David Byrne & St. Vincent | “Love This Giant”

David Byrne & St. Vincent | “Love This Giant”

“Love This Giant” tem personalidade, talvez até dupla

É inevitável mas, sempre que surge um álbum em que dois nomes decidem unir esforços para criar uma nova peça, única e original, há tendência para torcer o nariz. Normalmente, o resultado fica sempre uns furos abaixo daquilo que cada uma das partes faria a solo. São trabalhos que em que a componente experimental acaba muitas vezes por ganhar um protagonismo exacerbado que, de propósito ou não, retira valor ao resultado final. Mas será esse o caso de “Love This Giant”?

“Love This Gant” não é, de todo, fruto do acaso. Desde as primeiras ideias, das primeiras conversas e rascunhos até ao seu lançamento, passaram cerca de três anos. É um álbum que resulta, em parte, da admiração recíproca que existe entre David Byrne e St. Vincent, e isso torna-se claro após algumas audições.


A primeira canção, «Who», é um exemplo da dicotomia que se pode sentir ao longo do álbum, sem que isso seja sinónimo de perda de qualidade. Por um lado, temos a secção de metais – saxofone, corneta e clarinete para ser mais preciso – tão característica nas composições de Byrne; por outro, a guitarra desconcertante e frenética de Clark. É quase diabólico.

À segunda música, «Weekend in the Dust», percebemos que “Love This Giant” também tem a capacidade de pôr corpos a dançar, com uma batida contínua e uma secção de metais a soar mais grave – desta vez escutam-se trompetes, tubas e saxofones –, enquanto Annie Clark repete “I don’t get it, just don’t get it / I don’t get it, just don’t”.

«Dinner for Two» e «I Am an Ape» são perfeitas para dissipar quaisquer dúvidas que poderiam ainda subsistir quanto às vozes de David Byrne e St. Vincent combinarem bem ou não; encaixam de uma forma estranha mas extremamente eficiente e inebriante.

A secção de metais desempenha um papel essencial ao longo das canções de “Love This Giant”, como um fio condutor, um denominador comum, incutindo uma sonoridade muito própria, e onde a influência de David Byrne acaba por ser aquela que é mais facilmente identificada. Aqui, a abordagem pouca ortodoxa que David Byrne faz à música pop é lei e Annie Clark acolhe o conceito de braços abertos. Escute-se «Lazarus», talvez um dos objectos mais estranhos do álbum e, ao mesmo tempo, um dos mais interessantes. Ou «Optmist», onde se pode escutar um registo diferente de St. Vincent, numa canção pop, simples mas que nos permite apreciar a sua voz em todo o seu esplendor.

Já em «Lightning» pode-se escutar Clark a cantar “There’s a funny lightning / Threatening with striking / But it moves too quick for a picture “, com a canção a progredir e a dar a clara sensação de que, a qualquer momento, vai explodir, mas é puro engano – um autocontrolo meticuloso. A fechar com chave de ouro está «Outside Of Space & Time», que confere um ar solene perfeito.

“Love This Giant” tem personalidade, talvez até dupla.



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