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Damien Jurado @ Musicbox (04.05.2016)

Intimista, curto e intenso

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Lá fora a noite está abafada mas ameaça chuva. São 22h30 à entrada do Musicbox. Lá dentro o projecto de Tamara Lindeman, The Weather Station, está a terminar a actuação. Não há tempo para absorver muito, infelizmente. É folk, há uma guitarra nas mãos de Lindeman e uma bateria a acompanhar.

A casa está muito bem composta mas não está cheia. Até ao início do concerto ainda vão entrar mais algumas dezenas de pessoas e é seguro dizer que a moldura humana que aguarda por Damien Jurado é bastante agradável. Entretanto, enquanto a sala continua a encher e o palco continua a ser preparado para receber Jurado e a sua banda, escutam-se os Grizzly Bear no sistema de som da sala. É uma boa forma de passar o tempo.

Às 23h Jurado entra em palco com a sua banda. São cinco elementos a contar com ele. Uma guitarrista, um baterista, um baixista e um teclista (essencial na criação de muitos dos ambientes que alimentam as canções de Damien Jurado).

Começa num registo quase funk. O som é cheio e maduro. Os instrumentos não se encostam uns aos outros. Complementam-se e o resultado final só pode ser bom.

Enquanto soam os primeiros acordes de «Exit 353», Damien Jurado fita a sala com um olhar solene e sério. Já perto do final da canção, o som do microfone falha por alguns momentos. Nada de grave e alguns segundos depois estão prontos para se jogarem a «Lon Bella». Duas magníficas canções do recém editado “Visions of Us in the Land”.

As letras de Jurado nunca são simples. Exigem reflexão e atenção. As palavras não são ditas ao acaso. Há um propósito. Há registos claramente biográficos e outros que o são embora possam não o parecer à primeira vista. E há também as referências bíblicas aqui e ali, já habituais e que vão de encontro à professada (pelo próprio) fé cristã.

Por vezes o som não se comporta à altura daquilo que os músicos nos oferecem em palco; canções de corpo inteiro. Não estamos ali à espera de ouvir um hit ou “aquele” single. Contentamo-nos com grandes canções. O folk é musculado e sempre com um princípio, um meio e um fim. Com uma estrutura flexível o suficiente para não se deixar apanhar por rótulos e lugares-comuns.

Por esta altura Jurado ainda mal de dirigiu ao público mas a verdade é que ninguém se incomoda com isso. O ambiente é acolhedor e de cumplicidade, ainda que no início pareça existir uma barreira invisível entre a banda e o público, que canção após canção enfraquece, até que, a pouco mais de meio, já não há qualquer sinal dela.

«Nothing is the News» de “Maraqopa” e «Walrus» do novo álbum fecham a actuação antes do encore e de forma brilhante, com Jurado a cantar bem lá do fundo “I got to go back to the city / I got to go back to the city”.

Uma «Kola» despida e simplesmente complexa nos sentimentos que aborda marca o regresso, só, ao palco com Jurado a cantar “I will remember you / The way you are right now”. Há ainda tempo para uma falsa partida para a «Museum of Flight» para Jurado pedir que desliguem uma ventoinha que teima em se fazer ouvir. Jurado pede desculpa e que confiem nele porque vai soar melhor. Nós desculpamos, nós confiamos e o que se segue é uma interpretação acústica simples e perfeita. “Don’t let go / I need you to hang around / I am so broke / And foolishly in love”. Depois a banda volta ao palco para encerrar um belo concerto, curto mas intenso.

Fotografia © José Eduardo Real

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