De Bicicleta com Molière / Alceste à Bicyclette

“De Bicicleta com Molière”

O Misantropo sou eu!

Gauthier Valance (Lambert Wilson), estrela de uma popular série de televisão, viaja para a ilha de Ré em busca de Serge Tanneur (Fabrice Luchini), um seu amigo e agora retirado actor, com quem contracenou no passado.

Taunner abandonou o ofício após uma crise depressiva, motivada pela constatação de viver num mundo de intrigas e falsidades. Desde então Taunner encontrou o seu lugar no isolamento da pequena ilha, numa grande e velha casa que herdou do seu tio.

Valance no entanto tem planos para o retirar do seu exílio, oferecendo-lhe o que julga ser irrecusável…a possibilidade de fazer parte de uma produção por ele encenada, de uma das peças mais complexas do teatro: O Misantropo, de Molière.

Taunner (que é um enorme admirador de Molière e na realidade grande responsável pelo interesse de Valance no teatro clássico) fica no entanto surpreendido por este lhe oferecer o papel de Filinto, considerado um papel menor, e não o de Alcestes, o Misantropo, papel para o qual se sente mais preparado que o vaidoso e sedutor astro do pequeno ecrã, a quem não reconhece a capacidade de odiar com ferocidade a humanidade, tão necessária para entender Alceste.

Taunner “obriga” então Valance a uma série de ensaios na sua casa que se vão demonstrar essenciais não só para determinar quem é quem na peça, mas principalmente para entender as diferenças entre interpretar a personagem e ser a personagem, tudo isto no decorrer de um longo e acidentado diálogo entre Valance e Taunner. Diálogo por vezes interrompido pela presença feminina de uma insinuante vizinha italiana que ainda vem acentuar mais as diferenças entre os dois amigos.

No final, facilmente se percebe, que para ser um “Misantropo”, não basta parecer, é preciso estar disposto a pagar um preço, que é por vezes, demasiado alto.

Realizado pelo muito experiente e aclamado realizador, Philippe Le Guay (Os Encantos do 6º andar), este “De bicicleta com Molière” é uma inteligente e divertida comédia que vive da energia e química em cena de Wilson e Luchini (que é junto com Guay, responsável pelo argumento) que são o Alfa e o Ómega desta narrativa. Aqui não reside nenhuma menoridade da obra, mas sim a base sólida para um filme extremamente interessante, com momentos de puro entretenimento, mas que consegue em algumas ocasiões tornar-se uma verdadeira “Masterclass” de interpretação e de divulgação cultural, merecedora até de uma interrogação: Quantos não estarão a ler Molière pela primeira vez, depois de terem visto o filme?

Uma jóia rara a merecer ser vista com atenção.

Sai com um Satisfaz Plenamente!

 

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