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David Fonseca | Entrevista

“Eu espero que o espetáculo continue a cumprir essa função de arrancar as pessoas de uma certa realidade e levá-las numa viagem.”

O artista David Fonseca aproveitou momento de pausa obrigatória para organizar o seu arquivo musical e assim, poder compilar alguns temas que teve que deixar para trás ao longo da sua carreira. É através de “Lost and Found B-Sides and Rarities”, editado a 24 de Julho deste ano, que o músico volta no tempo e que nos promete levar numa viagem nostálgica, com cerca de dezasseis temas que ganham vida neste projeto.

Rosária: Como é que foram os tempos da quarentena?

David: Foram como toda a gente, acho eu, porque não é assim muito diferente ser músico ou estar noutra circunstância. Eu acho que a única circunstância diferente, no meu caso, foi que eu trabalho em casa, portanto não houve uma diferença gigantesca entre aquilo que eu fazia antes e o tempo da quarentena em si. Eu passei grande parte do tempo a trabalhar, a fazer música e a procurar outras coisas que não necessariamente música. Mas, pelo menos, usei o meu tempo de forma criativa durante quase todo o tempo da quarentena. Sinceramente, ainda há pouco tempo falei sobre isso e acho que nem dei pelo tempo passar.

R: Em termos de criatividade, porquê pegar agora nestes temas e torná-los oficiais. Como é que surgiu essa vontade?

D: Basicamente, porque organizei o meu arquivo, que é uma coisa que eu já tenho há muito tempo para fazer, mas que nunca tinha dado e quando apareceu o confinamento em geral, eu pensei “bem, aqui está uma boa oportunidade para organizar o arquivo”. Que é um arquivo gigantesco, digital, de vinte e tal anos com muitas canções, muitos vídeos, muita coisa. E nunca cheguei a organizá-lo todo como eu queria. É uma tarefa que vai acontecendo, fui encontrando estes temas e pondo numa pasta onde escrevi “temas já editados mais esquecidos”. Ou seja, que já tinham sido editados por alguma razão mas, que tinham sido esquecidos ao longo do tempo. Pensei que iam ser uns três, quatro que iam aparecer nessa pasta mas acabaram por figurar quinze e achei que era uma altura oportuna para pôr isto na minha discografia. Não eram projetos nem maquetes, tinham chegado ao seu fim como canções. E não fazia muito sentido para mim não existirem em espaço público. Foi por isso que tomei essa decisão de fazer os lados B.

R: E como é que descreves este Lost and Found B-Sides and Rarities? O que é que, no fundo, acaba por distinguir este último álbum dos anteriores?

D: Para já, este álbum é uma coletânea, os outros não são coletâneas, foram pensados para serem discos. Este é um atalho de diversas coisas ao longo de quinze anos. Nesse sentido, não é um álbum clássico. E o que o distingue é que as canções que nele estão agrupadas são canções que por uma razão ou outra são um bocadinho mais…é como se fossem não as ovelhas negras, mas um parente distante das outras canções porque, por norma, estas canções só saem dos discos por duas razões: ou porque são muitos distantes do que se está a passar nesse disco, ou porque nesse disco já existem ambientes muito semelhantes e eu achei que não valia a pena pôr mais uma. Então elas saem, porque geralmente são muito bicudas ou porque são muito para um lado ou muito para o outro e, nesse sentido, agrupá-las todas para mim é interessante porque se ouve, de alguma maneira, algumas das partes mais bicudas da minha composição que nem sempre estão presentes, principalmente nos singles e canções mais conhecidas.

R: Ao ver no YouTube, parece que só as músicas portuguesas é que acabam por ter vídeo. Há alguma razão especial para isso?

D: Não, não. Isso aconteceu porque essas 3 canções que estão com vídeo – que são o É-me igual, o Senso e o Sem aviso – são temas que foram lados B, singles mesmo em vinil. E, na altura, como não as lançámos em mais nada, achei que era a única forma que as pessoas tinham de as ouvir e fiz vídeos para pôr no YouTube, apesar de não estarem no Spotify, no iTunes. Mas existiam apenas como um vídeo do YouTube e foi por isso.

R: Imaginavas-te a dedicar mais de tempo ao cinema? Nota-se nos videoclipes que há uma determinada estética.

D: Sim, eu já pensei nisso. Mas precisava de pelo menos mais três quarentenas e espero que não haja mais nenhuma. Precisava de muito mais quarentenas porque eu acredito que, para fazer alguma coisa no cinema, preciso de escrever tudo do início e acho que o meu filme teria de ser um bocadinho como os meus discos são. Isto é, eu preciso de ter mão em todos os aspetos disso e é uma coisa que demora muito tempo. Tem de ter o seu tempo de reflexão e erro. Repara, fazer um disco demora talvez um ano, um filme demoraria muito mais provavelmente, porque ia envolver muito mais pessoas, tem partes muito mais complexas. Mas não digo que não. Eu gostava muito de fazer uma banda sonora, mas nunca aconteceu. Tive um ou dois convites que acabaram por não se concretizar, mas eu adorava fazer uma banda sonora porque acho que seria um bom passo para eu estar mais próximo dessa área e era uma coisa que eu gostava muito de fazer. Pode ser que aconteça no futuro.

R: E se surgisse um convite para realizar um argumento já feito? Que fosse do teu agrado também.

D: Tinha de gostar muito do argumento, tinha de me dizer muito pessoalmente. Mas gostaria de o fazer, seria um desafio imenso, para além de tudo o que fiz como as curtas-metragens na escola de cinema e os meus videoclipes.

R: Sentes que a essência dos Silence4 continua presente de alguma forma no teu trabalho a solo ou encaras como dois projetos diferentes?

D: Acho que não tem nada a ver uma coisa com a outra. Quer dizer, a única coisa presente é que é a mesma pessoa que faz as músicas, porque as canções dos Silence4 na sua grande maioria era eu que fazia e, nesse sentido, há uma evolução natural entre aquilo que eu estava a fazer com a banda e que venho a fazer mais tarde. É claro que a banda tem um som específico pelos elementos que a compõem. Eu acho que as bandas se definem em si. As canções podiam ser as mesmas se eu estivesse a fazer as canções a solo, mas não soariam provavelmente da mesma forma e, nesse sentido, acho que há uma evolução natural em relação a isso. Eu acho que o que ficou mais dos Silence4 é a sensação da primeira vez porque, a primeira vez que ensaiamos, que estivemos juntos a tocar numa sala, o formato acústico… eu lembro-me de ter sido um momento muito especial para mim e, provavelmente, para todos. Lembro-me de comentarmos isso muitas vezes. Dá-me a sensação que estamos a fazer as coisas com o mesmo entusiasmo da primeira vez e isso é essencial para quem faz música ou qualquer coisa criativa.

R: Mas em termos melódicos, achas que ainda há uma herança dos Silence4?

 D: Não faço ideia. Eu quando fazia as canções não estava a pensar que elas iam ser tocadas pela banda. Grande parte das músicas do primeiro álbum dos Silence4 já existiam antes sequer de haver uma banda. Eu não as construí para aquela banda específica. Portanto, pra mim a pergunta é muito mais se aquelas canções ainda fazem algum sentido para mim, e fazem! Aquilo que eu fazia nos Silence4 é uma coisa que eu acho muito difícil: que é fazer canções muito simples com três ou quatro acordes. Muito simples acerca daquilo que nós queremos dizer e isso ao longo dos anos complica-se mais, porque há uma certa simplicidade que é difícil de repetir, senão parece a mesma coisa. Aliás, isso já se vê no segundo álbum dos Silence4. Vê-se que há uma mudança muito presente de um momento para o outro. Mas muitas vezes vou lá na mesma, continuo a gostar de canções com aquela simplicidade, apesar de achar que há outras coisas a explorar e que é isso que me leva a querer continuar a fazer música. E também ninguém me diz que o primeiro disco dos Silence4 agora não teria nem sequer um centésimo do impacto que teve na altura, porque também tem a ver com o tempo em que as coisas são feitas.

R: Provavelmente, também por serem músicos portugueses a cantarem em inglês naquela altura?

D: Sim, se bem que não fomos os primeiros. Havia muitas bandas a cantar em inglês na altura. Eu acho que fomos os primeiros a ter sucesso daquela forma, isso sim. E isso é que mudou um bocado o paradigma das bandas em inglês e mudou muito o mercado. Eu lembro-me das editoras começarem a assinar bandas a cantarem em inglês como se não houvesse amanhã, o que foi um disparate, também. O sucesso existia por uma série de razões que não necessariamente o inglês. Mas mudou o paradigma de como as bandas que cantavam em inglês eram aceites no público em geral e pra isso contribuíram não só os Silence4 como os The Gift, os Blind Zero… Outro tipo de bandas que estavam a fazer sons completamente diferentes do nosso e que provavam que nada tinha a ver com o inglês, mas antes com a abordagem ou com a personalidade que cada projeto imprimia.

R: E imaginavas-te a voltar a pertencer a uma banda?

D: Sim. Por acaso imagino muitas vezes, porque estar sozinho num projeto às vezes é muito entediante. Quando se faz uma canção, e eu sempre fiz assim, à exceção dos Silence4. Mas mesmo nos Silence4 eu fazia as canções e estas já chegavam feitas ao local de ensaio. Nós depois ensaiávamos, mas com a particularidade que a banda tinha. Eu nunca tive uma experiência de uma banda onde as canções são construídas ali no momento. Nem sequer sei se isso faz parte da minha forma de ser. Eu acho que uma canção tem de ter uma vida específica fora da sequência de acordes ou da forma como se enleia. Mas gostava! Gostava de o fazer, nem que fosse para mudar um bocadinho o processo.

R: E poderia ser com alguns membros dos Silence4, como uma espécie de regresso com outro nome?

D: Eu acho que não. Não acho que isso seja muito lógico. Pra isso podia ir buscar um elemento dos HUMANOS. Para fazer uma banda, mais valia que fosse uma coisa que eu nunca fiz.

R: E se pudesses fazer uma parceria com alguém, quem é que seria?

D: O Tom Waits. Mas ele não quer, já lhe telefonei diversas vezes e ele insiste em não atender os meus telefonemas (risos). Sei lá, com tantas pessoas que eu admiro imenso. Com muitas já fiz, felizmente. Já colaborei tantas vezes com o Sérgio Godinho, que é uma pessoa que eu admiro tanto. Mas há muitas com quem eu gostava de colaborar. Eu ao longo dos anos fiz muitas parcerias com a Luísa Sobral, com a Malu Magalhães, com a Rita Red Shoes. Tive projetos com imensas pessoas. Tive um com o Samuel Úria em que estivemos a cantar músicas do Cohen; tive um com a Márcia… há muita gente com quem eu já trabalhei e que me sinto orgulhoso por tê-lo feito. E mais haverão de certeza. Mas mais do que descobrir com que pessoas ainda me faltam trabalhar eu tenho a sensação de que me falta conhecer alguém que eu não conheço, e que de repente olho pra pessoa e tenho muita vontade de trabalhar com ela. Aliás aconteceu-me com a Alice Wonder neste último disco, que era praticamente uma desconhecida quando a convidei. Era uma miúda que cantava no YouTube em Espanha e que, eu achei tanta piada à voz dela, achei tão diferente, que a convidei para fazer um dueto. E entretanto, ela tem o seu percurso e cresce cada vez mais em Espanha.

R: O tema Só Depois, Amanhã tem um significado especial neste álbum?

D: É o primeiro single. O Só Depois, Amanhã tem uma história um bocadinho curiosa, porque era a única canção que não estava gravada de todo. E eu quis que pertencesse a este álbum porque foi um tema que demorou muito tempo a preparar antes de isto tudo acontecer. Eu conto a história do tema: o Só Depois, Amanhã era para fazer do disco Futuro Eu, um disco todo em português e era um tema que me parecia religioso, como aqueles que eu ouvia quando era miúdo na igreja de São Tiago dos Marrazes. Então decidi pedir ao Filipe Melo para fazer um arranjo para a filarmónica da minha aldeia tocar e eu cantava por cima, era essa a ideia. O Filipe Melo fez o arranjo, a filarmónica chegou a tocar o arranjo e a ensaiá-la. Só que entretanto os prazos da saída do disco apertaram muito e nós não podíamos esperar porque já tínhamos tudo montado, a tournée, tudo. E era impossível voltar atrás, não conseguimos nem sequer gravar o tema. Nós precisávamos de mais três ou quatro meses para conseguir ensaiar aquilo e o tema acabou por ficar pra trás. E este foi o único tema que eu peguei que não estava gravado de todo, porque achei que era uma história que não tinha feito muita justiça à canção e então, resolvi gravá-la toda em minha casa, um bocadinho com o espírito de filarmónica, ou tento replicar o que seria pra mim essa sonoridade, e depois gravei o vídeo com a filarmónica dos Marrazes. Portanto, eles não participaram no tema em si, mas o espírito deles está lá e eu espero que um dia, quando isto tudo terminar nós nos possamos reunir e tocar o tema todos juntos. E eu achei que era um bom tema para abrir o disco porque era um daqueles que existiam como um tema todo feito, mas nunca teve a oportunidade de ser gravado.

R: E nos últimos anos, que músicos é que mais te têm influenciado mais? Eu noto que há uma grande influência de David Bowie e de Nick Cave…

D: Sim, são dois artistas que eu gosto há muitos anos. Eu lembro-me de ouvir o Henry’s Dream do Nick Cave quando ainda era miúdo. Um amigo meu tinha o vinil deste disco, íamos pra casa dele ouvir e gravávamos aquilo em cassete de trás pra frente. E desde então que sigo o Nick Cave quase religiosamente. Quer dizer, o Nick Cave parece ser ele próprio uma religião. Mas é curioso que ao longo dos anos eu tenho tido outras influências. Eu geralmente sou muito influenciado por pessoas que experimentam fora do espectro normal de uma canção redonda, apesar de ser um grande fã de canções mainstream incríveis, como as do Elton John, que são absolutamente inacreditáveis. Mas depois as músicas que eu ouço mais são sempre mais experimentais. Gosto muito de Bon Iver, do James Blake. São músicos que eu acho que experimentam coisas muito diversificadas no formato da canção que não são necessariamente canções como nós as aprendemos na bíblia dos Beatles, que tem também ela muita experimentação. Mas são pessoas que levam tudo mais além, que levam tudo para um campo de produção, que a mim me interessa, porque faço isso também. Faço muito a produção dos meus discos, a forma como eles são misturados, a forma como os sons funcionam. Uma exploração fora do comum. Também leio inúmeras entrevistas de como é que eles fizeram as gravações. Lembro-me que a primeira vez que fiz isso, de uma forma mais assente, foi com os discos de uma artista sueca meio alternativa e meio obscura, mas cujas gravações soavam a uma coisa que eu nunca tinha ouvido. E gosto muito dessa ideia de ir em busca do instrumento. Apesar de eu, na minha carreira pessoal, gostar mais do formato canção. Que é uma coisa que, efetivamente, me atrai muito. Gosto de fazer experimentações e existem nos meus discos, mas acabam sempre por ter um formato mais de canção.

R: E há alguma coisa na música que gostarias de experimentar e que ainda não tiveste oportunidade?

D: Muitas… Nunca toquei com uma orquestra um disco inteiro. Era uma das coisas que eu adorava fazer. Talvez uma abordagem mais crua à Frank Sinatra. Acho muito interessante esse tipo de gravações, de um take só. Gosto dessa ideia de teres um take, uma canção, uma orquestra, um número enorme de instrumentistas que têm um certo tipo de som. Há uma certa ideia clássica à volta desse assunto que eu gostava de explorar. Talvez um dia também. Mas muitas coisas… Eu tenho uma paixão por eletrónica e penso muitas em abordar um álbum só com eletrónica. Não sei. Há muitas coisas que eu gostava de fazer e que ainda não fiz. Geralmente o que eu não fiz era o que eu mais gostava de fazer.

R: Se tivesses que atribuir uma cor a este teu último álbum, qual é que seria?

D: Azul. Do meu ponto de vista aquele azul pálido, é a cor da recordação, da nostalgia. Porque este disco é de facto um olhar para trás. O único disco, talvez, que eu tenha feito que olha para trás. Nos outros isso não acontece, porque são discos de originais e este aqui acaba por ser original, no sentido em que a maior parte das pessoas nunca tinha ouvido estas canções. E todo ele é um disco melancólico também, porque as canções quase todas apontam para esse lado melancólico e talvez tenha sido por isso que muitas delas ficaram para trás, por carregarem nessa melancolia. Que eu gosto muito, mas que nunca tive a oportunidade de reunir como agora.

R: Quais são as espectativas do regresso aos palcos?

D: Não tenho espectativas nenhumas. Aliás, se há coisa que este tempo nos ensinou foi a não ter grandes espectativas. Nós quando marcamos hoje uma coisa nem sequer sabemos se ela se vai realizar. Nunca sabemos até chegar lá. Acho que a espectativa acaba por ser a mesma – que faça as pessoas isolarem-se no momento presente e que possam sonhar um pouco. Mas eu espero que o espetáculo continue a cumprir essa função de arrancar as pessoas de uma certa realidade e levá-las numa viagem. Acho que é essa a ideia de um concerto e espero que continue a fazê-lo.

R: Mas consegues imaginar como será fazer um espetáculo para pessoas cuja cara está praticamente tapada?

D: Não, só quando lá estiver é que vou saber. Não faço a mais pequena ideia. Sinceramente, nem fiz nenhuma projeção com isso. Mas sabes que a mim não me incomoda muito esta coisa das máscaras, nem de todas as medidas que são implementadas porque acho que é o que é. É o momento presente e é o que nós temos que viver, não é necessário levar isso com um certo grau de gravidade. Pelo contrário, devemos levar isso com uma certa leveza. Então encaro com uma certa normalidade e acho que a partir do momento em que estiver num concerto, passado vinte minutos já toda a gente se esqueceu que está a usar máscara.

R: Isto porque, em concertos as pessoas costumam acompanhar as músicas a cantar e tudo mais, e assim é mais difícil tanto de elas cantarem como do músico perceber que o público está a cantar com ele.

D: Se calhar até se pode perceber, não se sabe é quem é que o está a fazer. Mas não me preocupa. Preocupa-me mais levar as coisas pra frente e perceber como é que esta atividade toda se vai desenrolar daqui pra frente, porque é muito complexo. E com base nisso, prosseguir. E é isso basicamente – prosseguir.

Já com concertos agendados, David Fonseca regressa aos palcos a partir de dia 11 de Setembro na Quinta da Alfarrobeira, em Lisboa, no festival Lisboa ao Palco. E mais concertos se seguem um pouco por todo o país:

6 NOV| Centro de Artes| Ovar

7 NOV| Casa das Artes| Arcos de Valdevez

14 NOV| Teatro Municipal Constantino Nery| Matosinhos

21 NOV| Cine-Teatro Municipal João Mota| Sesimbra

5 DEZ| Casa das Artes| Famalicão.



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