“Dark Lord: a Adolescência” | Jamie Thompson

“Dark Lord: a Adolescência” | Jamie Thompson

Nas trevas também se sonha

No ano de 2008, com vista a promover o humor e o riso como um factor importante no que diz respeito à leitura, foi criado, em Inglaterra, o Roald Dahl Funny Prize. Desviando as atenções para os autores e ilustradores que se dedicam a livros que fazem do humor o ingrediente principal, o prémio divide-se em duas categorias: livros para crianças com 6 anos de idade (ou idade inferior) e crianças dos 7 aos 14 anos.

Em 2012, na categoria dos 7 aos 14 anos, o prémio foi atribuído a Jamie Thomson pelo livro “Dark Lord: a adolescência” (Booksmile, 2013). Para além do júri, também cerca de 200 crianças selecionadas de escolas do Reino Unido fizeram parte do processo, recebendo os livros e discutindo-os com os seus colegas antes de se decidirem pelo mais engraçado de todos.

O livro conta a história de Dark Lord, o temível Senhor das Trevas, caído em desgraça por uma grande jogada do seu arqui-inimigo Asdrúbal, o Purificador, que, por artes mágicas, o consegue enviar para o nosso mundo, colocando-o no pouco ameaçador corpo de um adolescente.

Com o seu anel do poder inutilizado, Dark Lord olha-se ao espelho e, incrédulo com aquilo que vê, interroga-se tristemente: «onde estavam os seus caninos enormes e o seu crânio de ossos salientes?». Confundido com um qualquer Duarte Lopes por causa da sua voz esganiçada, o Senhor das Trevas aceita ir viver com a Família Purificação – composta pelo pequeno Cristovão, a mãe catequista e o pai médico -, onde irá preparar a sua terrível vingança.

Obrigado a frequentar a escola para não passar por um pequeno-grande desmiolado, Duarte Lopes irá travar amizade com Sus, uma gótica a quem carinhosamente tratará por Filha da Noite, e que vê nele o gótico mais louco de todos os tempos. Tentando fugir ao controlo apertado de Maldonado, o director da escola, Duarte Lopes e amigos irão recolher os ingredientes necessários para realizarem a cerimónia de regresso do Senhor das Trevas ao seu reino. Coisas tão fáceis de arranjar como casca de ovo de dragão, pestana de andarilho nocturno, barba de tirano ou uma mão de bruxa, tudo sob o olhar atento de um eclipse.

Dark Lord é o triunfo absoluto da imaginação, uma metáfora sobre a necessidade de, quando colocados perante o lado cinzento e monótono da realidade, lhe aplicarmos umas pinceladas com a tinta de que são feitos os sonhos. Afinal, como diz às tantas o pequeno Cristovão, «sem o Dark Lord, o Senhor das Trevas, ou o Pueste Lorpa, todos eles passavam, outra vez, a ser apenas crianças, uns miúdos impotentes sem nenhum controlo sobre as suas vidas».



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