórias ‘roubadas’.

Mas será que Jane realmente perdeu a memória, ou será apenas um disfarce para que não a responsabilizem legalmente pela morte de David?

Que razão teria para querer terminar com a própria vida? E porque estava com David, quando todos sugerem que já não eram amigos como antes?

Culpa

Jane Norton e David Hall, são dois jovens de liceu, vizinhos, residentes nos subúrbios de Austin.
A vida quis que a amizade e cumplicidade que, outrora, existira entre ambos sofresse algumas alterações, levando a que os dois se afastassem e seguissem rumos diferentes.

Como tal, várias questões surgem quando após uma noite terrível e escura, Jane e David têm um acidente, de onde apenas Jane sairá viva e sem memória.

Após o seu coma, Jane perde, totalmente, a memória, recuperando, lenta e parcialmente alguns detalhes da sua vida até à morte do pai, sendo que daí em diante, tudo está em branco.

Ingenuamente, tenta recomeçar a sua vida do início, tarefa, que se vai verificar, árdua de cumprir, dada a hostilidade que a atinge por parte dos ex-companheiros de escola e de Perri Hall, a mãe de David, que a culpam pela morte do mesmo. Para colmo, surge uma nota de suicídio, escrita pelo pulso e cunho de Jane, posteriormente, encontrada e revelada, que sugere que o sucedido naquela noite, não só não foi um acidente, como na sua tentativa de suicídio, David faleceu por estar no lugar errado à hora errada.

Estas dúvidas atormentam-na, sai de casa, abandona a escola, e vive ora como sem abrigo, ora no apartamento do seu amigo Adam, no campus.

Após uma altercação com Perri Hall no cemitério, no aniversário do acidente, Jane volta ao apartamento de Adam e, ao verificar a sua página nas redes sociais, lê uma mensagem, por parte de um utilizador desconhecido, denominado, Liv Danger.

(…) Havia, no topo, um novo post, de hoje, de alguém com um nome de utilizador que não reconhecia: Liv Danger. Sentiu um formigueiro na cabeça. Aquilo seria um nome real? Lia-se no post: “Sei que afirmas não te lembrar, Jane. Sei o que aconteceu naquela noite. E vou contar. Vão todos pagá-las.

Após tal mensagem, críptica e ameaçadora, tudo muda, pois Jane decide, não só, resolver o mistério da verdadeira identidade daquele utilizador, como também, tentar, passo-a-passo, recordar o máximo possível da sua vida anterior, e do que realmente ocorreu naquela noite.

Para tal, elabora uma lista de suspeitos, e no decorrer de muita pesquisa, rodeada de grandes perigos e surpresas reveladoras, eis que a verdade vem ao de cima, e o que se descobre, apesar de não ser, exactamente, uma revelação chocante, é um golpe duro de aceitar.

O bilhete de David significava alguma coisa. Tinha de ser, assim guardado, protegido, preservado como estava. Não estava pronta para confessar à mãe que o tinha consigo. Talvez lhe desse uma margem de manobra com as pessoas da lista. Uma espécie de passaporte. David estivera em apuros e ela queria descobrir porquê.

Culpa, de Jeff Abbott, é um thriller, repleto de voltas e reviravoltas, desconfiança, e respostas surpreendentes, onde a protagonista amnésica, irá investigar o seu próprio passado. Uma narrativa interessante, que assim que o leitor entra no ritmo, não vai querer parar de ler até saber toda a verdade.



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