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D’ Bandada Optimus Discos @ Porto

Uma experiência a repetir.

No sábado passado, 15 de Outubro, a Optimus financiou trinta concertos gratuitos espalhados pela baixa do Porto. A adesão foi tal que “confusão” é a palavra que mais se tem ouvido de quem esteve lá.

Se a ubiquidade jornalística existisse, teria sido perfeita para este dia. O bom disto tudo é sermos optimistas.

De bloco e câmara fotográfica na mão, misturaramo-nos na multidão que ocupava todos os espaços de rua desde Cedofeita até aos Clérigos, acabando na Vitória. Mas vamos por partes.

Chegados à Livraria Lello ao princípio da noite, a fila começava nos Leões. Impacientes, queríamos entrar mas chegamos dez minutos antes de começar. Ficamos de fora, mas diz quem lá esteve que “a Lello foi perfeita para Osso Vaidoso e Noiserv” e que o “som começou por ser fraco mas valeu bem a experiência”.

Não sabemos se foi por causa da Manifestação dos Indignados se pelo Festival Trama ou, ainda, por ser sábado à noite, mas o Porto parecia carregar todos os seus habitantes e visitantes que seguiam em debandada tal qual uma noite de São João.

Depois de furarmos a multidão, chegamos ao Café Ceuta. Entramos! O calor era imenso. Pessoas a jantar, a tomar café, à espera dos concertos. Muita gente sentada e muita, muita, gente de pé. Com jeitinho, encontramos um sítio perfeito.
Entre copos e pratos que se partiam, cozido à portuguesa e francesinhas, o Café Ceuta encheu rápido para ouvir Minta & The Brook Trout que, afinal, era Minta & Old Jerusalem e, por fim, Márcia.

O concerto começou despercebido, outra vez por culpa do som das colunas e das pessoas que jantavam.

A primeira música foi tímida, mas depressa começaram a ganhar audiência. «The Right Boulevards» e «Large Amounts» foram algumas das músicas tocadas, com tempo para a novidade «From The Ground» e aparição de Márcia a fechar com «Song To Celebrate Our Love». Francisca Cortesão (Minta) e Francisco Silva (Old Jerusalem) complementam-se na perfeição: são vozes aconchegantes e música que nos envolve, dando espaço a uma espécie de sonho. Pena mesmo, foi não ter sido mais intimista. Eles mereciam.

Uma Márcia grávida sobe ao palco. Não sabemos se foi do calor, mas o concerto começa com uma espécie de advertência: “está um ambiente caótico, um pouco diferente do que estou habituada a solo”. Fez-se silêncio para ouvi-la cantar. E como cantou bem e como o som melhorou. Falou-se da reedição do “Dá”, cantou-se em português, ouvindo-se músicas como «Pele Que Há Em Mim» e em francês com «Ça Me Dit» e um “como estão sempre a por-nos juntas nos concertos, eu e a Minta aproveitamos” para um final em grande com «P’ra Quem Quer».

Descendo a rua, fomos encontrar uma multidão que olhava para o Divan. The Doups, banda que abriu para Franz Ferdinand no Campo Pequeno em 2009, tocavam na varanda um Indie-Rock para dançar que pôs toda a gente bem-disposta. “Cá fora, está-se melhor”, ouvimos dizer. Cada um na sua janela, deram um espectáculo para os que quiseram ouvir e para todos os que por ali andavam. E aproveitando a deixa de «Now I’m Going», seguimos para a Rua Galerias de Paris.

Mais um gigantesca fila para ouvir You Can’t Win, Charlie Brown no bar Galeria de Paris. Cá fora, possíveis foram só as fotografias, já que não deixavam entrar mais ninguém. Mas podemos dizer que o público lá dentro estava ao rubro. David Santos, João Gil, Tomás Sousa, Afonso Cabral, Luís Costa e Salvador Menezes fizeram com que a boa onda contagiasse quem lá estava e no fim, ouvimos dizer “só foram quatro músicas, mas foi demais.”

Depois disto era hora de seguir para o Mosteiro São Bento da Vitória. Descer os Loios e passar a Rua das Flores foi uma experiência única. Chegados lá, deparámo-nos com vários problemas.

Primeiro, o staff da Optimus esqueceu-se de dar pulseiras a algumas pessoas que estiveram a assistir, dentro dos espaços, aos concertos, e segundo vozes circundantes “os espaços deviam ter menos staff para poder entrar mais pessoal”. Muitos ficaram de fora, recusando-se a voltar atrás para pedir pulseiras. Porém, convém dizer que o local escolhido para o encerramento foi perfeito. DJ Stereossauro e DJ Ride cavalgaram a noite como se não houvesse amanhã e quem lá esteve, esteve bem.

A Optimus foi muito optimista e teve uma grande ideia. No Porto, Sábado à noite já é caótico e, com bandas de borla, a malta aproveita. A sugestão fica aqui, proferida por um membro do público: “bom era mesmo ser em dias da semana com concertos intimistas. Mas estamos cá para o ano e à espera de mais, foi uma experiência a repetir”.



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