Damien Jurado + William Tyler @ Musicbox (03.09.2013)

Damien Jurado + William Tyler @ Musicbox (03.09.2013)

Os últimos não são sempre os primeiros.

Na rentrée do Musicbox, pouco mais de meia casa aguardava William Tyler, que agora apresenta o segundo disco de originais, “Impossible Truth”, e o já experiente cantautor Damien Jurado. Com o decorrer da noite, tornou-se claro que a mobilização do público foi mais intensa para uma primeira parte que, de facto, se revelou mais envolvente que a actuação principal.

Adivinhámos-lhe as origens bem antes de anunciar que as suas raízes estão em Nashville, Tennessee. Os acordes, os dedilhados de tons quentes e a afabilidade e candura com que William Tyler comunica com o público denunciam os calorosos ares do sudeste norte-americano.

Foi uma performance honesta, de coração aberto. A diferentes tempos, recordamos Kaki King, pela destreza profundamente emocional, ou Norberto Lobo, pelo óbvio virtuosismo na evocação de paisagens distantes e um toque subtil de experimentalismo. Sentimos que, mais do que canções, os temas de “Impossible Truth” são delicadas fracções do baú de memórias de William Tyler, desde as tentativas de cortejo a uma ex-namorada a uma longa viagem de comboio por Israel, passando pela visita a algumas das cidades-fantasma dos Estados Unidos.

Passado o testemunho a Damien Jurado – que, após cinco anos sem tocar em Portugal, apresentou no Musicbox “Maraqopa”, o seu álbum mais recente – os termómetros marcaram uma descida na temperatura. Na verdade, o cantautor apresentou-se sozinho em palco, num formato acústico, por defeito mais intimista. Contudo, a tentativa de comunicar com o público tardou. Oito temas e mais de meio álbum depois, à parte de uns sumidos agradecimentos ao final de cada tema, Jurado confessou: “Normalmente sou muito falador, mas hoje não sei o que dizer. Isto é muito estranho.”

Com alguma ajuda dos presentes na primeira fila, o canadiano acabou por elogiar a “coragem” de pintar uma rua de cor de rosa e fintou uma tentativa de compromisso mais sério com Lisboa, dizendo que não escreveria uma canção sobre a cidade no dia seguinte, porque “seria bizarro”. “Amanhã toco em Espanha”, rematou, mostrando-se divertido.

O conciso concerto provou que, de facto, as canções de “Maraqopa” são sólidas e que a parceria com o produtor Richard Swift continua de boa saúde. Sentimos falta, no entanto, de uma maior profundidade vocal e instrumental que confere ao disco a sua aura mais transversal, que evoca sobretudo sonoridades folk e rock dos anos 60 e 70.

Contas feitas, o saldo acabou por ser mais positivo para William Tyler, que ofereceu ao público um concerto emocionalmente mais rico e recompensador, mas quereremos ouvir o que Damien Jurado trouxer no bolso da próxima vez.



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