Damian Marley no Coliseu

Damian Marley, ao vivo no Coliseu de Lisboa.

Ainda não tinham batido as nove horas e a rua das Portas de Santo Antão estava repleta de gente que entrava e saia dos restaurantes. O Benfica ainda jogava com o Barcelona e o jogo estava a ser renhido que baste.

Dentro do Coliseu já se ouviam os baixos característicos do reggae e os fãs mais ferrenhos de Damian Marley ocupavam a dianteira. No palco, actuava Prince Wadada. Era tempo para o warm up e o público respondia aos apelos de Wadada antecipando o que se verificou ser uma grande festa com o Coliseu dos Recreios a abarrotar. Afinal, o público não sabia só as músicas da estrela maior da noite, os mais recentes êxitos do género foram por diversas vezes cantados em uníssono.

As luzes baixam e a música de fundo desaparece, já é tempo dos Empire Band subirem ao palco: um guitarrista, um baixista, dois teclistas e um baterista, a par com duas back vocals.

De seguida surge um speaker de óculos cómicos que, como quem anuncia um rei, dá o mote à entrada de Damian Marley. Saltitante, de rastas gigantescas e roupas largas, Damian levou o Coliseu à apoteose.O palco só ficou completo quando o porta-bandeira da Jamaica entrou e resistiu estoicamente toda a actuação de estandarte em punho, enquanto o Marley mais novo abanava o Coliseu dos Recreios.

O alinhamento contemplou temas como «Me name is Mr Jong» de Mr Marley e primeiro êxito de Jr Jong» bem como «Where is the love» e “And you be loved”, de Halway Tree e claro, quase todos os registos de «Welcome to Jamrock», depois se ter iniciado a actuação com «Confrontation».

No concerto da passada terça-feira quem esteve em palco não foi um dos filhos do Bob Marley, mas sim Damian, o músico. E quando, insolitamente, me perguntaram o que vinha ver, se o Damian ou o Marley e não soube responder, agora digo que vi o Damian. Bob Marley esteve presente, mas em forma da forte herança musical que deixou, reinterpretada, reinventada por um dos maiores músicos do reggae contemporâneo, que sem pudor cantou temas do pai como «Could you be loved» ou «No more trouble».

As músicas ragga e dance hall revelaram-se os momentos altos da actuação de “Jr Jong”, os rewinds tão característicos do reggae foram doseados certeiramente, as baladas interpretadas por Damian não dispensaram os isqueiros que pediu para o público empunhar e que foram substituídos pelo telemóvel. «There For You» foi cantada por Damian e o público.

Não seria justo se as back vocals não fossem referidas, mesmo que as suas vozes estivessem quase inaudíveis durante todo o concerto, acompanharam Marley sem pestanejar e incendiaram a sala.

“Jr Jong”, por seu lado, é dono de uma voz limpa e de um flow trabalhado que nunca desiludiu. Ao longo de aproximadamente duas horas de espectáculo prendeu o público com momentos de rara competência e perfeição. O encore foi mais uma hora de concerto e de forma pujante interpretaram-se temas como «For the Babies», interligado com «Exodus», ou o primeiro single «Welcome to Jamrock». O Coliseu tremeu.

Outro dos momentos altos foi protagonizados por «Road To Zion». Mesmo com a ausência do rapper Nas, Marley fez deste tema um dos mais aplaudidos e um hino de resistência babilónica, bem ao estilo profético do reggae.



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