Da mão para a boca

Afinal, aqueles episódios irreais passados em Lisboa não precisam de ficar num canto da memória. Oiçam-nas às sextas-feiras na Oxigénio.

Procura-se

Galinhas que desapareceram de casa, magalas que têm uma Gina por companheira, amores nascidos nas viagens de barco para o Barreiro, raparigas que procuram padres para assunto sério, deputadas que comem cágados ao pequeno-almoço, esquizóides que se excitam por pisarem larvas, velhas que atacam desconhecidos com versos eróticos ou domésticas que confessam as suas frustações sexuais à sua máquina de lavar…

Depois deste anúncio, já nada pode vir de bom. Mas foi assim que Bernardo Mendonça e Rui Portulez decidiram dar a conhecer o programa “Da mão para a boca”, emitido na Rádio Oxigénio, em 102.6 FM, às sextas-feiras entre as 9 e as 10 da manhã.

O ponto de partida é na verdade simples. Certamente, todos os que vivem na capital têm uma ou duas estórias para contar. Daquelas que se calhar até ficam guardadas para nós mesmos, de tão surreais que são. São precisamente essas estórias que se ouvem neste programa. Sem quaisquer restrições de conteúdo, pretende-se episódios reais, contados em formato A4 por quem os viveu.

O programa nasceu na verdade com outro propósito. Em Outubro de 2005, o seu propósito era apenas o de ser um espaço de sugestão literária, por onde passaram escritores como Adília Lopes, Luís Pacheco, Bernardo Soares, Gonçalo M. Tavares ou Bimba Landmann. Isto, até que aparece na rádio, pelas mãos de Bernardo Mendonça, o livro “Pensei que o meu pai era Deus”, de Paul Auster, que reúne cerca de 100 histórias reais recebidas pelo escritor durante a realização de um programa mantido na National Radio em Nova Iorque. Paul Auster desafiava igualmente os ouvintes a escreverem-lhe breves episódios da vida real para serem lidas e comentadas em antena.

Lisboa não é Nova Iorque, mas haverá para aí acontecimentos dignos de relatar. Daí que os apresentadores “Da mão para a Boca” tenham decidido abandonar o formato até agora aplicado e começar também eles a pedir relatos aos seus ouvintes. A este pedido juntou-se o de anexarem o nome, idade, profissão e localidade onde vivem para conhecerem o perfil de quem envia os textos.

Entre estórias sobre um pastor que pastava árvores, poetisas perdidas por Lisboa ou a relação que uma rapariga mantinha com a escova de dentes, tudo se ouve aqui.Ao que parece, o programa vai passar a ser diário, tal a quantidade de aventuras e desventuras relatadas.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This