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David Fonseca

O maravilhoso mundo de David.

Entre as ondas da memória de David Fonseca, há silêncio a 4, lugares pintados de platina, disparos fotográficos e viagens musicadas de norte a sul. O seu quarto álbum, “Between Waves”, é o terceiro disco consecutivo do músico a alcançar o primeiro lugar do top, logo na primeira semana. Para ele, o futuro é hoje, e certeza só tem uma: a de que [quase] tudo está ainda por alcançar.

Melómano assumido, David Fonseca considera-se um músico numa procura constante de novas soluções e de novos sons. Cada novo disco editado torna-se num acontecimento mediático, mas o músico ainda se surpreende quando alcança o topo.

Tendo entrado directamente para o número um no top do iTunes e da tabela nacional de vendas, “Between Waves”é, para David Fonseca, a reconstrução do presente, onde surgem alguns pedaços de memórias que a pouco e pouco se vão juntando: “É mais introspectivo do que o anterior, “Dreams in Colour”, mas não necessariamente melancólico. É um olhar para trás, uma espécie de ressaca da festa”. Desde sempre ligado ao mundo da fotografia, David Fonseca “ilustra” este álbum com a imagem de uma praia no momento em que a onda rebenta no corpo: “Como faço muitas digressões, acontece-me acordar sem saber onde estou. É como levar com uma onda”.

Composto e escrito na íntegra por David Fonseca, “Between Waves” – marca o seu regresso – à semelhança do que aconteceu no primeiro disco a solo “Sing Me Something New” – à performance de praticamente todos os instrumentos incluídos no disco: baixo, guitarra eléctrica e acústica, piano, bateria, percussão, sintetizadores, etc. Disponível em vários formatos – CD, CD+DVD, vinil e digital -, o álbum existe também numa edição especial que inclui um poster, uma foto autografada, uma t-shirt e um cartão de acesso à comunidade online Amazing Cats Club.

A propósito da “Between Waves Tour”, que teve o seu início em Faro, David Fonseca assume que é disciplinado nas digressões, mas não as encara como momentos de brainstorming criativo: “Quando ando em digressão, ando em digressão. Mas talvez ajudasse, seria mais rápido (risos). Confessa não ser crente na inspiração, e aproveita para compor nas viagens que o distanciam de casa: “Para este disco, juntei material que nunca mais acabava. É o resultado de muitas experiências de estrada, onde tinha sempre o gravador comigo. Acabei por contar uma espécie de viagem do dia seguinte”.

Life through a laptop

Desde o primeiro dia de gravações deste último álbum, o músico partilhou com os fãs, em diversas redes sociais, confissões, expectativas e desabafos, chegando mesmo a usar este meio para lançar um repto para arranjar uma “substituta” para Rita Redshoes (que se viu obrigada a abandonar a banda, por ter cada vez mais sucesso a solo). Francisca Cortesão, singer songwriter portuguesa, mais conhecida por Minta, foi a escolhida para integrar a banda de palco de David Fonseca. Apesar de tudo, esta busca de um novo elemento para a banda não foi fácil: “Deve haver mais pessoas à porta dos Ídolos do que para fazer parte da minha banda. É um defeito dos nossos tempos: as pessoas estão mais interessadas em brilhar e não em perseguir uma profissão. E brilha-se pouco”.

Nunca descurando a faceta mediática da música e um apaixonado pelo mundo cibernáutico, David Fonseca desenhou o seu primeiro site e adere a todas as redes sociais, tendo milhares de visitantes no Twitter, Facebook, Hi5 e Myspace: “Acho que é uma óptima maneira de comunicar com as pessoas, de estar mais perto de quem nos quer mais perto.”

O músico criou recentemente uma comunidade online, a “Amazing Cats Club” que permite aos seus membros (“Amazing Cats”) o acesso a conteúdos desenvolvidos pelo artista e em condições especiais – músicas inéditas, vídeos exclusivos, webcasts, fotos, download de concertos, etc. “Permite, acima de tudo, o diálogo com quem está do outro lado, podendo funcionar até como tubo de ensaio”.

Sobre o facto de o novo single, «A Cry 4 Love», já ter sido descarregado milhares de vezes, como perspectiva desse mundo novo, o músico leiriense já pensa de modo diferente: “O single foi uma forma de lançar o site. A música não deve ser distribuída gratuitamente, deve ter um preço. Creio que os artistas deveriam estar a receber pela causa, pelo mínimo que fosse, nem que fosse apenas por uma questão moral”.

Da eterna insatisfação

Já foi nomeado três vezes para o prémio da MTV Best Portuguese Act, – quatro, se se contar com a nomeação pelos Humanos, mas nunca ganhou: “Sou o eterno perdedor (risos). Mas ser nomeado é bom, pois é uma forma de saber que ainda estou cá. Os prémios não me animam assim tanto. Estou mais ocupado com outras coisas que me preocupam.

Eterno insatisfeito, David Fonseca tenta sempre não cair na monotonia criativa, experimentando caminhos menos prováveis. Exemplo disso são os dois remixes incluídos neste último álbum – «TheWayThatYouDo» por Paulo Pereira e «A Cry 4 Love» por Rui Maia -, sendo esta uma área que David Fonseca pretende explorar: “ Fiz isso no tempo dos Silence 4, com o “Only Pain is Real”. É uma forma de levar a música a sítios onde não iria. O «A Cry 4 Love» não passa numa discoteca. Esta é a forma de passar nesses lugares”.

Prevê um futuro incerto, mas sempre cheio e a caminhar por entre artes. Cinema e fotografia são dois amores supremos que não exclui dos passos a dar: “Agora estou com o novo disco e vamos para a estrada. Mas daqui a um ano não estarei. Tenho um livro de polaroids que nunca fiz – tenho cerca de quatro mil de há 10 anos – e gostava de experimentar algo no cinema, mas não sei se tenho talento”. Certeza só tem uma: a de que está tudo ainda por alcançar, mas afinal “não é da insatisfação que vive a criação?”.



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