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DC Comics – Taschen

75 anos da DC Comics, numa edição muito especial da Taschen.

Foi em 1934 que a companhia National Allied Publications foi fundada com o objectivo principal de editar Banda Desenhada (BD) no mercado Norte-Americano. Hoje em dia poucos serão os que estão familiarizados com este nome, pois durante muitos anos este foi sofrendo várias mutações até assumir oficialmente, em 1977, aquele pelo qual a companhia era mais conhecida e que hoje se tornou sinónimo de BD de Super-Heróis, falo da gigante DC Comics. Nome este que é retirado de um dos primeiros e mais populares títulos da editora, aquele em que Batman teve a sua primeira aparição em 1939, o Detective Comics. No entanto Paul Levitz, o responsável pela elaboração deste livro, salienta que a editora nunca comprovou esta associação e, ao contrário do que a maioria pensa, as siglas poderão significar na realidade, Donenfeld’s Comics em homenagem a Harry Donenfeld, o dono original da editora.

Em 2009 a DC comemorou 75 anos de existência, 75 anos a trazer-nos BD e a reformular o conceito de Super-Herói. O estereótipo e arquétipo do primeiro Super-Herói teve início nesta editora e influenciou a criação de vários outros ao longo da História, inclusive da sua editora rival, a não menos conhecida Marvel.

Uma data como esta não podia passar despercebida e a Taschen certificou-se disso, editando no final do ano passado o livro 75 Years Of DC Comics: The Art Of Modern Mythmaking. Um livro que parece pesar um quilo por cada ano da DC. Sem dúvida um dos maiores e mais pesados livros em que peguei. A Tashen foi atenciosa ao criar uma caixa em forma de mala, para o transporte do mesmo ser de mais fácil acesso.

Para abordar os 75 anos da DC, a opção escolhida foi a de dividir os capítulos pelas várias idades conhecidas da BD norte-americana, as chamadas idade de ouro, prata, bronze, terminando na moderna.

O primeiro capítulo é, curiosamente, o da idade da pedra, aqui considerado desde a pré-história até 1938. É justo dizer que as primeiras histórias feitas com imagens surgiram na pré-história, em pinturas rupestres, no entanto este é um livro sobre a DC Comics que antes de 1938 existia apenas há quatro anos e por isso o capítulo apenas se prende com os primeiros projectos da editora: tiras em jornais e o lançamento dos seus primeiros comics, entre os quais, “New Fun: The Big Comic Magazine #1” e “New Comics #1”, culminando no título já mencionado, Detective Comics.

A chamada idade de ouro da BD norte-americana (1938-1956) teve início com o lançamento do título Action Comics, ou não se tratasse da revista que deu a conhecer o pai de todos os Super-Heróis, o Super-Homem, criado por Jerry Siegel e Joe Shuster. Este título é então o responsável por introduzir o conceito de Super-herói que hoje nos é tão familiar. Evidentemente não tardaria muito a surgir mais nomes de peso na editora, as portas tinham sido abertas. Passado um ano seria a vez de Batman e Sandman (Wesley Dodds), que tecnicamente não têm o factor “Super” se tivermos em conta que não possuem poderes. Em 1940 nasceriam mais dois nomes icónicos da editora, Flash (Jay Garrick) e Lanterna Verde (Alan Scott) seguidos em 1941 pela Mulher Maravilha, a primeira grande Super-Heroína da DC Comics, e Aquaman. A fechar a idade de ouro temos também o veterano Martian Manhunter lançado em 1955, tal como Batman, no Detective Comics. Um Super-Herói que foi baseado no arquétipo do Super-Homem, algo que continua a acontecer até aos dias de hoje. Neste caso as proximidades ainda iam mais além, de um lado o último filho de Marte e do outro de Krypton.

Um capítulo muito interessante para todos aqueles que querem conhecer o nascimento destes Super-Heróis, e que surpreenderá os menos familiares com este universo, uma vez que as imagens que se tornaram a marca de muitas destas personagens não são exactamente as mesmas na sua génese.

Uma das fases mais populares deste género, ocorreu durante a chamada idade de prata (1956-1970) e que é abordada no 3º capítulo deste livro. O acontecimento que dá início a esta época é o lançamento da revista “Showcase #4” que introduziu um novo Flash (Barry Allen). O sucesso foi tão grande que rapidamente a editora decidiu fazer um corte com o passado e modernizar a maioria das suas personagens. O Lanterna Verde tal como o Flash da era dourada iria desaparecer para dar lugar a uma nova personagem. É a imagem destes novos Flash (Barry Allen) e Lanterna Verde (Hal Jordan) que se tornou, a partir deste instante, a mais usada e logicamente, a mais conhecida, até aos dias de hoje.

No caso da “prata da casa”, Super-Homem, Batman e Mulher Maravilha, as mudanças não poderiam ser tão drásticas a ponto de termos outra pessoa além de Kal-El ou Bruce Wayne, mas as suas histórias seriam também revisitadas.

Começava assim uma nova era de Super-Heróis onde os do passado eram arrumados numa gaveta qualquer…até 1961. Neste ano surgiria a história “Flash of Two Worlds” onde a DC iria iniciar a exploração do conceito de um Multiverso ao ter decidido juntar na mesma história o Flash da idade de prata e o da idade de ouro. No fundo não era nada de complicado, pegava-se nas personagens da idade de ouro e dizia-se que sempre existiram, simplesmente num universo paralelo (apelidado de Terra-2) ao da idade de prata (apelidado de Terra-1 apesar de ter sido criado depois).

Não fazia diferença se era Kennedy ou Obama a estar sentado na cadeira de Presidente dos E.U.A., os anos passavam e os Super-Heróis prevaleciam sempre. Mas os tempos mudam e consequentemente os heróis são obrigados a mudar também.

A chamada idade de bronze (1970–1984) não tem propriamente um catalisador como as anteriores, o termo é normalmente usado apenas para nos referirmos a um período em que temas mais controversos e adultos começaram a ser explorados neste universo. Nunca antes as drogas tinham sido usadas numa história deste género, por exemplo.

No final temos a idade negra (1984-1998) e moderna (1998-2010). A palavra “negra” não deve ser associada a um período negativo, mas antes a um tipo de temática. Foi durante essa época que títulos como “The Dark Knight Returns”, “Hellblazer”, “The Sandman” e “Watchmen” nasceram. Sem dúvida uma das épocas mais prolíficas para a BD e que muitos optam por não separar da idade moderna.

Para se ter uma noção geral dos acontecimentos, no final de cada capítulo existe um painel de quatro páginas com os eventos principais expostos de forma cronológica.

Os filmes também não foram esquecidos, desde o Super-Homem de Richard Donner, até ao mais recente Batman de Christopher Nolan.

Concluindo, estamos muito provavelmente perante a enciclopédia mais vasta e completa sobre uma editora de BD. Um objecto que espelha e honra o percurso de uma das editoras mais importantes do género. Foram 75 anos de aventuras e esperemos que mais 75 se repitam.



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