Danny e o Profundo Mar Azul

Danny e o Profundo Mar Azul

"Nunca planeei uma única coisa na minha vida. Nunca fiz o que quer que fosse. As coisas vão-me acontecendo.”

Danny (Tiago Fernandes) e Roberta (Margarida Moreira) são duas almas atormentadas que vivem em mundos doentios. Ele, sem objectivos e com sérios problemas de socialização. Ela, assombrada pelo passado e por um cruel sentimento de auto-punição. Duas personagens que até então pareciam largadas à sua própria sorte, que se encontram naquela noite, naquele bar. Num ambiente pautado pela decadência do vazio, entre eles, uma ligação violentamente intensa. Violentamente poderosa.

O pecado e a culpa parecem ser os únicos companheiros da sua existência. Uma existência que parece reduzir-se a um puzzle no qual tentam encaixar todas as perdas, todos os traumas, todos os medos do passado.

Um certo pessimismo é o que predomina nas primeiras cenas, onde aquelas duas figuras de peso trágico se movimentam por entre os seus próprios fracassos e angústias. Exploram-se ao detalhe os percursos de ambos. Sentimos nas mãos a intolerância de Danny. Compreendemos a necessidade de isolamento de Roberta. Deparamo-nos com duas figuras destituídas de poder e de vontade de viver.

Estamos perante um cenário de humilhações e tormentos. Mas não estamos perante uma narrativa. Na realidade, as histórias de ambos são simples e esquemáticas. São angústia e miséria. São uma dolorosa constatação do fracasso. É disso que nos fala a peça. De um grito de desespero perante o acto de fracassar. Um grito através do qual vão encontrar a união entre ambos.

Uma união intensa e comovente. É assim que acontece com eles, entre eles. Sem terem resolvido, em definitivo, as suas angústias, conhecemos-lhes agora novos detalhes. Se antes aparentavam estar rendidos à evidência da sua condição de fracassados, agora parecem acreditar na existência de algo maior. Uma qualquer grandeza face à pequenez que é o Homem.

“Nunca planeei uma única coisa na minha vida. Nunca fiz o que quer que fosse. As coisas vão-me acontecendo.” Mas, a partir de agora, tudo pode ser diferente.

No público, (re)nasce a crença no poder redentor do amor.

 

Uma adaptação do argumento de John Patrick Shanley da companhia «Below the Belt Teatro Co» para ver até 26 de Outubro, no Teatro Turim. De Quarta a Sábado às 21h30.

 



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