David Fonseca @ Olga Cadaval

Uma primeira mal engatada.

Com disco novo nas mãos e espectáculo ao vivo renovado, David Fonseca trouxe até ao lindíssimo Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, as canções da sua carreira a solo, pontuadas com alguns momentos passados e diversas versões.

Prometendo ênfase maior na componente cénica do espectáculo, o músico apresentou-se num palco discreto, pontuado com referências campestres e florestais, utilizando, ainda, diversas pinturas projectadas atrás da banda. Cenário competente, mas longe de deslumbrar. E as canções? Bom, “Our Hearts Will Beat As One” é um óptimo disco. O primeiro, “Sing Me Someting New”, agrupa também algumas óptimas composições pop. O que falhou, então, para um concerto verdadeiramente memorável?

Para começar, um alinhamento mais certeiro. Faltou alguma coerência e ligação entre boa parte dos temas, resultando isso numa sequência de canções pontuada com bons momentos, certo, mas demasiadamente previsível e monótona, por vezes. Repetir «Who Are U» no final foi, também, um crasso e desnecessário erro. Mas nem tudo foi mau. A maioria das canções de “Our Hearts Will Beat As One” resulta muito bem ao vivo, com destaque para o tema título, a estrondosa «Adeus, Não Afastes os Teus Olhos dos Meus» ou ainda o brilhante «Hold Still», cantado a meias com a pouco aproveitada Rita Pereira. David recuperou, ainda, dois temas dos defuntos Silence 4, o óptimo «To Give» e «Angel Song», aqui com uma roupagem claramente inferior à original. Apresentou ainda algumas versões, como de costume, com destaque para um tema dos Roxy Music, já em encore.

Claramente melhor performer agora do que em tempos recentes, David Fonseca contou histórias, piadas, brincou, inclusive, com alguém que lhe ia atirando provocações da plateia. Com um auditório a abarrotar pelas costuras, destaque-se ainda a massiva adesão a «The 80´s», claramente o mais forte tema da ainda curta carreira de David, autêntico despoletar de um colectivo abanar de ancas.

Para primeira data de uma digressão não está mau. Mas é preciso mais, muito mais, e “Our Hearts Will Beat As One” merece melhores momentos de palco do que aqueles vistos em Sintra.



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